Lourdes Castro (1930-2022)

Lourdes Castro faleceu no passado sábado, dia 8 de janeiro, deixando um incontornável legado na história da arte portuguesa.
Vista da exposição «Lourdes Castro. Todos os livros». Fundação Calouste Gulbenkian, 2015. Foto: Carlos Azevedo

Lourdes de Castro nasceu a 9 de dezembro de 1930 no Funchal, na ilha da Madeira, local que estaria sempre ligado ao seu trabalho e onde viveu os últimos anos da sua vida. Em 1956, transferiu-se para Lisboa, onde frequentou o curso especial de pintura na Escola de Belas-Artes e onde conheceu o futuro marido, e também artista, René Bertholo. Depois de uma passagem por Munique, o casal mudou-se para Paris, onde viveu durante 25 anos.

 

Lourdes Castro, «Crescem à Sombra», 1991. Inv. TP27

 

Entre 1957 e em 1958, a artista foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian – esta bolsa contribuiu para o desenvolvimento do projeto KWY, uma revista com 12 números, em torno da qual se formou um coletivo de artistas com o mesmo nome, que incluía Lourdes Castro, René Bertholo, Jan Voss, Christo Javacheff, Costa Pinheiro, Gonçalo Duarte, José Escada e João Vieira.

 

Vista da exposição «Lourdes Castro, Além da Sombra». Fundação Calouste Gulbenkian, 1992. Foto: Reinaldo Viegas

 

Na década de 1960, Lourdes Castro descobriu o seu tema de eleição, que acompanhou o seu percurso artístico – a sombra. Explorando diversas técnicas e experimentando com materiais pouco convencionais, como o plexiglas ou lençóis de linho, a artista desenvolveu várias obras em torno desta temática, muitas das quais fazem hoje parte da Coleção do CAM, na qual se encontra amplamente representada com 24 obras.

 

Vista da exposição «Lourdes Castro. O Grande Herbário de Sombras». CAM, 2002.
Vista da exposição «Lourdes Castro. O Grande Herbário de Sombras». CAM, 2002.

 

A sua obra foi objeto de inúmeras exposições individuais e de grupo apresentadas na Fundação: em 1992, o CAM realizou uma grande retrospetiva, intitulada Além da Sombra. Seguiram-se outras mostras como Grande Herbário de Sombras, apresentada no CAM em 2002 e na Delegação Gulbenkian em Paris em 2009, com curadoria de Helena de Freitas.

 

Vista da exposição «Lourdes Castro. Todos os livros». Fundação Calouste Gulbenkian, 2015. Foto: Paulo Costa
Vista da exposição «Lourdes Castro. Todos os livros». Fundação Calouste Gulbenkian, 2015. Foto: Paulo Costa

 

Em 2015, realizou-se a exposição Todos os livros, com a curadoria de Paulo Pires do Vale, onde foram mostrados os livros de artista, uma dimensão menos visível do seu trabalho, mas igualmente importante. Em 2019, realizou-se a primeira grande retrospetiva da sua obra no sul de França, no Musée de Sérignan, com o apoio da Delegação Gulbenkian em Paris. Já em 2021, uma importante parte da sua obra foi apresentada na exposição Tudo o que eu quero – Artistas portuguesas de 1900 a 2020.

Em 2020, no dia em que completou 90 anos, a artista foi distinguida com a Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo Ministério da Cultura.

Atualização em 11 janeiro 2022

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