Siza

Programa Gulbenkian Cultura

Exposição dedicada à obra de Álvaro Siza Vieira, uma das figuras maiores da arquitetura portuguesa e um dos mais relevantes nomes vivos da arquitetura contemporânea. Centrada no papel do desenho, «Siza» reuniu material original dos seus arquivos, fotografias, peças de design e obras que revelam o universo de referências pessoais e artísticas do arquiteto.

A exposição «Siza» apresentou, entre 17 de maio e 26 de agosto de 2024, uma oportuna retrospetiva da obra de Álvaro Siza, nome maior da arquitetura contemporânea. Ocupando a Galeria Principal do edifício-sede e a Galeria de Exposições Temporárias do edifício do Museu Gulbenkian, a exposição coincidiu com os 90 anos do arquiteto, homenageando um percurso internacional de quase 70 anos e ainda não terminado. Concebida por Carlos Quintáns e Zaida García Requejo, «Siza» propunha uma abordagem global da obra de Siza, celebrando a sua criatividade e destacando o papel central do desenho.

A comemoração dos 90 anos de Álvaro Siza Vieira, nascido a 25 de junho de 1933, motivou várias homenagens e olhares retrospetivos sobre uma carreira de quase 70 anos e uma obra sem par a nível nacional e internacional. A Fundação Calouste Gulbenkian juntou-se a esta celebração de «um dos nomes indisputavelmente maiores da arquitetura moderna e contemporânea». nas palavras de António Feijó, presidente do Conselho de Administração da Fundação Gulbenkian, com uma exposição que procurou dar a conhecer a um público mais vasto a «importância e a magnitude da obra de Álvaro Siza» (Siza, 2024, p. 7).

O próprio título da exposição anunciava este intuito de homenagem. O apelido apenas, «Siza», suficiente para evocar a singela figura do arquiteto, também celebrada na imagem gráfica, desenvolvida por José Albergaria, onde um Siza introvertido, com a mão esquerda levantada como se estivesse a pesar um argumento, passeia distraidamente em frente das grandes letras do seu nome. Era um de vários acenos subtis ao sentido de humor afinado do arquiteto, às vezes saborosamente auto-depreciativo, que despontavam na exposição e no catálogo, feitos com evidente estima e respeito pelos curadores.

Outro motivo de peso para a exposição terá sido a doação, em 2014, do arquivo de Álvaro Siza à Fundação Gulbenkian, Fundação Serralves e ao Canadian Centre for Architecture. As três instituições desenvolveram uma metodologia partilhada para o tratamento, inventário e acesso do abundante material: mais de 400 projetos, contendo acima de 70.000 desenhos, 26.000 imagens fotográficas e 20 metros lineares de registos escritos, entre outros.

A Fundação de Serralves desenvolveu uma programação contínua em torno da obra e do arquivo de Álvaro Siza desde 2018, com um ciclo anual de conferências (“The Álvaro Siza Talks”) e exposições como «Álvaro Siza: In/disciplina»(2019, curadoria de Nuno Grande e Carlos Muro) ou «Maria Antónia Leite Siza, 50 anos depois», (2022, sobre a obra plástica da mulher de Siza, precocemente falecida). Os 90 anos do arquiteto foram ainda assinalados pela abertura da Ala Siza Vieira do Museu Serralves, que acolhe o arquivo do arquiteto, e pelas exposições «C.A.S.A. - Coleção Álvaro Siza. Arquivo» (2023, curadoria de António Choupina; a exposição viajou a seguir para Xangai) e «Álvaro Siza: Desenhar o Quotidiano» (2024).

A Fundação Calouste Gulbenkian, em contraste, ainda não tinha produzido uma exposição sobre Álvaro Siza. A exposição itinerante «Nenhum sítio é deserto. Piscina de Marés, Leça da Palmeira (1960 – 2021)», organizada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e apresentada no átrio da Biblioteca de Arte em 2023, foi de facto o primeiro olhar monográfico que lhe foi dedicado nas instalações da Fundação.

