Amadeo de Souza-Cardoso

Título desconhecido (Estudo para "Expositions Mouvantes - Corporation Nouvelle")
c. 1915 (data atribuída)

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Amadeo de Souza-Cardoso (Manhufe, Portugal, 1887 – Espinho, Portugal, 1918)
Título
Título desconhecido (Estudo para "Expositions Mouvantes - Corporation Nouvelle")
Data
c. 1915
Materials and media
Papel; Grafite; Aguarela
Técnica
Grafite sobre papel
Dimensões
Altura 31,40 cm (papel); Largura 25,40 cm (papel)
N.º de inventário
77DP343

Incorporação

Tipo
Doação
Proveniência
Lucie de Souza Cardoso
Data
1977

Texto

Os eixos quebrados entrelaçados, os pontos cardeais (NORD SUD EST OEST) e a experimentação gráfica da palavra são características dos estudos para as exposições itinerantes da Corporation Nouvelle. Esta resultou numa rede arquitetada em Portugal, em 1915 e 1916, que seria coordenada por Robert e Sonia Delaunay, e contava com a colaboração de vários artistas portugueses, nomeadamente Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, Eduardo Viana, que vivia com os Delaunay em Vila do Conde, e José de Almada Negreiros, em Lisboa, integrando parte do círculo da revista Orpheu editada por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.* Previa-se igualmente a colaboração de Apollinaire, Blaise Cendrars e Vladimir Baranov-Rossiné.

Numa fase inicial, Amadeo de Souza-Cardoso empenhou-se muito nos materiais gráficos da corporação, depositando altas expectativas nas publicações e nos projetos de exposições itinerantes em Estocolmo e em Barcelona. Porém, à medida que as oportunidades expositivas coletivas eram frustradas e o ecletismo do coletivo era comprometido por uma estratégia de promoção mais focada no simultaneísmo dos Delaunay,[1] Amadeo, bastante pragmático e impaciente, acabou por se afastar da Corporation Nouvelle para se focar nas suas exposições individuais em Portugal no fim de 1916.  

Nos três estudos do artista para as «Expositions Mouvantes», os elementos comuns envolvem os eixos quebrados, os pontos cardeais e as inscrições «Corporation Nouvelle / Corporation Nouvelle», que assumem diferentes configurações. No entanto, há ligeiras diferenças. As pontes que surgem em Canção d’Açude, pintura-poema, figuram em dois estudos e é apagada no esboço que destaca Corporation Nouvelle no canto inferior esquerdo. Se assumirmos que este, onde a corporação surge em baixo, é o último estudo, houve um progressivo apagamento dessa nota local para sublinhar a ambição internacional do projeto simbolizada pelos quatro pontos cardeais. Também os eixos quebrados e entrelaçados, com grande impacto num estudo de fundo mais claro predominantemente amarelo, onde as letras ganham maior realce, acabam por perder protagonismo nesse esboço mais escuro.  

 

Marta Soares

[1] Ver Ana Vasconcelos (ed.), O Círculo Delaunay/The Delaunay Circle, Lisboa: CAM – Fundação Calouste Gulbenkian, 2015.

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