Projeto de Renovação do Jardim Gulbenkian 2000-2014
Perante a necessidade de instalação de um novo sistema de rega, o Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian decidiu iniciar, em novembro de 1999, uma 3ª campanha de intervenções de recuperação do Jardim.
Em março de 2000, Gonçalo Ribeiro Telles inicia o estudo para a Renovação do Parque Calouste de Gulbenkian. Esta nova campanha, para além de responder à implantação de um novo sistema de rega, procurava:
Outras ações de conservação e manutenção já haviam ocorrido anteriormente. Verifica-se que, embora razões distintas em tempos diferentes tenham levado à decisão de intervir no Jardim, há uma linha de continuidade nessas ações uma vez que:
Princípios da Intervenção
O Jardim idealizado por António Facco Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles, em 1961, tinha ganho maturidade, tinha percorrido o seu percurso natural e cultural próprios. Tinha-se, em certa medida, configurado e construído a si próprio a partir da aliança entre a ordem natural e cultural que configuram qualquer jardim. O Jardim apresentava-se com:
Ribeiro Telles assume essa maturidade como potencialidade como oportunidade para reforçar os princípios anunciados em 1961 e recriar novos espaços a partir das espacialidades que o tempo e os sistemas naturais haviam criado ao longo de 40 anos.
“Na Idealização do Jardim procurou-se que, a forma dos bosques e clareiras, a presença da água, o contraste da luz e da sombra, respondessem ao apelo duma cultura mediterrânica e à essência das nossas paisagens. Apelo que se mantém no projecto de recuperação e reabilitação em curso.”
A 15 de março de 2001, uma equipa de jovens arquitetos paisagistas, liderada por Gonçalo Ribeiro Telles, apresenta os princípios e a metodologia que irão guiar a intervenção de recuperação do Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian.
Para além das contingências conjunturais que determinaram a necessidade de intervir no Jardim, Ribeiro Telles assenta a sua intervenção no conceito de jardim enquanto:
Metodologia
Numa primeira fase a equipa considerou desenvolver o projeto sucessivamente em unidades homogéneas. No decorrer do processo altera este método de trabalho. Propõe que o processo se desenvolva em 5 fases sucessivas e em simultaneidade em 4 unidades operativas que se constituem como unidades significativas do Jardim. Uma análise à definição destas 4 unidades operativas (mais tarde passariam a 5 unidades) revela uma proximidade com as definidas em 1961 para desenvolvimento do projeto.
Documentos desta fase
[i] Gonçalo RIBEIRO TELLES , “Gulbenkian Recuperação e recriação do Parque” in Revista Jardins, n.º3, Dezembro de 2002.