 

Terão sido estas razões – o momento retrospetivo sugerido pela comemoração dos 90 anos do arquiteto, o depósito do Arquivo Álvaro Siza no acervo da Biblioteca de Arte e a correção de uma ausência institucional de atenção a Siza por parte da Fundação – que determinaram o convite a Carlos Quintáns para realizar a exposição em maio de 2023.

Arquiteto, professor, curador e editor (nomeadamente da revista de arquitetura Archives), Carlos Quintáns foi, entre outros, responsável pela exposição «Unfinished», no Pavilhão Espanhol da Bienal de Veneza de 2016, distinguida com um Leão de Ouro. Foi também coeditor dos dois volumes de Álvaro Siza. Huellas Encuadres Paseos / Obras 1952–2018, publicados em 2022 por ocasião da atribuição do Premio Nacional de Arquitectura de Espanha a Álvaro Siza, em 2019. Em «Siza», trabalhou com Zaida García Requejo, professora na Universidade da Coruña, com quem colabora desde 2021, parceria que se prolongaria em projetos como a  Bienal de Coimbra de 2024.

A proposta de Carlos Quintáns foi a de lançar um olhar global sobre a obra de Álvaro Siza, que não se limitasse a determinado período cronológico, área geográfica ou tipologia, incluindo também a obra não construída ou demolida – um olhar retrospetivo que considerava ainda em falta. Este propósito é dificultado pela vastidão desta obra, que soma cerca de 500 projetos em quatro continentes e foi objeto de centenas de publicações. (O projeto Siza Atlas, do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, contém 168 registos geolocalizados de projetos executados. A referência bibliográfica mais completa é Álvaro Siza: Complete Works 1952–2013, de P. Jodidio (Cologne: Taschen, 2013), que, contudo, exclui todo o trabalho da década posterior à sua publicação, incluindo mais de duas dúzias de projetos construídos, nomeadamente na China e na Coreia do Sul).

Do enorme arquivo acessível à equipa curatorial – além dos acervos do Canadian Centre for Architecture, da Fundação de Serralves e da Fundação Gulbenkian, a equipa recorreu também à Coleção Drawing Matter, em Londres, ao arquivo do Atelier Álvaro Siza, que continua ativo, e ainda a algumas coleções particulares, com destaque para a coleção de Carlos Castanheira – os dois curadores terão trabalhado com cerca de 250 mil documentos, metade do que estimam existir (ver declarações à Visão). A abordagem escolhida para abarcar obra tão vasta, sem perder de vista nem a sua globalidade nem a especificidade concreta de cada projeto, foi a criação de um “atlas” da obra de Álvaro Siza, com inspirações confessas nos gabinetes de curiosidades dos séculos XVI a XVIII e no atlas de imagens de Aby Warburg (C. Quintáns, “Um atlas de Siza através dos seus cadernos”, Siza, op. cit., p. 18).

Este atlas foi desenhado a partir de uma trintena de conceitos, discutidos com Álvaro Siza ao longo do ano em que a exposição foi preparada. Era balizado por uma métrica numérica baseada nos 90 anos do arquiteto, que serviram de múltiplo ou divisor para delimitar o número de obras selecionadas. Cada conceito adotava a forma de um verbo (“curvar”, “rematar”, “traçar”, …), formando um glossário de gestos e soluções recorrentes na obra de Siza. Trata-se, assumidamente, de uma abordagem incompleta, aberta e provisória, de uma tentativa de reconhecer os contornos da topografia desta vasta obra, de um esboço de uma possível ordem capaz de gerar novos sentidos, e não de um catálogo definitivo (ver Quintáns, op. cit.).

Este exercício de mapeamento desdobrava-se, na exposição, em quatro ou cinco formas de aproximação ao universo de Álvaro Siza. Para tal, recorria a cerca de 2000 objetos – 990 fotografias, mais de 400 desenhos e pinturas, 30 cadernos, além de peças de mobiliário, livros, esculturas e centenas de reproduções de desenhos – distribuídos por dois espaços distintos.

