Ourivesaria Pré-Hispânica da Colômbia
1988
Exposição itinerante que dava a conhecer as coleções de ourivesaria e cerâmica do Museo del Oro, do Banco da República da Colômbia (Bogotá). Anteriormente apresentada em Milão, Madrid e Viena, esta mostra integrou a programação do Museu Calouste Gulbenkian, contando com o apoio do Serviço de Belas-Artes e do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Além do interesse histórico e artístico da exposição, era evidente a sua relevância e contributo para a aproximação cultural entre a Colômbia e Portugal, como apontara Syder Santiago, embaixador de Portugal em Bogotá (Carta de Syder Santiago para José de Azeredo Perdigão, 13 mai. 1988, Arquivos Gulbenkian, SEM 00386).
Assim, fez-se coincidir a inauguração com a visita oficial a Portugal do então presidente da República da Colômbia, Virgílio Barco, que visitou a mostra na companhia do chefe de Estado português, à data Mário Soares.
O projeto museográfico de Vítor Manaças, que transformara a Galeria de Exposições Temporárias do Museu numa espécie de Wunderkammer, foi adaptado à mostra em questão. As inúmeras vitrinas abertas ao longo da sala adequavam-se às peças de pequena e média dimensões em ouro e cerâmica.
Organizada segundo critérios geográficos e cronológicos, esta exposição iniciava-se com um mapa das zonas arqueológicas da Colômbia (Nariño, Tolima, Calima, Muisca, Quimbaya, Sinú, Tairona) e uma cronologia das diferentes culturas que se desenvolveram naquelas regiões no período pré-colonial (de 400 a.C. a inícios do século XVI). A cada região correspondiam uma ou mais vitrinas com objetos de natureza distinta (objetos utilitários, ornamentais e de culto).
O tom azul-escuro usado nas paredes e a iluminação dramática salientavam não só o valor artístico e material das peças, mas também as formas e símbolos enigmáticos nelas contidos. Cada núcleo de objetos, correspondente a uma das regiões, dispunha de um texto onde eram descritos hábitos, costumes e crenças dos grupos que aí se haviam estabelecido, de forma a elucidar os visitantes sobre as funções dos artefactos expostos. Estas informações eram complementadas com fotografias, que mostravam o modo como os objetos eram usados, os locais e condições em que foram encontrados, ou as técnicas metalúrgicas com que haviam sido executados.
Mariana Roquette Teixeira, 2018