Paula Rego

Sem título n.º 2
1999

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Paula Rego (Lisboa, Portugal, 1935 – Londres, Reino Unido, 2022)
Título
Sem título n.º 2
Título traduzido
Untitled no. 2
Data
1999
Materials and media
Papel
Técnica
Água-forte sobre papel
Dimensões
Altura 37,50 cm; Largura 48,10 cm
N.º de inventário
GP1810

Inscrições

Tipo
Assinatura
Descrição
Paula Rego
Posição
Frente, canto inferior direito
Tipo
Número de série
Descrição
1/17
Posição
Frente, canto inferior direito

Incorporação

Tipo
Doação
Proveniência
Paula Rego (Lisboa, Portugal, 1935 – Londres, Inglaterra, 2022)
Intermediário
CAM/FCG
Data
Setembro de 1999

Texto

Tal como nas gravuras Sem Título nº 3 e Sem Título nº 4, observamos um esquema compositivo predominantemente horizontal. Uma estrutura, que poderá ser uma cama, uma mesa ou uma maca, coberta com um lençol, serve de apoio a uma mulher sobre ela deitada, com as pernas afastadas, sustendo as coxas com as mãos, soerguendo a cabeça e voltando-a para o espectador.

Se comparada com as gravuras mencionadas, observamos como as opções de representação do espaço têm uma clara correspondência com as diversas expressões destas três mulheres (ou com os diferentes momentos de expressão que a mesma atravessa ao longo de um processo). Ao olhar absorto da mulher da gravura Sem Título nº 4, corresponde um fundo “vazio” e plano; à contracção de dor da mulher da gravura Sem Título nº 3, corresponde um fundo a traços convulsos; ao olhar desafiante, tenso e de enfrentamento da mulher da presente gravura, corresponde um fundo escuro, carregado e denso, traduzindo a sua robustez e inteireza.

Embora as expressões e momentos retratados ao longo da série sejam diversificados — dor, alheamento, tensão —, Paula Rego nunca expõe a fragilidade inerente, isto é, nunca permite que a fragilidade do momento as transforme em vítimas. São, sem excepção, mulheres fortes, que enfrentam uma consequência, mas com toda a dignidade.

Esta parece ser a única gravura da série em que a mulher olha mais directamente o espectador. E, ao fazê-lo, assumindo o controlo que uma decisão, recorda-nos as palavras da autora: “vemos que ela está a ser humilhada, mas que mesmo assim está triunfante, completamente triunfante. Portanto, estas não são imagens de vítimas.”*

Esta gravura parte de um pastel (Tríptico, 1998), mas apresenta um enquadramento mais cerrado. Afirma a autora que, enquanto o realizava, se apercebeu que aquelas raparigas pareciam “naturezas-mortas”: “Quando estava a fazer o primeiro tríptico, em que a rapariga está deitada em cima da mesa, olhei para aquilo e, de repente, pensei, ‘Meu Deus! Parece uma natureza-morta. Se ela não fosse uma rapariga, podia bem ser umas garrafas, ou qualquer coisa do género’”.** É a reivindicação dessa humanidade, sem sentimentalismos, que Paula Rego nos oferece.

 

* Entrevista de Paula Rego in T.G Rosenthal, Paula Rego. Obra Gráfica Completa, Vol. 1, Lisboa, Cavalo de Ferro/Jornal de Letras/Visão, 2005, p. 96

** Idem, p. 96

 

Luísa Cardoso

Julho 2014

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