A Galeria Principal do edifício-sede era dedicada à arquitetura, enquanto a Galeria de Exposições Temporárias do Museu Gulbenkian abordava o universo pessoal do arquiteto. Em ambos os espaços, o desenho – atividade transversal e fundamental para Siza, para projetar, registar, explicar, entender, recordar –  era o fio condutor, como sugeriam, logo à entrada, a reprodução de um auto-retrato, a imagem de mãos a desenhar e um vídeo da mão do arquiteto a escrever a frase “Ora viva”.

Na Galeria Principal – cujas janelas se abriam para os jardins e deixavam entrar a luz natural tão presente nos edifícios de Álvaro Siza I, um primeiro núcleo, delimitado por duas paredes forradas a madeira viradas para a porta de entrada, servia de suporte a 90 fotografias e 30 cadernos originais do arquiteto, além de 16 exemplares reproduzidos em fac-símile para poderem ser manuseados.

As fotografias eram de Juan Rodríguez, fotógrafo galego que acompanha o trabalho de Álvaro Siza há décadas e que já colaborara anteriormente com Carlos Quintáns em vários projetos. Esboçavam, em rigorosas composições a preto e branco, um panorama geral da obra de Álvaro Siza, deixando inevitavelmente de fora, por exemplo, toda a obra construída na Ásia. Sem legendas, apresentavam-se não tanto como documentos ou registos remetendo para um lugar e um tempo específicos, mas como inventário formal, convidando a um olhar atento sobre o desenho das formas, os pormenores, os jogos de luz e a relação com a paisagem.

Se as fotografias apresentavam a obra acabada, os cadernos remetiam para a sua génese. Desde os anos 1970, Siza usa cadernos escolares A4, quase sempre de capa preta, para registar desenhos, anotações, ideias, cálculos e lembretes. Depois de preenchidos, são registados e arquivados, formando um registo íntimo da maneira de pensar do arquiteto. Em 2024, o curador da exposição estimou a existência de cerca de 600 destes cadernos, guardados em vários arquivos, tendo a equipa curatorial consultado cerca de 300 (ver declarações no Expresso, 23 maio 2024). A reprodução em fac-símile permitia percorrer alguns exemplares.

As duas paredes formavam assim uma espécie de átrio de entrada, não apenas no sentido literal, mas também como entrada à obra de Álvaro Siza, desenhando um arco entre o pensamento do arquiteto, articulado nos cadernos, e o rigor e inventividade dos seus edifícios, captados pelo olhar sóbrio e atento de Juan Rodríguez.

Um segundo núcleo analisava 90 projetos a partir dos 30 conceitos antes referidos. Nas paredes, 90 desenhos técnicos, emoldurados com dignidade, acumulavam-se do chão ao teto, num excesso controlado que remetia para a lógica dos gabinetes de curiosidades referidos pelo curador. Mapas topográficos, plantas, perfis, desenhos de pormenor, perspetivas e esboços misturavam obra feita com o que poderia ter sido, desafiando a leitura da diversidade e criatividade da obra de Siza.

Ao longo do espaço, três grandes mesas corridas (cerca de 25 metros cada) continham, impressos em alumínio, o “atlas” dos 30 conceitos, de “afastar” a “voar”, exposto à análise como se se tratasse das mesas de trabalho de um atelier de arquitetura. Cada conceito era apresentado em inglês e português por um pequeno texto geral, reproduções de nove páginas dos cadernos de Siza e três projetos escolhidos, incluindo sempre pelo menos um projeto não construído. Cada projeto era acompanhado de um texto explicativo e de dois ou três desenhos, reproduzidos em escala real.

De acordo com os textos que acompanhavam cada conceito, as razões que fundamentavam a sua seleção não obedeciam a uma lógica muito sistemática. Algumas referiam-se a estratégias de composição (afastar, dobrar, esvaziar, sobressair), outras a funcionalidades (aquecer, sobre o desenho de chaminés; cobrir, sobre coberturas; subir, sobre escadas; nadar, sobre piscinas). Outros conceitos tinham um sentido mais alargado (viver, sobre a forma como a arquitetura responde a necessidades e é usada; orar, sobre arquitetura religiosa). O último conceito, “voar”, referia-se a um ponto de vista (de cima para baixo) e a uma forma de representação (vistas aéreas) para grandes projetos, mais do que a qualquer qualidade inerente aos projetos escolhidos.

