Chillida, Balerdi, Larrea

Exposição integrada no intercâmbio cultural coorganizado entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Sala Rekalde (Bilbau). Nesse âmbito ocorreram exposições nos dois espaços. Esta mostra de três artistas bascos foi apresentada em Lisboa depois de «Extremo Occidente. Arte Portugués Contemporáneo» ter estado patente em Bilbau.
Exhibition included in the cultural exchange organised between the Calouste Gulbenkian Foundation and the Sala Rekalde, Bilbao, which saw exhibitions staged in both locations. The show, featuring the work of three Basque artists, was staged in Lisbon after the exhibition “Far West. Contemporary Portuguese Art” had been held in Bilbao.

«Chillida, Balerdi, Larrea» surgiu de um intercâmbio cultural estabelecido entre a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) e a Sala de Exposiciones Rekalde, de Bilbau (País Basco), equipamento do organismo regional Bizkaia Foru Aldundia (Diputación Foral de Bizkaia).

Do lado português, coube ao artista Fernando Azevedo (então ex-diretor do Serviço de Belas-Artes da FCG) intermediar o projeto em contacto com Javier de Durana, diretor da Rekalde.

Com a colaboração de Javier San Martín, Azevedo tinha já participado na seleção de peças que integraram a exposição «Extremo Occidente. Arte Portugués Contemporáneo en la Fundação Calouste Gulbenkian», apresentada na Rekalde entre 7 de março e 23 de abril 1995. Foi durante a deslocação a Bilbau para a inauguração dessa mostra que o então ex-diretor do Serviço de Belas-Artes da FCG inicia os trabalhos de seleção de obras de artistas bascos para a já planeada exposição de Lisboa. Javier Viar, curador da Rekalde, daria o seu contributo para coligir essas peças, trabalhando em estreito contacto com Jorge Molder, diretor do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, incumbido da produção.

Eduardo Chillida (1924-2002), Rafael Balerdi (1934-1992) e Vicente Larrea (1934) são três dos mais destacados artistas contemporâneos de origem basca ativos na segunda metade do século XX. Às suas afinidades geográficas, culturais, geracionais e pessoais, aliam uma exploração artística atenta às forças físicas do mundo, mas que não hesita em tentar descobrir o que de metafísico nele ecoa. Essas investigações expressam-se, claro está, de um modo distinto nas obras de cada um deles.

Essas aproximações e distanciamentos foram o cerne da exposição «Chillida, Balerdi, Larrea» na Fundação Calouste Gulbenkian. O catálogo da exposição elenca um total de 60 obras: 30 de Balerdi, 15 de Chillida e 15 de Larrea, permitindo vislumbrar como foi a pintura de Balerdi, o mediador mais evidente deste diálogo a três. Das geometrias arenosas e barrentas dos anos de 1950, mais próximos do tão peculiar construtivismo «orgânico» e medidativo de Chillida, Balerdi começa a derivar para um gestualismo informalista e convulsivo, que tem nas erupções tuberculosas da escultura de Larrea uma plataforma de correspondências plásticas. É nessa via expressionista que ambos reencontram a representação figurativa nos anos 80 e 90.

O escultor Jorge Oteiza (1908-2003) foi outro artista de origem basca que esteve em consideração, mas optou-se por não deslocar até Lisboa obras de sua autoria devido a recentes casos de falsificação, muito falados na imprensa espanhola (Arquivos Gulbenkian, CAM 00365).

«Chillida, Balerdi, Larrea» inaugurou a 19 de março de 1995 na Galeria de Exposições Temporárias da Sede da FCG, ficando patente até 12 de dezembro desse ano. No evento inaugural estiveram presentes os dois expositores então ainda vivos, Chillida e Larrea, na companhia de Óscar Ribeiro Filipe, cônsul de Portugal em San Sebastián, e que tinha contribuído significativamente para o projeto. É dele que a Gulbenkian recebe vários recortes da imprensa espanhola revelando o eco que a mostra teve no país vizinho. Um deles adianta que Chillida foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito durante a inauguração da mostra. Na ausência do presidente da República Portuguesa Mário Soares, então no estrangeiro, terá sido o poeta Pedro Tamen, então membro do conselho de administração da FCG, a encarregar-se da solenidade («Chillida recibe…», El Diário Vasco, 20 out. 1995, p. 65).

A Euskal Telebista, emissora televisiva pública do País Basco, faria uma petição para que a produtora cinematográfica IGN gravasse imagens durante da mostra da FCG com vista a integrarem a série documental Euskal Sortzaileak [Criadores Bascos] (Fax de Santi Uriarte para Jorge Molder, 17 mar. 1995, Arquivos Gulbenkian, CAM 00369). O pedido foi autorizado, apesar de os referidos registos audiovisuais não terem sido localizados até ao momento.

À semelhança do que acontecera com outras exposições na FCG, também a portuguesa Zebra Produções pediu para captar registos audiovisuais da mostra para integrar programa «Ver Artes», magazine cultural concebido e apresentado por Alexandre Melo, emitido no canal 2 da Rádio Televisão Portuguesa (Fax de Elizabeth Duarte para Ana Vasconcelos e Melo, 18 out. 1995, Arquivos Gulbenkian, CAM 00369). «Chilida, Balerdi, Larrea» seria abordada no episódio de 2 de novembro de 1995, contando com os comentários de Javier Viar, cocomissário da exposição.

Daniel Peres, 2019


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Eventos Paralelos

Visita(s) guiada(s)

[Chillida, Balerdi, Larrea]

out 1995 – dez 1995
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Galeria de Exposições Temporárias (piso 0)
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias


Multimédia


Documentação


Periódicos


Páginas Web


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa / CAM 00369

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência interna e externa, textos para o catálogo, material gráfico, recortes de imprensa. 1994 – 1996


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