Marionetas da Checoslováquia em Lisboa
1986
Exposição integrada num ciclo dedicado às Marionetas da Checoslováquia, constituído por uma série de espetáculos de marionetas, sessões de filmes, uma exposição e uma mesa-redonda. O ciclo foi apresentado e organizado pelo ACARTE e pelo Centro de Arte Moderna (CAM), em parceria com a Embaixada da Checoslováquia em Lisboa. A exposição compreendeu a apresentação de 30 marionetas, de tamanhos e formas diferentes, 50 desenhos de marionetas e décors, cinco maquetas de cenários e diversas fotografias a preto-e-branco.
A conceção da exposição foi da autoria do National Marionette Theatre (Praga), do Ministério da Cultura da Checoslováquia, em cooperação com uma comissão de peritos na arte da marioneta: Nina Malikova, do Instituto do Teatro, Alois Tománek, da Union Tchèque des Artistes Dramatiques, e J. Patková, da Union Internationale de la Marionnette (UNIMA).
A museografia da exposição contemplou um espaço dividido em duas partes: um corredor central, onde foram dispostas fotografias dos artistas mais conhecidos, extraídas de programas de televisão ou de filmes; e uma segunda parte constituída por vários espaços menores, consagrados à arte da marioneta, introduzidos por um mapa da Checoslováquia com sinalização dos principais teatros de marionetas.
O catálogo encontrado não se refere especificamente à exposição de marionetas mas ao ciclo de animação que decorreu em paralelo. Neste sentido, contém, além dos horários dos filmes, o resumo de cada projeção e alguns stills a preto-e-branco, sendo introduzido por um texto assinado por Maria Madalena de Azeredo Perdigão, no qual a diretora do ACARTE reforça o objetivo desta mostra: permitir «ao público português tomar contacto com uma forma de arte de grandes tradições naquele país» (Marionetas da Checoslováquia em Lisboa, 1986).
O responsável pela programação do ciclo de cinema, Vasco Granja, assina um pequeno ensaio, integrado no catálogo, sobre a história do cinema de marionetas da Checoslováquia; seria também ele o autor das folhas de sala que apresentavam os filmes exibidos.
A exposição logrou grande êxito junto do público português e da imprensa, segundo o testemunho de Zdenek Konícek, adido cultural da Embaixada da Checoslováquia, que, numa carta a José Sommer Ribeiro, afirma ter-se tratado de uma «manifestação que gozou do maior interesse do público português e que encontrou vastíssimos ecos elogiosos nos meios de comunicação social» (Carta de Zdenek Konícek para José Sommer Ribeiro, 19 jan. 1987, Arquivos Gulbenkian, CAM 00107).
A exposição foi largamente divulgada e elogiada na imprensa nacional, em artigos de cobertura do festival. O Diário de Lisboa, embora criticando a sua pequena dimensão, refere que a mostra abriu «portas para horizontes qualitativos e quantitativos insuspeitados» (Brito, Diário de Lisboa, 11 dez. 1986).
Esteve ainda pensada a realização de um minicurso de marionetistas. Não foi, todavia, possível apurar a sua concretização.
Carolina Matias, 2017