Um pequeno espaço intercalar, forrado exteriormente com os mesmos painéis de madeira usados nas paredes junto da entrada, configurava uma sala de projeções, num branco imaculado quase devocional, em cujas três paredes era projetada uma sequência de 900 fotografias de Juan Rodríguez ao longo de 15 minutos (3 imagens a cada 3 segundos). Complementavam as fotografias impressas com que a exposição abria e, tal como estas, não tinham legendas.

O último núcleo da Galeria Principal apresentava 60 peças de mobiliário desenhadas por Álvaro Siza (cadeiras, bancos, mesas, cómodas, candeeiros), complementadas com um serviço de chá e seis dezenas de desenhos, entre esboços de cadeiras e outras peças e desenhos técnicos de mobiliário e pormenores construtivos. Este olhar sobre os objetos de design, muitas vezes concebidos para projetos específicos, e sobre o desenho quase obsessivo dos mais pequenos pormenores (um dos desenhos técnicos incluídos representa o casquilho de uma lâmpada) indicava a importância da ideia de obra de arte total no trabalho do arquiteto. Ao lado, quatro vitrines reuniam uma amostra da abundante bibliografia dedicada ao arquiteto (60 livros e revistas, na sua maioria provenientes da biblioteca do próprio curador).

Um vídeo da mão do arquiteto, em grande escala, indicava o caminho para a escada (um frame é reproduzido no catálogo, p. 8), que conduzia à segunda parte da exposição, na Galeria de Exposições Temporárias, no átrio da Biblioteca de Arte, um piso abaixo. Aqui abordava-se o universo pessoal do arquiteto, sempre a partir do desenho: um pequeno auto-retrato, retratos de amigos e família, desenhos de viagem, nus, desenhos sobre papéis soltos e maços de tabaco. Nove obras de Maria Antónia Siza (1940-1973), mulher do arquiteto precocemente falecida. Outras obras assinalavam referências artísticas do seu universo pessoal (Pablo Picasso, Henri Matisse, Amadeo de Souza-Cardoso, escultura africana). Incursões de Álvaro Siza noutras áreas criativas incluíam uma escultura, um azulejo e dois livros desdobráveis. Frente a uma parede com grandes reproduções de desenhos das próprias mãos a desenhar alinhavam-se, em esguios suportes, 60 esboços para a cenografia da peça de ballet 4 Árias de Ópera (1996), concebida por Álvaro Siza para o Ballet Gulbenkian, a convite de Jorge Salavisa. Um vídeo da peça mostrava a cenografia em palco.

O catálogo, publicado em português e inglês, com design sóbrio de José Albergaria, contém uma nota introdutória do presidente do Conselho de Administração da Fundação Gulbenkian e dois textos introdutórios da autoria de Carlos Quintáns, já citados, acompanhados de vários desenhos de Álvaro Siza.

O grosso do catálogo, com mais de 400 páginas, é ocupado pelo atlas dos 90 conceitos. Para cada conceito são reproduzidas as nove folhas dos cadernos, também apresentadas nas mesas da exposição, textos ampliados sobre o conceito e os projetos escolhidos, bem como uma seleção mais alargada de desenhos. No caso dos projetos construídos, incluem-se fotografias de Juan Rodríguez (com exceção da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, e da Casa Beires, em Póvoa de Varzim, cujas fotografias são respetivamente creditadas a Chan e Renato Saboy e Luís Ferreira Alves).

Seguem-se sete pequenos textos de Álvaro Siza, o último dos quais, “Sobre a dificuldade de desenhar um móvel” (pp. 458–462), acompanhado por uma pequena seleção de esboços de mobiliário. As restantes páginas contêm nove textos de autores convidados, memórias, homenagens e apontamentos, bem como um poema dos arquitetos Solano Benítez, Carla Juaçaba, Inês Lobo, Diego Quirarte, Manuel Aires Mateus, Graça Correia Ragazzi, Maruša Zorec, Nuno Grande e Juan Domingo Santos. Por fim, 14 fotografias de Juan Rodríguez registam vistas da exposição

Foi ainda publicado um jornal da exposição, distribuído gratuitamente durante a mesma e disponibilizado online de 40 páginas, com textos em português e inglês, reproduz os textos de parede da exposição sobre Álvaro Siza e a sua obra, bem como os textos principais que acompanham os 30 conceitos.

