Paula Rego

Tilly in Kensington Gardens
não datado

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Paula Rego (Lisboa, Portugal, 1935 – Londres, Reino Unido, 2022)
Título
Tilly in Kensington Gardens
Data
não datado
Materials and media
Papel
Técnica
Água-forte sobre papel
Dimensões
Altura 50,20 cm; Largura 32,60 cm
N.º de inventário
GP2018

Inscrições

Tipo
Assinatura
Descrição
Paula Rego
Posição
Frente, canto inferior direito
Tipo
Número de série
Descrição
26/100
Posição
Frente, canto inferior esquerdo

Texto

Publicada pela Serpentine Gallery, em Londres, para coincidir com uma exposição da artista nessa instituição, a presente gravura situa a sua narrativa no espaço onde se localiza a referida galeria: Kensington Gardens.

O seu mote terá sido uma fotografia em que uma amiga e colega de Paula Rego na Slade, Natalie Dower, trepava a uma árvore em Kensington Gardens. “E ela estava a brincar em Kensington Gardens. Ao lado dela está a Lúcia, de Portugal. E depois há por ali uma série de harpias. Harpias em Kensington Gardens”, diz-nos a artista.*

Parece tratar-se de uma cena nocturna, iluminada a partir do lado esquerdo da composição. A luz que invade o espaço ilumina as personagens que a habitam e projecta as suas sombras alongadas.

Não obstante o estatismo de duas das personagens centrais — a rapariga em primeiro plano, rodada a três quartos e com o olhar fito no foco de luz situado para além do alcance do nosso olhar, e a mulher idosa, fitando frontalmente o espectador com uma expressão simultaneamente amistosa e assustadora —, o ambiente geral é de movimento e acção. A terceira personagem do grupo central agacha-se sobre um ramo — como uma bruxa na sua vassoura —, afiando ou cortando com uma faca um ramo de uma árvore. Em torno da árvore em segundo plano, rodopiam raparigas aflitas pelo ataque de harpias que se prendem aos seus cabelos. A sensação é de angústia e o ambiente soturno.

Porém, a estranheza específica desta gravura advém destes contrastes inusitados. Como podem as três personagens femininas do grupo central em primeiro plano, bem como a harpia que nos fita pousada num ramo da árvore, manter a sua aparente calma perante a aflição que as rodeia?

É esta ambiguidade que nos prende, que cria a estranheza soturna da narrativa e que parece obrigar as nossas capacidades de interpretação, hipnoticamente, a entrar no círculo que estrutura a composição.

 

* Depoimento de Paula Rego citado em T. G. Rosenthal, Paula Rego. Obra Gráfica Completa, Vol. 3, Lisboa, Cavalo de Ferro/Jornal de Letras/Visão, 2003, p. 22

 

Luísa Cardoso

Julho 2014

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