Paula Rego

Primeira exposição antológica da obra da pintora portuguesa Paula Rego (1935), abrangendo 35 anos do trabalho da artista. Integrando trabalhos do início da sua residência em Londres enquanto estudante, a mostra centrava-se na sua produção mais recente. As obras expostas foram selecionadas pela artista e por Ruth Rosengarten, crítica de arte e historiadora.
First retrospective exhibition of works by Portuguese painter Paula Rego (1935) covering 35 years of her work. The display, which centred primarily on the artist's most recent work, included artworks from Rego's time as a student in London. The works on display were selected by the artist herself and by art historian and critic Ruth Rosengarten.

Primeira exposição antológica da obra de Paula Rego (1935), apresentada na Galeria de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian (piso 0). A mostra percorria 35 anos de trabalho da artista portuguesa residente em Londres, dando especial enfoque à produção recente. As obras expostas foram selecionadas por Paula Rego juntamente com Ruth Rosengarten, crítica de arte e historiadora, que vinha acompanhando e estudando o trabalho da artista.

A orientação cronológica do percurso expositivo era espectável, uma vez que para Paula Rego a sua vida e a sua obra são indissociáveis. Como a própria relatara, em entrevista concedida a John McEwen e incluída no catálogo, cada nova experiência no campo artístico estava intimamente ligada a uma dada fase da sua vida pessoal, sendo através da arte que Paula Rego satisfazia determinadas necessidades, ultrapassava lutas interiores, resolvia dilemas.

A mostra começava com duas pinturas do período em que Paula Rego frequentara a Slade School of Fine Art (Londres): The Birthday Party (1953) e Under Milk Wood (1954). Esta opção foi justificada pela artista da seguinte forma: «Pensei que seria interessante mostrar um quadro antigo porque, e isto é curioso, há ligações com as coisas mais recentes, embora sejam muito diferentes no espírito.» (Paula Rego, 1988)

Destacam-se, assim, duas preocupações em termos discursivos nesta exposição: por um lado, definir as diversas fases do percurso da artista, que correspondem à permanente experimentação, introdução e abandono de diferentes processos, formas e temas; por outro, deixar emergir certas relações e cruzamentos entre obras de diferentes períodos. Para tal, as obras foram agrupadas segundo meios, processos e linguagens, mas de forma aberta, sem impor um percurso linear rígido. Assim, o desenvolvimento do trabalho de Paula Rego era dado a conhecer desde o momento em que a artista descobriu a obra de Jean Dubuffet (1901-1985) e «os desenhos começaram a vir de dentro, directos, sem nada de permeio», passando pela fase dos «recortes», que alcançara o seu ponto alto com a obra Os Cães de Barcelona (1965), até ao período em que a colagem dera lugar à pintura e a artista produzira as séries dos animais, das óperas e das Vivian Girls (Paula Rego, 1988).

Por outro lado, ao evitar a fragmentação excessiva do espaço, o projeto museográfico mantinha a fluidez necessária à manifestação da liberdade das opções seguidas pela artista. Os painéis, ora paralelos ora perpendiculares uns em relação aos outros, permitiam o diálogo entre os diferentes momentos e a revelação de continuidades, ruturas e ressurgimentos. O visitante podia, por exemplo, observar em paralelo as obras Manifesto (1965) e Salazar a Vomitar a Pátria (1960), e encontrar traços comuns entre elas, como a deformação das figuras, a violência das cenas, a abolição da profundidade, e, ao mesmo tempo, aquilo que as distinguia em termos plásticos. Ou ver em simultâneo, ainda que em planos distintos, as obras Provérbio Popular (1961) e Anunciação (1981), e como as colagens de Paula Rego se foram transformando com a introdução de diferentes elementos e a combinação com a pintura. E, ainda, encontrar reminiscências do desenho livre das primeiras colagens, em obras como Na Praia (1985), e o posterior afastamento delas, nos trabalhos recentes, marcados por um desenho firme, de maior rigor, onde a ordem ganha forma. A cada ponto de vista correspondiam diferentes perspetivas da obra de Paula Rego.