A produção executiva da exposição foi assegurada pela equipa do Programa Cultura da Fundação Gulbenkian, com coordenação geral de Joana Gomes Cardoso e Miguel Magalhães. O projeto gráfico e o design do catálogo foram da responsabilidade de José Albergaria, designer açorense do estúdio Change is Good, sediado em Paris, que desde 2013 tem vindo a colaborar com a Fundação Gulbenkian, além de outras instituições culturais dentro e fora de França. Do trabalho anteriormente desenvolvido para a Fundação Gulbenkian destacam-se os projetos expositivos e gráficos das exposições «Les Universalistes. 50 Ans d'Architecture Portugaise» e «Calouste. Uma Vida, não uma exposição» (ambas de 2019), e «Tudo o que eu quero. Artistas Portuguesas de 1900 a 2020» (2021).

A exposição foi inaugurada a 17 de maio, com a presença, entre outros, da então ministra da Cultura, Dalila Rodrigues. Foram proferidos discursos por António Feijó e Carlos Quintáns. Álvaro Siza não pôde estar presente por motivos de saúde, mas deixou palavras para a ocasião, lidas pela sua neta Mariana Siza, nas quais sublinhou o papel da Fundação Gulbenkian na sua formação. Dois dias antes, a 15 de maio, houve uma pré-inauguração reservada para convidados da VIC Properties, promotora imobiliária mecenas da exposição.

Na programação paralela, para além de visitas guiadas e de uma visita com o curador no dia 17 de maio, realizaram-se uma oficina de urban sketching (19 de maio) e uma oficina de desenho dirigida a crianças, no Dia da Criança (1 de junho), ambas orientadas por Rita Cortez Pinto.

Uma mesa-redonda com o título «Pensar Siza Vieira» (4 jun. 2024, no Auditório 2) juntou cinco arquitetos (alguns autores incluídos no catálogo), todos nascidos na década de 1960, que analisaram a obra de Siza e a sua influência, perante um público de cerca de 20 pessoas. A conversa, moderada por Carlos Quintáns, foi organizada em duas sessões: uma que abordava o arquiteto a partir de “fora”, com Jan de Vylder, Juan-Domingo Santos e Maruša Korec; e outra a partir de “dentro”, com Nuno Grande e Paula Santos.

O programa foi completado com um ciclo de cinema, com obras de três realizadoras escolhidas pelo próprio Álvaro Siza. O ciclo iniciou-se com O Arquitecto e a Cidade Velha (2003), documentário da antropóloga e realizadora Catarina Alves Costa que acompanha Álvaro Siza durante o seu trabalho no projeto de recuperação da Cidade Velha, na Ilha de Santiago (Cabo Verde). A segunda sessão apresentou os quatro documentários da série Vizinhos (2016), da jornalista Cândida Pinto, incluídos na representação portuguesa da Bienal de Arquitetura de Veneza de 2016. Os documentários acompanham quatro projetos de habitação social criados por Álvaro Siza: o bairro da Bouça, no Porto, no pós-25 de Abril; o edifício «Bonjour Tristesse», em Berlim; o bairro de Schilderswijk, em Haia; e o bairro Campo di Marte, em Veneza, todos da década de 1980. O ciclo encerrou com o documentário A Dama de Chandor (1999), de Catarina Mourão, único que não abordava diretamente Álvaro Siza. O filme retrata a relação de Aida de Menezes Bragança com a sua casa senhorial do período colonial numa aldeia goesa.

