Os Anos 40 na Arte Portuguesa

Exposição coletiva e historiográfica da arte em Portugal durante a década de 1940, cujo programa veio a ser definido pelo professor José-Augusto França. A mostra proporcionou uma leitura do enorme contraste entre tendências artísticas, sob diversas categorias estéticas.
Collective historiographic exhibition on art in Portugal in the 1940s organised by Portuguese art historian and critic José-Augusto França. Held at the Temporary Exhibitions Gallery of the Calouste Gulbenkian Foundation, the show presented visitors with an exploration of the stark contrasts observable among the artistic styles and trends on display.

Exposição coletiva e historiográfica da arte em Portugal durante a década de 1940, promovida pelo Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), com a colaboração de outros serviços da FCG. O programa da exposição foi definido pelo historiador e crítico de arte José-Augusto França, sendo comissário o diretor-adjunto do Serviço de Belas-Artes, Fernando de Azevedo, que contou com o apoio de especialistas de várias áreas, aos quais se juntaram alunos do curso de História da Arte Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA).

O projeto desta exposição foi programado pelo Serviço de Belas-Artes ainda no ano de 1979, altura em que foram iniciados os primeiros contactos com José-Augusto França, no sentido da definição do programa. A FCG entendia que a colaboração do professor José-Augusto França correspondia a uma «exigência científica» para que a exposição viesse a ser considerada «um facto cultural» (Apontamento do Serviço de Belas-Artes, 29 jan. 1981, Arquivos Gulbenkian, SBA 15512). Ao artista Fernando Lemos coube também a preparação de um núcleo fotográfico sobre o ambiente cultural português dos anos de 1940, que, por falta de espaço, foi apresentado individualmente nas salas da Sociedade Nacional de Belas-Artes, com o patrocínio da FCG.

Esta mostra apresentava-se assim como «uma primeira tentativa de um possível programa de leitura» da arte portuguesa do século XX, de um ponto de vista histórico e crítico: «Considerou-se que o projecto exigiria um aprofundado estudo daquele período, tendo em conta os diversos factores que deram forma à arte que então se produziu, pelo que seria necessário encará-lo, principalmente, dentro de uma perspectiva da sociologia da arte.» (Ibid.)

Dada a natureza historiográfica e crítica do evento, a realização da exposição obrigaria a um reforço do trabalho de investigação, com uma exaustiva recolha de documentação e localização das obras a selecionar, e aturado rigor metodológico na elaboração do catálogo.

O comissário da exposição viria mesmo a assumir o duplo pressuposto da mostra, enquanto exposição e enquanto projeto de investigação: «A exposição […] tocou profundamente o público e constituiu para a maior parte uma surpreendente exemplificação de como pode mostrar-se […] não apenas o ver das obras de arte, mas uma reflexão mais vasta sobre a sua situação e o seu papel cultural.» (Apontamento do Serviço de Belas-Artes da FCG. Exposição «Os Anos 40», 9 dez. 1982, Arquivos Gulbenkian, SBA 15512)

Na introdução do catálogo da exposição, Fernando de Azevedo justificava a necessidade da realização de um evento desta natureza nos seguintes termos:

«Se há figuração possível da cultura de um país, a arte que ele tem, a arte que nele se fez e faz, figuram-na transparentemente. É preciso, porém, vê-la, contactá-la na sua realidade objectual e, para isso, é preciso antes do mais mostrá-la. Mostrá-la, sobretudo, programadamente. A arte portuguesa do século não é conhecida do público no encadeamento do seu suceder histórico e menos ainda em relação contextual. A nossa arte moderna não tem, ainda hoje, ao nível do ver, do ser vista ou ter sido vista, para além do círculo dos especialistas, uma ordenação cultural e informativa em que claramente se defina perante quem a procure. O conhecimento da obra de arte e dos seus autores persiste assim acidental, desordenado e flutuante quanto a critérios que possam fundamentar […] uma apreciação de valores e a sua escolha consequente. Foi a consideração destas circunstâncias que conduziu ao projecto da exposição “Os Anos 40 na Arte Portuguesa”.» (Os Anos 40 na Arte Portuguesa, vol. 1, pp. 9-10)

Neste sentido, o projeto da exposição viria a assumir a genealogia histórica do modelo franciano, alicerçado na primeira proposta historiográfica consistente da sistematização da arte portuguesa do século XX, da lavra do mesmo autor, segundo o qual o «primeiro modernismo», «surgido por volta de 1915, arrastado por 20 anos provincianos, perdido e achado na protecção oficiosa das Exposições de Arte Moderna do SPN», culminava com a Exposição do Mundo Português, em 1940, o designado «ano áureo do Estado Novo» (Ibid., p. 24).

O marco inaugural desta retrospetiva da década de 1940 seria então definido a partir da Exposição do Mundo Português (1940), evento de «exaltação ideológica» de uma «anacrónica e neutral glória», que iria bifurcar nas duas principais direções da vida artística nacional: «de um lado o SNI de António Ferro e a arte moderna e, do outro, a Sociedade Nacional de Belas Artes e o seu academismo pós-naturalista». A exposição realizada em 1952 na Casa Jalco marcava o final da década, e finalizava este percurso, no âmbito das artes plásticas, destacando o surgimento de novas correntes estéticas.

