Eduardo Batarda

No chão que nem uma seta
1975

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Eduardo Batarda (Coimbra, Portugal, 1943 – Lisboa, Portugal, 2025)
Título
No chão que nem uma seta
Título traduzido
On the floor like an arrow
Data
1975
Materials and media
Papel; Aguarela; Tinta da China
Técnica
Aguarela sobre papel
Dimensões
Altura 78,70 cm; Largura 58,50 cm
N.º de inventário
DP1340

Inscrições

Tipo
Assinatura
Descrição
Eduardo Batarda
Posição
Frente, canto inferior esquerdo
Tipo
Título
Descrição
NO CHÃO QUE NEM UMA SETA
Posição
Verso, canto inferior direito
Tipo
Data
Descrição
1975
Posição
Frente, canto inferior esquerdo
Tipo
Assinatura
Descrição
Eduardo Batarda
Posição
Verso, canto inferior direito
Tipo
Data
Descrição
1974
Posição
Verso, canto inferior direito

Incorporação

Tipo
Aquisição
Proveniência
Eduardo Batarda (1943-2025)
Intermediário
Serviço de Belas-Artes
Data
Dezembro de 1975

Texto

Nesta aguarela, adquirida após a exposição de bolseiro de Eduardo Batarda em 1975, o desenho de elevado apuro técnico é, como em Ao Exp. Abs. 1 e 2, reminiscente da cartografia, mas aqui os elementos aglomerados desenham um V sobre fundo cinzento escuro, emergindo do vértice um traçado claro descontínuo, que, embora irregular, remete para a ideia de estrada, ao mesmo tempo que permite ver a figuração de uma seta em sentido vertical descendente. Última pintura antes de um interregno de três anos sem pintar, a intenção original era chamá-la Chevron, palavra que aparece em duas das inscrições. Ao retomar as aguarelas em 1978, Batarda fará duas pinturas irmãs desta, já com Chevron no título. «Chevron» é não só o nome de uma das mais antigas companhias de petróleo americanas, mas também a palavra usada em inglês para a insígnia militar com a forma em V, que costuma surgir nas mangas dos uniformes indicando o tempo de serviço e a patente.

As inscrições integradas na pintura, por entre instruções de observação (chamando sarcasticamente os observadores a lerem as letras pequenas para se aproximarem da obra), comentários auto-depreciativos, gíria forte e indicação de períodos cronológicos, parecem mostrar que esta leitura cartográfica contém um panorama da história de arte (e da pintura do próprio Batarda) que está em movimento descendente, que depressivamente se afunda ou se enterra — que morre —, e que só subsistirá enquanto comentário arqueológico de si mesma.

 

MPS

Maio de 2010

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