Exílio e expatriação no Reino Unido pós-1945

Arte Britânica – Ponto de Fuga

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Esta série de conversas em torno da exposição «Arte Britânica – Ponto de Fuga» reflete sobre os contactos resultantes dos movimentos de artistas e agentes culturais entre Portugal e o Reino Unido.

Na primeira sessão deste ciclo, o investigador Pedro Aires Oliveira e a socióloga Henda Ducados irão discutir temas e acontecimentos relacionados com o exílio e expatriação no Reino Unido após a Segunda Guerra Mundial.

Aires Oliveira falará das profundas e rápidas transformações na paisagem cultural do Reino Unido, operadas pelo novo cosmopolitismo e dinamismo económico do pós-guerra, resultante de fluxos de imigrantes das antigas colónias britânicas nas Caraíbas, África e Ásia.

Focando as décadas de 1950 a 1970, a conversa irá incidir sobre o exílio e expatriação de origem portuguesa, assim como as suas redes de socialização e iniciativas, tanto no plano político como no cultural.

Destacando o percurso cultural de Mário Pinto de Andrade, seu pai, Henda Ducados descreve o processo de tomada de consciência coletiva da geração Cabral iniciado em meados dos anos 50 em Lisboa.

A apresentação de Ducados incidirá na intervenção feita em Londres em 1960 por Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade, na Câmara de Comuns, que permitiu lançar a Portugal um desafio perante a opinião internacional, consequente da sua não conformidade com as resoluções das Nações Unidas sobre a independência das antigas colónias portuguesas. 

Esta conversa decorre em português, com tradução simultânea para inglês e interpretação em Língua Gestual Portuguesa.


Oradores


Programa

18:00 / Introdução

Ana Vasconcelos – Curadora

18:05 / As possibilidades do cosmopolitismo: exílio e expatriação no Reino Unido pós-1945, por Pedro Aires Oliveira

Nas décadas que se seguiram ao fim da II Guerra Mundial, a sociedade britânica passou por enormes transformações. Entre 1945 e 1951, o governo trabalhista de Clement Attlee levaria por diante a edificação do chamado «Estado de bem-estar» (welfare state). Nos anos seguintes, o país acederia a novos padrões de prosperidade e consumo, aprovaria legislação mais sintonizada com as aspirações de liberdade individual, e daria passos assinaláveis com vista à liquidação do seu vasto império ultramarino.
Este último desenvolvimento significou também a chegada de novos fluxos de imigrantes das antigas colónias nas Caraíbas, África e Ásia, que em poucas décadas mudariam por completo a paisagem cultural do Reino Unido. Focando as décadas de 1950 a 1970, daremos particular atenção aos expatriados e exilados de origem portuguesa, aos seus interlocutores locais, assim como às suas redes de socialização e iniciativas, tanto no plano político como no cultural.

18:25 / Em torno de Mário Pinto de Andrade, por Henda Ducados

Com o propósito de destacar o percurso cultural de Mário Pinto de Andrade, a intervenção descreve o processo de tomada de consciência coletiva da geração Cabral iniciado em meados dos anos 50 em Lisboa. Identificaremos as denúncias feitas contra o poder colonial nas conferências e organizações de solidariedade a nível internacional. Destacaremos ainda a intervenção feita em Londres em 1960 por Amílcar Cabral e Mário Pinto de Andrade, na Câmara de Comuns, que permitiu lançar a Portugal um desafio perante a opinião internacional, consequente da sua não conformidade com as resoluções das Nações Unidas sobre a independência das antigas colónias portuguesas.

18:45 / Conversa

Pedro Aires Oliveira – Investigador Henda Ducados – Socióloga

19:15 / Perguntas e respostas

19:30 / Encerramento

Duração: 90 min.

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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