A Arte em Lepenski Vir
1986
Itinerância em território nacional da exposição primeiramente apresentada no Museu Nacional de Belgrado, a 10 de maio de 1983, depois mostrada em Munique e Colónia. Esta exposição reuniu todas as obras de arte encontradas na estação pré-histórica de Lepenski Vir, nas Portas de Ferro, Sérvia, num total de 91 objetos. Nela foram apresentadas, pela primeira vez, esculturas e altares de pedra monumentais, objetos utilizados em rituais, amuletos, instrumentos musicais e joias.
A exposição foi inaugurada em Lisboa, a 28 de maio de 1986, na Galeria de Exposições Temporárias da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian (piso 01), e esteve patente até 12 de junho do mesmo ano. Completando a exposição, foi editado um catálogo monográfico, com textos de Dragoslav Srejovic e Ljubinka Babovic, arqueólogos em Lepenski Vir, no qual são debatidas as origens dos objetos encontrados no local da estação arqueológica. Estes objetos foram encontrados entre 1965 e 1970, num socalco do Danúbio, em Lepenski Vir, nas Portas de Ferro, expondo uma antiga cultura pré-histórica, com edificações de caráter religioso, esculturas feitas de gigantescos blocos de pedra e incisões gravadas em pedra, chifre e osso. A arte aqui encontrada demarca-se de outros exemplos do mesmo período – caracterizados pela vida das comunidades em abrigos naturais ou tendas e cabanas e pela gravação de incisões em osso ou chifre –, apresentando uma complexidade maior, tanto ao nível das construções arquitetónicas como da escultura.
O responsável pela montagem foi Américo Ferreira da Silva, sendo Vera Bulajic a comissária da exposição. A seguir a Lisboa, a exposição seria apresentada em Londres, mas não foi possível apurar as datas respetivas ou de outras possíveis itinerâncias, à exceção de Madrid, onde esteve presente em abril de 1986.
A divulgação da exposição na imprensa nacional passa pela descrição do que se podia ver na Galeria de Exposições Temporárias, tecendo narrativas a partir dos objetos expostos e dando algumas pistas históricas sobre a comunidade que viveu em Lepenski Vir.
Carolina Matias, 2017