Manuel Botelho

101.rç-cmb (da série confidencial/desclassificado: ração de combate)
2007 – 2008

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Manuel Botelho (Lisboa, Portugal, 1950)
Título
101.rç-cmb (da série confidencial/desclassificado: ração de combate)
Data
2007 – 2008
Materials and media
Papel fotográfico
Técnica
Impressão a jato de tinta sobre papel
Dimensões
Altura 71,50 cm; Largura 108,00 cm
N.º de inventário
FP557

Inscrições

Tipo
Assinatura
Descrição
Manuel Botelho
Posição
Verso, margem direita
Tipo
Título
Descrição
101.rç-cmb
Posição
Verso, margem direita
Tipo
Data
Descrição
2007-2008
Posição
Verso, margem direita
Tipo
Número de série
Descrição
exemplar 1/3
Posição
Verso, margem direita

Incorporação

Tipo
Doação
Proveniência
Manuel Botelho
Data
Dezembro de 2009

Texto

Suspendendo trinta anos de desenho e pintura, em 2006 Botelho preferiu a fotografia para retomar um tema central na sua obra, a guerra colonial – «há coisas que são "pintáveis"», explicou, «outras não» (1). Dois anos depois, inaugura três exposições sob o título Confidencial / Desclassificado. Para Inventário, recolheu imagens do armamento usado no conflito; em Emboscada, auto-representou-se em diferentes poses; e por fim, um conjunto mais alegórico, Ração de Combate, que inclui as duas fotografias da colecção CAM.

A fotografia prolonga a prática pictórica de Botelho: o apelo da figuração, a tensão entre os elementos, o foco, a proporção e um espaço finito, arrumado em função dos limites impostos pelo enquadramento. Tal encenação fotográfica vive das tradições e convenções da pintura ocidental, em tableaux vivants que relembram vagamente o trabalho de Jeff Wall, de quem Botelho se considera mais próximo do que de qualquer pintor contemporâneo (2). A recente conversão ao acto fotográfico fez disparar os terrores pessoais do artista – e um imaginário violento de crianças armadas e políticos corruptos que se vinha anunciando nas suas obras -, através da linguagem metálica e exacta que a pintura desconhece, numa série de detalhes ficcionados aludindo à vivência psicológica da guerra.

Álcool, dinheiro, facas, cigarros, sexo (lascivamente sugerido pelo dedo enfiado na garrafa, velho trocadilho da pintura de género) ou o jogo. Ao contrário das naturezas-mortas de outros tempos, onde flores e alimentos eram imobilizados pela pintura no ponto máximo de prosperidade e vitalidade, tudo murchou e foi consumido neste cenário de trauma, cujo bricabraque de beatas, armas letais, cerveja morta, cartas gastas e dinheiro obsoleto, afastam a promessa de vida.

(1) Manuel Botelho, S. Pedro do Estoril, 2008/2009. Disponível em www.manuelbotelho.com

(2) Cf. Carta a António Matos, 21 de Dezembro de 2002.

 

AR

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