Memória e Ancestralidade I

Black Gaze – Mostra de Cinema Negro em Portugal

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Nesta sessão, mergulhamos com o cineasta Silas Tiny na memória coletiva de uma parte fundamental da história de São Tomé e Príncipe e os seus fantasmas: a participação do país na guerra civil nigeriana.

Os filmes que emergem deste Black Gaze [Olhar Negro] são, com frequência, gestos de (re)visitação da história com «outros olhos», tentativas de inscrever aspetos velados do passado nas narrativas dominantes. O Black Gaze preenche lacunas nas memórias oficiais da vida e da História, enriquecendo o léxico artístico, social e político e, portanto, funcionando como um dispositivo de reparação histórica.

Constelações do Equador (2020) convoca a memória de 1967, quando a guerra de secessão do Biafra e a fome que dela irrompeu ceifaram centenas de milhares de vidas. Meio século depois, o filme perscruta vestígios desses acontecimentos através da voz de sobreviventes e da recordação da ponte aérea que então uniu a Nigéria às ilhas de São Tomé e Príncipe.

A vaga de refugiados, a sobrevivência precária de mulheres e crianças arrancadas às zonas de conflito, o acesso vedado aos espaços de acolhimento, o silêncio da administração colonial, a repressão da ditadura portuguesa e a vida num arquipélago ainda marcado por séculos de escravatura e de trabalho forçado compõem a tessitura deste relato. Silas Tiny entrelaça observação, testemunhos e imagens de arquivo soterrados para reconstituir a memória da guerra civil desencadeada a 30 de maio de 1967, na sequência da declaração unilateral de independência do Biafra. 


Biografias


Programa

«Constelações do Equador», de Silas Tiny

São Tomé e Príncipe, Portugal, 2020, 107’DocumentárioEm português, inglês e igbo, com legendas em português e inglês.M/16
30 Maio de 1967. O tenente-coronel Odumegwu Ojukwu declara unilateralmente a independência do estado do Biafra do restante território da Nigéria. O governo federal presidido por Yakubu Gowon comanda uma ofensiva militar para recuperar a região. As hostilidades entre as duas partes irão dar inicio a uma guerra civil, o primeiro conflito pós colonial de larga escala em África. São Tomé e Príncipe, na época uma colónia portuguesa, marcada durante séculos pela escravatura e trabalho forçado, encontra-se próxima da região do Biafra por via aérea. A sua posição geográfica será determinante no estabelecimento da primeira ponte aérea de ajuda humanitária de iniciativa civil, responsável pelo resgate de milhares de crianças da morte certa. Através de imagens de arquivo, paisagens e testemunhos contemporâneos de quem esteve envolvido, Constelações do Equador segue os destroços materiais e imateriais que permanecem em São Tomé.
Duração: 107 min.

Ficha técnica

Realização e montagem

Silas Tiny 

Com

Comandante Ferro 

Direção de fotografia

João Vagos 

Som direto

João Sales Moreira 

Montagem de som

Luís Zhang 

Mistura

Mário Dias  

Música

Luís Fernandes
Hugo Vasco Reis 

Entrevistas  

Artur Alves Pereira  
Evarisa Ani  
Fernanda Triste Paquete  
Filinto Costa Alegre  
Gil Pinto de Sousa  
Maria Antónia Quaresma  
Lázaro Afonso 

Voz-off

Billy Woodberry 

Poemas

Chinua Achebe 

Coprodutor

Gerson Soares 

Produtores

Rui Alexandre Santos
Teresa de Jesus Gusmão 

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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