Instrumentos Musicais Populares Portugueses
1966
Com o objetivo de fazer uma recolha de instrumentos musicais populares portugueses, o etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) coordenou o projeto etnomusicológico apoiado pelo Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). Deste levantamento e sistematização, resultaram, além da importante monografia consagrada ao tema, duas edições de uma exposição dedicada aos instrumentos musicais populares portugueses. A primeira edição, crendo nos dados que conseguimos obter, realizou-se em 1962, e a segunda, dois anos mais tarde, em 1964, por ocasião do Congresso Nacional do Turismo (Instrumentos Musicais Populares Portugueses I; Instrumentos Musicais Populares Portugueses II).
Sabe-se, pela troca de correspondência entre a diretora do Serviço de Música, Madalena de Azeredo Perdigão, e Ernesto Veiga de Oliveira, que, em março de 1962, foi decidido adiar a exposição até data que não foi possível apurar. Contudo, pela datação do material fotográfico e audiovisual relativo à exposição, ter-se-á realizado ainda nesse ano a sua primeira edição (Arquivos Gulbenkian, MUS 00135).
Esta mesma ideia é reforçada em informação presente no Relatório e Contas referente ao biénio 1960-1962, em que se menciona que a exposição é organizada por ocasião da reunião, em Lisboa, do Comité Internacional do ICOM para os Museus e Coleções de Instrumentos Musicais, em finais de 1962.
Como não foi localizada a documentação de arquivo sobre a organização e produção destas duas exposições, não é possível o estudo detalhado dos eventos. Há, contudo, documentação fotográfica, datada, do espaço expositivo das duas edições e da conferência proferida por Ernesto Veiga de Oliveira (1964), que terá possivelmente colaborado no comissariado da exposição.
Tratou-se, pois, de pôr «à disposição o material que representa uma das facetas mais ricas, significativas e pitorescas da nossa cultura original», revelando a sua multiplicidade de formas (Oliveira, Colóquio. Revista de Artes e Letras, jul. 1963, p. 27).
O subsídio da FCG, proposto por Jorge Dias (1907-1973) e desenvolvido no terreno por Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira (1928), resultou na formação da coleção de instrumentos musicais populares portugueses do Museu Nacional de Etnologia, que já em 1963 contava com um total de 400 peças.
A documentação audiovisual associada a esta exposição reveste-se da maior importância, uma vez que terá sido este o primeiro filme/documentário a ser realizado para a FCG de que há registo (1962), da autoria de António Campos (1922-1999).
Em abril de 1997, foi celebrado um protocolo entre a FCG e a Cinemateca Portuguesa, em que a FCG cedeu a esta instituição pública, em regime de depósito, um conjunto de películas, do qual este filme é parte integrante.
Filipa Coimbra, 2016