Henrique Pousão, 1884 – 1984. No Primeiro Centenário da sua Morte

Exposição itinerante, comemorativa do primeiro centenário da morte do pintor português Henrique Pousão (1884-1984), realizada por iniciativa do Paço Ducal de Vila Viçosa e apresentada na Fundação Calouste Gulbenkian e no Museu Nacional de Soares dos Reis. Algumas das peças expostas foram cedidas pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto e por algumas coleções privadas.
Travelling exhibition commemorating the centenary of the death of Portuguese painter Henrique Pousão (1884-1984) arranged by the Paço Ducal de Vila Viçosa and staged at the Calouste Gulbenkian Foundation and the Museu Nacional de Soares dos Reis. Some of the works on display were on loan from the Porto School of Fine Arts as well as various private collections.

A exposição comemorativa do primeiro centenário da morte do pintor Henrique Pousão (1884-1984) foi uma iniciativa do Paço Ducal de Vila Viçosa, contando com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Português do Património Cultural e com a colaboração da Escola Superior de Belas-Artes do Porto.

O catálogo da exposição foi organizado por José Teixeira, diretor do Paço Ducal de Vila Viçosa, e editado pela Fundação da Casa de Bragança, de modo a perpetuar a memória desta exposição comemorativa. Contém um outro catálogo, mais pequeno, no qual, além de uma biografia resumida, se apresenta a obra exposta, agrupada nos seguintes períodos: «1867-1872 – as obras de infância e juventude»; «1872-1880 – as obras escolares»; «1881 – o período francês»; «1882-1883 – entre Roma e Capri».

A iniciativa é justificada no texto de apresentação do catálogo da exposição, no qual João Gonçalo Amaral Cabral, presidente do Conselho Administrativo da Fundação da Casa de Bragança, lembra que Henrique Pousão nasceu e morreu em Vila Viçosa. Com esta exposição pretendia-se, assim, prestar homenagem à memória de Pousão no Paço Ducal, promovendo o conhecimento da sua obra nas instalações da Fundação Calouste Gulbenkian e do Museu Nacional de Soares dos Reis.

Muitas obras foram cedidas pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto e algumas por diversos colecionadores particulares.

No âmbito da exposição, foi realizado durante o mês de setembro um ciclo de visitas comentadas, com entrada gratuita, guiadas por José Teixeira, Lagoa Henriques e José Luís Porfírio. Também de entrada livre foi o ciclo de «sessões de audiovisuais sobre pintura do século XIX, de terça a domingo às 15 horas» (Diário de Notícias, 24 ago. 1984).

Acerca da exposição, José Luís Porfírio refere na Actual, revista do jornal Expresso: «No caso presente, comemorar a morte prematura de um jovem de 25 anos, vendo-lhe a obra como um projecto interrompido, tem sempre qualquer coisa de humor negro.» Contudo, afirma que se trata de uma oportunidade rara para conhecer e contemplar a obra deste original pintor português (Porfírio, Expresso, 11 ago. 1984).

Sobre a montagem das exposições de Vila Viçosa e de Lisboa, José Luís Porfírio diz ter obtido informações díspares sobre a obra e o pintor. Se na exposição de Vila Viçosa encontrou um espaço muito agradável e bem iluminado, com um percurso cronológico muito marcado pelos anos académicos do pintor, já em Lisboa, embora considere o espaço pouco iluminado para contemplar as obras de menores dimensões, encontrou um percurso que lhe pareceu mais apropriado, uma divisão entre os anos de formação de Pousão e as obras realizadas em França e Itália, permitindo assim observar, em dois núcleos diferentes, primeiro a obra do artista e depois os exercícios escolares e académicos, desde os desenhos de criança às «últimas academias de Roma, passando pelos estudos de gessos, desenhos de estampa, provas finais e provas de concurso para pensionistas do Estado ou cópias que enviou de França e de Itália» (Ibid.).

O artigo de crítica à exposição publicado no Diário de Notícias de 3 de agosto refere esta mesma divisão do espaço expositivo em dois núcleos, separando a «obra da maturidade da produção de carácter escolar» (Diário de Notícias, 3 ago. 1984).

O Serviço de Exposições e Museografia foi também o responsável pela montagem da exposição no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, onde a mostra esteve patente entre 15 de outubro e 30 de novembro de 1984, e apoiou a montagem da exposição no Paço Ducal de Vila Viçosa, já que a Fundação local não possuía os serviços indicados para tal e teria de recorrer a pessoal especializado.

A vontade de levar a exposição a Paris justificava-se, segundo João Gonçalo do Amaral Cabral, da Fundação da Casa de Bragança, pelo facto de Henrique Pousão ter estudado como bolseiro na capital francesa e pela forte influência, evocada pela historiografia, que os franceses Manet e Pissaro exerceram na sua obra.

