Colecção Graham Nash
1986
7.º Encontros de Fotografia de Coimbra
Exposição integrada nos «Sétimos Encontros de Fotografia de Coimbra», organizada com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura, a Reitoria da Universidade de Coimbra, a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra e a Fundação Calouste Gulbenkian.
A coleção de Graham Nash foi uma das mais importantes no âmbito da fotografia dos séculos XIX e XX. Graham Nash (1942), colecionador, referência musical e membro de algumas das mais consagradas bandas do Reino Unido durante os anos de 1960 (The Hollies e Crosby, Stills & Nash), começou a colecionar fotografias em 1970, herdando do pai o gosto pelo suporte fotográfico. Em 1990, e tendo outros interesses colecionistas em vista, Graham Nash decidiu vender a sua coleção num leilão da Sotheby’s, cujas vendas perfizeram um total de 2 380 000 dólares, e oferecer uma parte destes lucros ao Los Angeles County Museum of Art, ao qual doou ainda mais de uma centena de fotografias.
No ano de 1986, a seleção de algumas obras icónicas da coleção foi apresentada pela primeira vez na Europa, nos «Encontros de Fotografia de Arles» (França), aos quais se seguiu um programa de exposições em Portugal, estando ainda prevista a sua apresentação em Espanha. O promotor desta iniciativa em Portugal foi Albano da Silva Pereira, o então diretor do Centro de Estudos de Fotografia/Encontros de Fotografia de Coimbra, por ocasião da sua sétima edição. O êxito da iniciativa ficou também a dever-se à estreita articulação mantida com a responsável europeia da Coleção Graham Nash, Jeane von Oppenheim, e com o curador Graham Howe, bem como ao apoio prático e financeiro prestado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelas restantes instituições parceiras.
Aproveitando o ensejo da vinda da exposição a Portugal, e depois da curta exibição em Coimbra, a exposição foi também apresentada em Lisboa, no piso 01 da Galeria de Exposições Temporárias da Sede da FCG, contando com um total de 160 fotografias (provas de contacto e ampliações) de 78 fotógrafos, entre os quais algumas referências internacionais da fotografia, tais como Paul Outerbridge (1896-1958), Diane Arbus (1923-1971), Pierre Dubreuil (1872-1944), Heinrich Kühn (1866-1944), Edward Weston (1886-1958), Henri Cartier-Bresson (1908-2004), André Kertész (1894-1985), Walker Evans (1903-1975), Edward Steichen (1879-1973), Irving Penn (1917-2009), Manuel Álvarez Bravo (1902-2002), Weegee (1899-1968), Robert Capa (1913-1954), Eugène Atget (1857-1927), Man Ray (1890-1976), Berenice Abbott (1898-1991), Philippe Halsman (1906-1979), entre outros.
As obras apresentadas eram excelentes exemplares da história da fotografia dos séculos XIX e XX, dos vários movimentos estéticos associados e de protagonistas de várias gerações. A obra mais recuada, da autoria da botânica e fotógrafa Anna Atkins (1799-1871), correspondia a uma cianotipia datada de cerca de 1845, mas entre as obras mostradas destacavam-se também as gerações mais recentes, bem como algumas obras da década de 1970.
Em relação à heterogeneidade da coleção, o crítico de arte Alexandre Pomar entendia haver algumas «lacunas», e a apresentação foi, no seu entender, desordenada, contando ainda com um grande número de reimpressões. Contudo, o crítico não deixaria sublinhar a importância do «contacto com inúmeros clássicos da fotografia», salientando que as falhas apontadas em nada diminuíam «a importância desta exposição» (Pomar, Expresso, 13 dez. 1986).
Ao invés do tradicional catálogo, a acompanhar a exposição foi publicado um cartaz que servia ainda de roteiro da exposição, incluindo as legendas das obras. No cartaz, o destaque recaía na reprodução de um autorretrato de Paul Outerbridge com máscara, uma das obras mais cotadas de sempre na história da fotografia (Colecção Graham Nash, 1986).
Filipa Coimbra, 2017