A apresentação do livro A Monumentalidade Crítica de Álvaro Siza (Porto: Circo de Ideias, 2023), que teve lugar a 15 de março de 2024 no Auditório 3, não fazia parte do programa da exposição, apesar da proximidade temática. Editado por Paulo Tormenta Pinto e Ana Tostões, o livro resultou de um projeto de investigação académica. A apresentação incluía uma mesa-redonda e uma conferência de Maria Filomena Molder.

A Fundação Gulbenkian produziu um vídeo promocional e três teasers para publicação no site e redes sociais, nos quais Álvaro Siza fala sobre a sua primeira viagem a Paris, sobre a sua primeira viagem a Finlândia, em que conheceu Alvar Aalto e sobre a importância de distinguir entre olhar e ver.

A exposição foi largamente divulgada nos canais habituais, quer em Portugal, quer internacionalmente (docomomo Journal, Architecture Exhibitions Platform, Drawing Matters e ArtForum). Uma visita guiada para a comunicação social, a 16 de maio, motivou reportagens na televisão (nomeadamente nos telejornais da TVI, RTP e SIC, com declarações de Carlos Quintáns) e menções na rádio (Antena 1, Rádio Observador). Dos meios de comunicação social impressos e digitais destacam-se artigos no Observador (Joana Moreira), Time Out (Mauro Gonçalves), Público (Sérgio C. Andrade), Lusa (Lina Santos), Visão (Sílvia Souto Cunha) e Expresso (Ana Soromenho). Em língua espanhola, foi publicada uma entrevista com Carlos Quintáns sobre a exposição, por Pilar Gómez Rodríguez, no jornal digital El Confidencial, bem como uma vídeo-reportagem publicada pela agência noticiosa EFE. Il Giornale dell’Architettura publicou um artigo entusiasmado de Ilaria La Corte.

Quanto à receção crítica, Frederico Vicente publicou uma recensão algo dispersa na ArteCapital, enquanto o arquiteto Sergio Kopinski Ekerman partilhou as suas impressões da exposição (em inglês) no site da Drawing Matter, realçando a qualidade do trabalho curatorial e do desenho expositivo, mas assinalando a falta de maior atenção à dimensão construtiva dos projetos de Siza e à sua colaboração frequente com outros.

A exposição foi vista por 45.109 visitantes durante os quatro meses em que esteve aberta ao público.

A vida da exposição não se esgotou no encerramento em Lisboa. Uma seleção do material apresentado na exposição foi mostrada na XXII Semana Internacional de Arquitetura, organizada entre 3 e 13 de outubro de 2025 pelo Colégio Oficial de Arquitetos de Madrid (COAM). Esta edição do evento destacava a arquitetura portuguesa e, em particular, Álvaro Siza, a quem foi também dedicado um colóquio – «La obsesión del dibujo, la arquitectura de Álvaro Siza» – com conferências de Carmem Moreno, Nuno Grande, Juan Domingo Santos e Juan Miguel Hernández León, bem como um itinerário urbano. A exposição esteve patente até 9 de janeiro de 2026.

Carlos Quintáns foi responsável pela curadoria e pelo design expositivo, que incluía as pranchas com os trinta conceitos, embora nesta edição suspensas verticalmente, e José Albergaria assegurou o projeto gráfico. Esta itinerância foi noticiada por vários canais digitais portugueses (Observador, RTP, Espaço de Arquitetura, Design for Life, Notícias ao Minuto…), bem como por meios espanhóis, sobretudo ligados à arquitetura (RTVE, Tectónica, BigMat International Architecture Award, Enero…). A revista Architectural Digest España publicou um artigo particularmente completo sobre a exposição, incluindo uma entrevista com Carlos Quintáns e declarações de José Augusto Duarte, embaixador de Portugal em Espanha.

Parte da exposição foi também apresentada no Pavilhão de Portugal na Expo 2025, em Osaka, Japão, que decorreu de 13 de abril a 13 de outubro. De acordo com o Diário de Notícias, a exposição foi inaugurada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro.

