Comi a Civilização e Fui Envenenado

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Comi a Civilização e Fui Envenenado (I Ate Civilization and It Poisoned Me) é uma exploração introspetiva e coletiva da marca humana na paisagem ao longo do tempo, e de como o ambiente, por sua vez, nos influencia de volta.

No mundo globalizado e interligado de hoje, habitamos um cenário em constante mudança envolto em contradições: polarizado, mas colaborativo, altamente tecnológico e materialista, mas cada vez mais sensível a uma compreensão holística dos ecossistemas. Este contexto de rápida transformação, pautado por tensões e conflitos, está a redefinir as nossas noções de tempo e de espaço. E neste fluxo, emergem múltiplas narrativas nas quais ecoam vozes que justapõem memórias construídas com experiências vividas. Estas dinâmicas desafiam as nossas perceções e visões do mundo, convidando-nos a imaginar futuros alternativos e a expandir a nossa consciência sobre diferentes perspetivas e formas de viver coletivamente.

Esta exposição, inscrita no âmbito do protocolo de parceria entre a rede internacional de formação académica The Lisbon Consortium e o CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian, foi organizada com a curadoria dos alunos do Mestrado em Estudos de Cultura (seminário de Práticas Curatoriais) para a Galeria da Fundação Amélia de Mello, da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

Reunindo 13 obras da Coleção do CAM, a exposição oferece uma reflexão sobre a relação em constante evolução entre a Natureza e os seres humanos, passando pelo passado, presente e futuro. Apresentando artistas de diferentes contextos geográficos e temporais, esta exposição tece narrativas que evocam o nosso diálogo permanente com o mundo natural. As obras expostas situam-se ao longo de um espectro de ideias interligadas: coevolução e coexistência (entre o ambiente, os humanos e a tecnologia); memória e fragmentação (de espaços, lugares e paisagens); fragilidade (de memórias, heranças, do tempo e da relação dos humanos com a Natureza); e ainda transformação e renovação (de processos naturais, humanos e emocionais). 

As ideias de coevolução e coexistência surgem na instalação We Came in Peace for all Mankind (2001), de Carlos Roque, e em Brave New World (2014), de João Louro. Interagindo com topografias intergeracionais e temporais, os artistas referem-se aos triunfos tecnológicos da humanidade, adotando um tom irónico.

Por sua vez, a relação entre memória e fragmentação inscreve-se nas obras de Cecília Costa e Jorge Queiroz, que exploram relações desarticuladas entre tempo e espaço, imaterial e material. De forma semelhante, Mónica de Miranda e Kiluanji Kia Henda trabalham com conceitos de liminaridade e de vestígios, confrontando-nos com locais de destruição e de abandono, enquanto apontam para desejos de regeneração e de reconexão com o nosso ambiente natural. 

Maria Capelo, Hugo Canoilas e Carlos Bunga também exploram estas ideias, com trabalhos que esbatem as fronteiras entre memória e imaginação. Refletindo noções de fragmentação, a obra em couro Heráldica (2000), de Ana Jotta, e Fragmentos Arqueológicos de um Corpo Virgem I (1979), de Clara Menéres, invocam fragilidade, explorando tensões entre permanência e efemeridade, relíquias de tempos antigos e genealogias de poder. 

A noção de transformação aparece ao longo da simulação gamificada do mundo natural de Sara Sadik, enquanto reflete sobre a interligação entre as mudanças nas nossas paisagens internas e externas. Este conceito ressoa igualmente na fusão poética de materiais orgânicos e sintéticos de Sara Bichão, cuja prática é guiada por caminhos emocionais catárticos. 

À medida que percorremos estas múltiplas sensibilidades e subjetividades, somos convidados, não somente a observar, mas também a envolvermo-nos neste espaço de reflexão e possibilidade: a questionar o que foi, a imaginar o que poderá ser e a reconhecer o delicado equilíbrio que define a nossa existência partilhada. 


Ficha técnica

Imagem principal

Mónica de Miranda, Twins e Plateau (da série Cinema Karl Marx), 2017. Coleção do CAM © Mónica de Miranda

Artistas Selecionados

Ana Jotta, Carlos Bunga, Carlos Roque, Cecília Costa, Clara Menéres, Hugo Canoilas, João Louro, Jorge Queiroz, Kiluanji Kia Henda, Maria Capelo, Mónica de Miranda, Sara Bichão e Sara Sadik.

Curadoria

Alunos do Mestrado em Estudos de Cultura (Turma 2024/2025): Csenge Bognár, Camilla Calamai, Carlotta Ceraudo, Elsa Damas, Marie Fassbender, Gaete Ganay, Triniti Goldsmith, Daniel Guedes, Colombe Lecoq-Vallon, Leonor Lisboa, Suzanne Marivoet, Mohamed Nejib Mokaddem, Giulia Paglia, Olga Rogova, César Sarno, Caroline Skäringer, Antonina Stanczuk-Sturgólewska, Elena Suppes, Sofia Talami, Mirian Vanda, Radina Velcheva, Lorena Vest e Anna Zörner.

Coordenação

Luísa Santos

Design de Exposição

Anna Zörner
Camilla Calamai
Marie Fassbender
Mirian Vanda
Radina Velcheva

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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