Já a influência do impressionismo na obra de Pousão é algo que José-Augusto França contesta: «[…] com ele [Pousão], a pintura não entrou em caminho nenhum mas ganhou um sentido que até então não tivera, nem havia de ter, de definição formal e de fixação luminosa. Uma coisa veio-lhe por Corot, a outra nada tem que ver com o impressionismo, como um dia se supôs, por ignorância destas coisas; mas foi balela de futuro, nesta teima de termos que, de algum modo, ter um impressionista na família, bem fora das nossas posses bioatmosféricas.» (França, Diário de Lisboa, 20 ago. 1984)

Jaime Ferreira, ao referir-se à exposição no Museu Nacional de Soares dos Reis, além de chamar a atenção para a cedência de peças por cerca de 40 individualidades ou instituições, elogia a sua completude: «Exposição largamente valorizada com bibliografia, diplomas de curso e de prémios, correspondência e demais elementos que alargam a sua espantosa biografia.» (Ferreira, Comércio do Porto, 23 nov. 1984) O elogio do jornalista é ainda dirigido ao catálogo da exposição, cuja «colaboração vária e uma centena de reproduções a preto e a cores constitui grandioso monumento gráfico da mais bela e completa biografia de Henrique Pousão» (Ibid.).

Num pequeno artigo, não assinado, publicado no jornal Expresso, o tom também é de elogio: «Diga-se, no entanto, que se trata de uma excepcional iniciativa, por constituir a “revelação” de um grande pintor oitocentista e por contar com uma qualidade de organização (pesquisa, montagem e catálogo) com raros precedentes.» («Henrique Pousão, Museu Gulbenkian», Expresso, 15 set. 1984)

Outros críticos, como Manuela de Azevedo e José-Augusto França, caracterizam a exposição como «fascinante», defendendo a sua mostra em Paris e afirmando que a exposição, mais do que um ato centenário, é um ato necessário. Já o Diário Popular apelida a exposição de «importante», ao ser «constituída por centenas de trabalhos do grande pintor impressionista português» («Na Fundação Gulbenkian: Pousão uma exposição a ver», Diário Popular, 16 ago. 1984).

António Rodrigues, contrariando a maioria dos artigos encontrados, critica a exposição, considerando-a desmerecedora do catálogo: «Ao querer mostrar-se obras segundo “um percurso de encruzilhadas” que foi o de Pousão, na proposta do catálogo, não terá havido o cuidado de evitar hierarquias visuais entre elas. Não é fácil dar equivalência visual a suportes de dimensões tão opostas como “Cecília” / “Casas Brancas de Capri” e “Senhora Vestida de Preto” / “Casa com persianas azuis”, mas exibir as primeiras e quase esconder as segundas é ir atrás das medidas que não são as da(s) pinturas(s).» (Rodrigues, JL. Jornal de Letras, Artes e Ideias, 7 ago. 1984)

Carolina Gouveia Matias, 2017


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Eventos Paralelos

Exibição audiovisual

[Henrique Pousão, 1884 – 1984. No Primeiro Centenário da sua Morte]

1984
Fundação Calouste Gulbenkian
Lisboa, Portugal
Visita(s) guiada(s)

[Henrique Pousão, 1884 – 1984]

set 1984
Fundação Calouste Gulbenkian / Museu Calouste Gulbenkian
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

José de Azeredo Perdigão (ao centro)
Exposição «Henrique Pousão, 1884-1984. No Primeiro Centenário da sua Morte»

Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Museu Calouste Gulbenkian), Lisboa / MCG 03071

Pasta com documentação referente à produção das exposições «Henrique Pousão, 1884-1984. No Primeiro Centenário da sua Morte» e «Pintores da Escola do Porto, Séc. XIX e XX, nas Colecções do Museu Nacional de Soares dos Reis». Contém convites para a exposição de Henrique Pousão, um desdobrável sobre o ciclo de visitas guiadas, em Lisboa e em Vila Viçosa, correspondência interna e externa, um recorte de imprensa e maquetes do espaço expositivo. Sobre a exposição «Pintores da Escola do Porto», contém correspondência interna e fotografias. 1984 – 1984

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00301

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém convite, correspondência interna e externa, orçamentos, material para o catálogo e recortes de imprensa. 1983 – 1987

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02179

7 provas, p.b.: inauguração (MCG, Lisboa) 1984

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0482-D01362

13 provas, p.b., cor: inauguração (MCG, Lisboa) 1984

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0482-D01363

5 provas, cor: aspetos ( Paço Ducal, Vila Viçosa) 1984

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM-S007-P0482-D01364

10 provas p.b.: aspetos (Museu Nacional Soares dos Reis, Porto) 1984

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02180

6 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1984


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