Artistas portugueses em Londres no pós-guerra​ 

Arte Britânica – Ponto de Fuga

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Propomos uma série de encontros em torno da exposição «Arte Britânica – Ponto de Fuga», promovendo conversas sobre os contactos resultantes dos movimentos de artistas e agentes culturais entre Portugal e o Reino Unido.  

Esta conversa, com Catarina Alfaro e Leonor de Oliveira, centra-se no encontro de artistas de nacionalidade portuguesa com a arte britânica nos anos 1950 e 1960 e nas relações criativas que estabeleceram com o panorama artístico londrino desde esse período.

O apelo de Londres após o final da II Guerra Mundial relacionava-se com a descoberta de um novo contexto e referências artísticas que vinham já ganhando visibilidade internacionalmente.

Nesta cidade, artistas de nacionalidade portuguesa desenvolveram as suas pesquisas no campo da figuração, explorando novos materiais, novas metodologias de trabalho e uma nova abordagem crítica da realidade que conjugava os mitos do passado português e os traumas do presente, marcado pela ditadura e, nos anos de 1960, também pela guerra colonial.

A conversa aborda os percursos de Bartolomeu Cid dos Santos (gravura), João Cutileiro e Jorge Vieira (escultura), e incidirá mais detalhadamente na experiência particular de Paula Rego, que teve uma ligação mais prolongada com Inglaterra, para onde emigrou com 16 anos de idade.

Foi na capital britânica que Paula Rego se formou em pintura, estabeleceu um círculo de relações artísticas e que encontrou também novas referências para o seu trabalho. As exposições organizadas na Casa das Histórias Paula Rego com artistas britânicos (My Choice e Coleção de Arte Britânica do CAM) apontam para essa proximidade duradoura não só com o meio londrino contemporâneo, mas também com o passado artístico britânico, o que revela as escolhas ecléticas e sempre orientadas para um programa criativo pessoal da artista portuguesa.  

Esta conversa decorre em português, com tradução simultânea para inglês e interpretação em Língua Gestual Portuguesa.


Biografias


Programa

18:00 / Introdução

Ana Vasconcelos – Curadora

18:05 / Artistas portugueses em Londres nos anos 1950 e 1960

Leonor Oliveira – Curadora e investigadora
Partindo da investigação para o livro «Portuguese Artists in London» (Routledge, 2020) serão abordados nesta apresentação o percurso e as experiências dos primeiros artistas portugueses que emigraram para Londres após a II Guerra Mundial.
Bartolomeu Cid dos Santos, João Cutileiro, Jorge Vieira e Paula Rego foram de facto os primeiros que, rejeitando os métodos de ensino da Escola de Belas-Artes de Lisboa e procurando uma alternativa a Paris, iniciaram uma nova rota artística que seria seguida por cada vez mais artistas portugueses ao longo das décadas seguintes, muitos deles apoiados pelas bolsas da Fundação Calouste Gulbenkian.
Relativamente à trajetória da maioria destes artistas, destaca-se o percurso de Paula Rego, que não frequentou o ensino artístico em Portugal. A sua formação e muitas das suas referências artísticas e culturais estão intimamente ligadas à sua experiência em Londres, para onde se mudou ainda adolescente.
No entanto, Paula Rego e os artistas mencionados aproximam-se no experimentalismo no campo da figuração, na configuração de uma visão crítica sobre a ditadura e o colonialismo em Portugal e na desconstrução das narrativas históricas, cristalizadas pelo Estado Novo, que a vivência em Londres ajudou a dar forma.

18:25 / A arte britânica nas exposições da Casa das Histórias Paula Rego

Catarina Alfaro – Historiadora de arte e curadora
A Casa das Histórias Paula Rego/Fundação D. Luís I tem vindo a apresentar ciclos de programação de exposições temporárias diversificados, gerindo a presença de obras de outros artistas no museu que é dedicado à obra de Paula Rego. A partir dessa programação propõe-se uma abordagem da visão abrangente e disseminadora que Paula Rego tinha sobre a arte britânica.
Na exposição «My Choice», apresentada em fevereiro de 2011 no seu museu, a artista selecionou, a partir da coleção do British Council, obras de artistas associados à Escola de Londres, como Michael Andrews, Frank Auerbach, David Bomberg, Lucian Freud, R. B. Kitaj, Leon Kossoff, Walter Richard Sickert, Stanley Spencer e Victor Willling.
Com evidentes cumplicidades geracionais, incluiu também obras de David Hockney, Patrick Caulfield, Graham Sutherland e Tony Bevan. Mas as suas escolhas recuaram e avançaram no tempo, não se prendendo tão-pouco a critérios disciplinares.
Será ainda tema desta conversa a exposição Coleção de Arte Britânica do CAM, apresentada na Casa das Histórias Paula Rego, entre Outubro de 2021 e Janeiro de 2022.

18:45 / Conversa

Catarina Alfaro – Historiadora de arte e curadoraLeonor Oliveira – Curadora e investigadora

19:15 / Perguntas e respostas

19:30 / Encerramento

Duração: 90 min.

Ficha técnica

Imagem principal

Exposição Coleção de Arte Britânica do CAM, apresentada na Casa das Histórias Paula Rego, entre Outubro de 2021 e Janeiro de 2022. © Luísa Ferreira

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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