Paula Rego

Angel (da série «O crime do Padre Amaro»)
1998
Em exposição

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Paula Rego (Lisboa, Portugal, 1935 – Londres, Reino Unido, 2022)
Título
Angel (da série «O crime do Padre Amaro»)
Título traduzido
Anjo
Data
1998
Materials and media
Papel; Alumínio; Pastel
Técnica
Pastel sobre papel montado sobre alumínio
Dimensões
Altura 180,00 cm; Largura 130,00 cm
N.º de inventário
21P1960

Incorporação

Tipo
Aquisição
Proveniência
Ostrich Arts Ltd
Intermediário
Helena de Freitas
Data
Dezembro de 2021

Texto

O «Anjo» é uma das obras mais icónicas de Paula Rego, revelando-se como uma síntese de toda a sua produção artística – a artista chegou a afirmar que esta seria a pintura que levaria quando partisse. Trata-se da figura de uma mulher poderosa, identificável como um «Anjo», vingador e piedoso, que segura nas mãos a espada e a esponja, símbolos da Paixão de Cristo ou da sua força castigadora. Não sendo explicitamente um autorretrato, é uma imagem forte que se identifica com o sentido interventivo do seu trabalho: entre a proteção e a vingança, o castigo e o perdão.
Esta obra integra uma série de trabalhos sobre o romance português «O Crime do Padre Amaro», de Eça de Queirós, e é exemplo do modo como a artista intervém ficcionalmente sobre a história. Este romance, de leitura proibida no tempo da sua turbulenta publicação em Portugal (1875), e que causou protestos da Igreja católica por tratar da polémica questão do celibato clerical e da morte consentida dos recém-nascidos ilegítimos, ofereceu à artista matéria ficcional privilegiada.
Paula Rego desenvolve um diálogo não ilustrativo com o romance recorrendo a todos os recursos plásticos da tradição pictórica pré-moderna para caracterizar os personagens, expô-los na fragilidade da sua conduta ética e moral e desenvolver uma leitura subversiva. Não se trata tanto a condenação dos atos, mas da acutilante e dolorosa revelação dos rituais de poder, submissão e cumplicidade entre os sexos e as classes. Desde logo na figura de Amaro, o padre fraco e pecador, ambíguo e maligno, sobre quem recai um conjunto de deslocações temporais e subtis desvios.

 

Helena de Freitas
Curadora do Centro de Arte Moderna

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