Ouros do Peru
1965
Exposição itinerante organizada pelo Arts Council of Great Britain, foi apresentada em Bruxelas, Estocolmo, Zurique, Londres e Turim antes da montagem em Lisboa. A sua vinda para Portugal foi proposta, em carta, à Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) pelo encarregado de negócios da legação do Peru em Lisboa, José Carlos Mariátegui, na qual afirmava que «tanto o nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros, como o Secretariado Nacional de Informação, haviam “já demonstrado o mais vivo interesse na citada exposição”» e que o Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI) «manifestara o desejo de colaborar com a FCG, oferendo o seu local de exposição e financiando as despesas, com excepção das motivadas pelo seguro» (Apontamento do Serviço de Belas-Artes, 23 out. 1964, Arquivos Gulbenkian, SBA 15355). A FCG optou, contudo, por patrocinar a mostra sem o apoio do SNI, recorrendo para tal às instalações da Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa.
As obras expostas (objetos, na sua maioria em ouro, que documentavam as antigas culturas do Peru pré-incaico) pertenciam à coleção de Miguel Mujica Gallo que selecionou as espécies apresentadas e organizou a sua descrição e indicações cronológicas.
Pela natureza dos objetos a exibir, José Sommer Ribeiro e Fernando de Azevedo tiveram particular cuidado na conceção e montagem da exposição, conforme relatam: «No esquema de montagem da Exposição “Ouro do Peru” atendeu-se às características especiais das peças, que exigem pela sua diminuta dimensão, fragilidade, valor material e segurança, serem expostas exclusivamente em vitrines. Isso obriga à creação de um novo espaço dentro do salão, obtido por uma linha de tecto geral baixa, assente em painéis tratados que sublinham o ritmo das vitrines.» (Apontamento do Serviço de Belas-Artes, 12 jan. 1965, Arquivos Gulbenkian, SBA 15355)
Joana Baião, 2015