- Tela
- Óleo
- Inv. 83P980
António Carneiro
Aspecto de Rua
António Carneiro citava insistentemente Besnard, Carrière ou Meunier, nomes que apenas sobrevivem na memória dalguns eruditos. Eram, no entanto, artistas bastante celebrados em Paris por um género de pintura a que se chamou juste milieu, tendo encontrado um meio termo original entre o tradicionalismo das Academias e o radicalismo dos Impressionistas – e que a historiografia assim vem esquecendo, propensa a discutir a arte em função dos pólos opostos da tradição e modernidade.
Ninguém compreendeu melhor que Carneiro, em Portugal, as exigências dessa síntese no juste milieu, como demonstra esta imagem de rua, uma de muitas que pintou a óleo e aguarela, tanto no Porto como no Rio de Janeiro, ao longo da carreira. Combinando linguagens modernistas, num colorido mais abafado e na pincelada mais solta que esborrata os contornos, A. Carneiro nunca prescinde das exigências de desenho, composição e semelhança da tradição académica.
Escolhendo uma cena de propositada banalidade, tanto mais que a enquadra de modo quase aleatório, Carneiro trabalha com a máxima subjectividade, ao impor um “aspecto” fragmentado desta viela esconsa, sem ninguém, e com pouco mais do que a alminha popular incrustada na parede. Com efeito, a aparência literal da imagem pouco ou nada lhe importa, pois acima de tudo está o registo material das suas “impressões”, sobrepondo-se ao mistério da rua vazia que desconhecemos qual seja, porque – como diria Pessoa – se soubessem qual era, o que saberiam?
AR
Fevereiro de 2011
Tipo | Valor | Unidades | Parte |
Altura | 26,8 | cm | |
Largura | 23 | cm |
Tipo | assinatura |
Texto | AC |
Posição | c.i.d. |
Tipo | Aquisição |
Data | Julho de 1983 |
Tipo | Carimbo |
Texto | Col. Jorge de Brito |
Posição | c.i.d. |