Gerbert Verheij, 2025


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Sem título

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)

Sem título, Inv. 92DP1562

Sem título

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)

Sem título, Inv. 77DP368

Título desconhecido

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)

Título desconhecido, Inv. 92DP1574

S/ Título

Maria Antónia Siza (1940-1973)

S/ Título, s.d. / Inv. 18DP4445

S/ Título

Maria Antónia Siza (1940-1973)

S/ Título, s.d. / Inv. 18DP4447

S/ Título

Maria Antónia Siza (1940-1973)

S/ Título, s.d. / Inv. 18DP4448

S/ Título

Maria Antónia Siza (1940-1973)

S/ Título, s.d. / Inv. 18DP4451

S/ Título

Maria Antónia Siza (1940-1973)

S/ Título, s.d. / Inv. 18DP4452

S/ Título

Maria Antónia Siza (1940-1973)

S/ Título, s.d. / Inv. 18DP4469

S/ Título

Maria Antónia Siza (1940-1973)

S/ Título, s.d. / Inv. 18DP4467

S/ Título

Maria Antónia Siza (1940-1973)

S/ Título, anos 60 / Inv. 18DP4466

S/ Título

Maria Antónia Siza (1940-1973)

S/ Título, s.d. / Inv. 18DP4449


Eventos Paralelos

Ciclo de cinema

Siza

Mesa-redonda / Debate / Conversa

Pensar Siza Vieira

Visita(s) guiada(s)

Siza Vieira


Publicações

Siza
  • Jornal de exposição

Siza

mai 2024


Material Gráfico


Fotografias

Conversa «Pensar Siza Vieira».
Conversa «Pensar Siza Vieira».
Conversa «Pensar Siza Vieira».
Conversa «Pensar Siza Vieira». Carlos Quintáns, Jan De Vylder, Maruša Zorec, Juan Domingo Santos (da esq. para a dir.)
Conversa «Pensar Siza Vieira». Carlos Quintáns (ao fundo)
Conversa «Pensar Siza Vieira». Carlos Quintáns, Paula Santos e Nuno Grande (da esq. para a dir.)
Conversa «Pensar Siza Vieira». Nuno Grande e Paula Santos (da esq. para a dir.)
Conversa «Pensar Siza Vieira». Paula Santos
Conversa «Pensar Siza Vieira». Nuno Grande
Conversa «Pensar Siza Vieira». Carlos Quintáns, Jan De Vylder e Maruša Zorec (da esq. para a dir.)
Conversa «Pensar Siza Vieira». Jan De Vylder e Maruša Zorec
Conversa «Pensar Siza Vieira». António Feijó e Miguel Magalhães (ao centro, da esq. para a dir.)
Conversa «Pensar Siza Vieira». António Feijó e Miguel Magalhães (ao centro, da esq. para a dir.)
Conversa «Pensar Siza Vieira».
Conversa «Pensar Siza Vieira».
Carlos Quintáns
Carlos Quintáns (ao centro)
Dalila Rodrigues e Carlos Quintáns (à esq.) e António Feijó (ao centro)
Guilherme d´Oliveira Martins e António Feijó (da esq. para a dir.)
António Feijó (atrás) e Carlos Quintáns
António Feijó (atrás) e Carlos Quintáns
Carlos Quintáns
Guilherme d´Oliveira Martins e Dalila Rodrigues (ao centro, atrás)
Dalila Rodrigues (atrás)
Carlos Quintáns

Multimédia

Siza
  • Vídeo evento paralelo

Siza

16 mai 2024

  • Registo áudio

Siza

mai 2024

Siza
  • Vídeo promocional

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mai 2024

Siza
  • Vídeo promocional

Siza

mai 2024

Siza
  • Vídeo promocional

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mai 2024

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  • Vídeo promocional

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mai 2024

Siza
  • Vídeo promocional

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jun 2024

Siza
  • Vídeo promocional

Siza

mai 2024

Siza
  • Vídeo promocional

Siza

mai 2024

Siza
  • Vídeo promocional

Siza

mai 2024


Periódicos


Páginas Web


Fontes Arquivísticas

Arquivo Digital Gulbenkian, Lisboa

Conjunto de documentos referentes à exposição. Contém materiais gráficos, fotográficos, multimédia, pressbook, comunicados de imprensa, entre outros. 2024


Exposições Relacionadas

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