A relação da artista com a Fundação Calouste Gulbenkian podia também ser traçada através desta exposição, como sugere José Sommer Ribeiro no texto de apresentação do catálogo, uma vez que nela foram integradas as obras com que a artista participara na «II Exposição de Artes Plásticas» da Fundação Calouste Gulbenkian (1961) e a série dos contos populares portugueses, pesquisa realizada por Paula Rego no âmbito da bolsa de estudo que lhe foi concedida em 1976 pela Fundação Calouste Gulbenkian. Esta exposição foi posteriormente levada ao Porto, onde esteve patente na Casa de Serralves.

Mariana Roquette Teixeira, 2018

First retrospective exhibition of work by Paula Rego (Lisbon, Portugal, 1935). Shown at the Temporary Exhibitions Gallery in the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG) Main Building (Lower Ground Floor), this exhibition covered 35 years of work by the Portuguese-born, London-based artist, with particular focus on her recent pieces. The works exhibited were selected by Paula Rego together with Ruth Rosengarten (1954), an art historian and critic who had followed and studied the artist's career.
The exhibition was organised chronologically, as expected, since life and work are inseparable for Paula Rego. As she had reported in an interview with John McEwen, included in the catalogue, each new experiment in art was intimately linked to a certain stage in her personal life, and she sought through art to meet certain needs, overcome internal struggles, resolve dilemmas. The event began with two paintings from the time when Paula Rego was studying at the Slade School of Fine Art in London: The Birthday Party (1953) and Under Milk Wood (1954). This decision was explained by the artist as follows: I thought it would be interesting to show an old picture because, and this is curious, there are connections with more recent things, although they are very different in spirit (Paula Rego, 1988).
There are therefore two concerns in terms of discourse in this exhibition: first, defining the different stages of the artist's career, corresponding to constant experimentation, introduction and withdrawal from different processes, forms and themes, and secondly, letting certain relationships and intersections emerge among pieces from different periods. For this, the works were grouped by media, processes and expressions used, but in an open manner, avoiding the imposition of a rigid, linear path. This allowed people to see the development of Paula Rego's work from the moment the artist discovered the work of Jean Debuffet (1901-1985) and the drawings began to come from within, directly, with nothing in between, passing through the cuttings phase, which reached its peak with The Dogs of Barcelona (1965) up to the period where collage gave way to painting and the artist produced the animals, opera and Vivian Girls series (Paula Rego, 1988).
To avoid fragmenting the space too much, the plan for the exhibition kept the flow needed to demonstrate the freedom in the choices made by the artist. The panels, some parallel and some at right-angles to one another, enabled a dialogue to be established between different times, revealing continuities, interruptions and resurgences. Visitors could, for example, see the works Manifesto (1965) and Salazar a vomitar a pátria (1960) in parallel and find features common to both, such as the deformation of the figures, the violence of the scenes, the abolition of depth and, at the same time, find what was visually different. Or, at the same time, although at different distances, observe the pieces Provérbio Popular (1961) and Anunciação (1981) and how Paula Rego's collages were transformed by the introduction of different elements and combinations with painting. And it was even possible to find recollections of free drawing in the first collages of works like Na Praia (1985) and her move away from collages in more recent works, defined by firmer, more accurate drawing, where order takes an a greater role. Every point of view corresponded to different perspectives in Paula Rego's work. The artist's relationship with the FCG could also be observed in the exhibition, as suggested by José Sommer Ribeiro in the introduction to the catalogue, since pieces were included that the artist had used to participate in the II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian [Second Calouste Gulbenkian Foundation Exhibition of Visual Arts] (1961) and the series on Portuguese folk tales, a project Paula Rego carried out with a study grant awarded to her by the FCG in 1976. The exhibition later travelled to Porto, where it was shown at the Casa de Serralves.

Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

As três cabeças de oiro - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

As três cabeças de oiro - Série Os Contos Populares Portugueses, (c. 1975) / Inv. DP238

Branca Flor – o diabo e a diaba na cama - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

Branca Flor – o diabo e a diaba na cama - Série Os Contos Populares Portugueses, (C. 1975) / Inv. DP237

Branca Flor – Pombas a tomar banho - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

Branca Flor – Pombas a tomar banho - Série Os Contos Populares Portugueses, (C. 1975) / Inv. DP242

Branca Flor – Rapaz a brincar com o Diabo - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

Branca Flor – Rapaz a brincar com o Diabo - Série Os Contos Populares Portugueses, 1974 / Inv. DP241

Manifesto (For a Lost Cause)

Paula Rego (1935-2022)

Manifesto (For a Lost Cause), 1965 / Inv. 66P280

O Diabo Gato – Três Diabinhos atados por um cordel branco - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

O Diabo Gato – Três Diabinhos atados por um cordel branco - Série Os Contos Populares Portugueses, (c. 1975) / Inv. DP240

Os dois Vizinhos separados por um Rio de Sangue - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

Os dois Vizinhos separados por um Rio de Sangue - Série Os Contos Populares Portugueses, (c. 1975) / Inv. DP239

S. Vomiting the Pátria

Paula Rego (1935-2022)

S. Vomiting the Pátria, (1960) / Inv. 83P417

Sr. Vicente e a sua Esposa

Paula Rego (1935-2022)

Sr. Vicente e a sua Esposa, 1961 / Inv. 83P448

The Vivian Girls as Windmills

Paula Rego (1935-2022)

The Vivian Girls as Windmills, 1984 / Inv. 86P589

As três cabeças de oiro - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

As três cabeças de oiro - Série Os Contos Populares Portugueses, (c. 1975) / Inv. DP238

Branca Flor – o diabo e a diaba na cama - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

Branca Flor – o diabo e a diaba na cama - Série Os Contos Populares Portugueses, (C. 1975) / Inv. DP237

Branca Flor – Pombas a tomar banho - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

Branca Flor – Pombas a tomar banho - Série Os Contos Populares Portugueses, (C. 1975) / Inv. DP242

Branca Flor – Rapaz a brincar com o Diabo - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

Branca Flor – Rapaz a brincar com o Diabo - Série Os Contos Populares Portugueses, 1974 / Inv. DP241

Manifesto (For a Lost Cause)

Paula Rego (1935-2022)

Manifesto (For a Lost Cause), 1965 / Inv. 66P280

O Diabo Gato – Três Diabinhos atados por um cordel branco - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

O Diabo Gato – Três Diabinhos atados por um cordel branco - Série Os Contos Populares Portugueses, (c. 1975) / Inv. DP240

Os dois Vizinhos separados por um Rio de Sangue - Série Os Contos Populares Portugueses

Paula Rego (1935-2022)

Os dois Vizinhos separados por um Rio de Sangue - Série Os Contos Populares Portugueses, (c. 1975) / Inv. DP239

S. Vomiting the Pátria

Paula Rego (1935-2022)

S. Vomiting the Pátria, (1960) / Inv. 83P417

Sr. Vicente e a sua Esposa

Paula Rego (1935-2022)

Sr. Vicente e a sua Esposa, 1961 / Inv. 83P448

The Vivian Girls as Windmills

Paula Rego (1935-2022)

The Vivian Girls as Windmills, 1984 / Inv. 86P589


Publicações


Material Gráfico


Fotografias


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00156

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém lista de colecionadores, correspondência, pedidos de empréstimo, convite e convite da exposição na Serpentine Gallery, realizada entre 15 de outubro e 20 de novembro de 1988. 1988 – 1990

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00157

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência, pedidos de empréstimo e material para o catálogo. 1986 – 1989


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