A receção dos visitantes na Galeria de Exposições Temporárias da FCG remetia-os para o projeto da já referida exposição de 1940, dirigida por Augusto de Castro (1883-1871) e Cottinelli Telmo (1897-1948), com referências ao Pavilhão de Lisboa, pela reprodução do baixo-relevo de Canto da Maia, e ao Padrão dos Descobrimentos, pela apresentação de um esboceto, da autoria de Cottinelli Telmo e Leopoldo de Almeida (1898-1975). Ainda neste núcleo dedicado à escultura portuguesa da década de 1940 foi dado especial destaque à obra Família (1947) de Leopoldo de Almeida e à estátua equestre de D. João IV (s.d.), «obra classizante» de Francisco Franco.

José-Augusto França dividiu a arte moderna portuguesa em três gerações, acompanhando a mesma periodização definida em A Arte em Portugal no Século XX (1911-1961), publicada em 1974, sendo esta uma obra-chave na produção teórica de França. Para o autor tratava-se de uma «década de passagem», entre o Primeiro Modernismo, a «que a Exposição de 40 pusera fim», e «uma “terceira geração” que então se começava a afirmar através de alguns percursos pessoais de artistas surrealistas, abstratos e que se haviam iniciado no neorrealismo».

Este contraste entre as tendências artísticas da década era destacado nos núcleos dedicados à pintura, num olhar que incidia sobre a atividade dos principais dinamizadores dos eventos artísticos naquela época: a Sociedade Nacional de Belas-Artes e as Exposições de Arte Moderna do SPN/SNI.

O percurso articulava-se numa perspetiva de confronto entre estética oitocentista, evidente em exemplares como os retratos de Lázaro Lozano (Lobo do Mar, 1947), Henrique Medina (Rapariga da Galiza, 1948) ou Portela Júnior (Bruxas de Almodôvar, 1947), e a ousadia dos surrealistas (António Dacosta, António Pedro), a arte socialmente comprometida dos neorrealistas (Júlio Pomar, Moniz Pereira, Ribeiro de Pavia) e a liberdade estética e ética dos abstracionistas (Fernando Lanhas, Nadir Afonso e, na escultura, Arlindo Rocha).

A exposição evidenciava ainda, pelo caráter inovador do seu percurso artístico, a arte pública de Almada Negreiros (1893-1970), com destaque para os painéis das Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos. O percurso, neste primeiro piso, terminava com a referência às obras dos artistas que expuseram na referida Casa Jalco em 1952 (Fernando Lemos, Fernando de Azevedo, Marcelino Vespeira).

Além da cronologia, a orientação da exposição seguiu igualmente um critério tipológico e disciplinar. No piso inferior da Galeria de Exposições Temporárias da Sede foram organizados outros núcleos temáticos ligados à criação artística nacional (tais como o desenho e as artes gráficas, a arquitetura e o urbanismo, a literatura, o teatro, a música, o bailado, o cinema), contando para tal com a colaboração do Serviço de Belas-Artes (Secções de Cinema e Teatro), Serviço de Exposições e Museografia e o Serviço de Música da FCG.

O núcleo dedicado à arquitetura e ao urbanismo procurava refletir sobre a definição de um novo plano urbanístico para a cidade de Lisboa, dinamizado por Duarte Pacheco (1900-1943), com destaque para o projeto de «desenvolvimento da cidade para noroeste», definido a partir da Praça do Areeiro, além dos projetos de obras públicas assinados por Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957) ou Francisco Keil do Amaral (1910-1975).

O enquadramento documental destas secções foi enriquecido pelo recurso a um vasto conjunto de documentos cedidos para o efeito. Este e outros núcleos expositivos contaram com uma valiosa colaboração por parte de colecionadores privados, de várias divisões da Câmara Municipal de Lisboa e dos arquivos e bibliotecas de muitas organizações estatais. Entre estes emprestadores esteve o pintor Thomaz de Mello (Tom), que doou à FCG um conjunto de 11 cartazes da autoria de Fred Kradolfer (1903-1968).

A proximidade histórica, com boa parte dos protagonistas ainda vivos, o obscurantismo característico da década, entre outras razões estéticas, éticas ou de filiação artística, suscitaram o debate sobre as escolhas e as omissões do programa da exposição.

Neste sentido, o crítico Fernando Guedes, não deixando de louvar a iniciativa, acabaria por fazer algumas críticas menos favoráveis, relacionadas com o facto de três dos principais responsáveis envolvidos na organização do certame (José-Augusto França, Fernando de Azevedo e Fernando Lemos) terem pertencido a um dos movimentos em destaque na década (Surrealismo), que, na opinião do crítico, se sobrepunha à representatividade de outras correntes estéticas, nomeadamente o abstracionismo e a dinamização artística dos «independentes» do Porto, surgidas principalmente a partir de 1945 (Guedes, O Tempo, 22 abr. 1982).

Também o crítico Alexandre Pomar afirmaria, nas suas críticas à exposição, o «carácter polémico» do evento, focando algumas das questões anteriormente referidas, entre as quais destacava a «conclusão charneira» decidida pelos organizadores, ao proporem o fechamento da década no ano de 1952, com a já mencionada exposição na Casa Jalco (Pomar, Diário de Notícias, 15 abr. 1982). Para o mesmo crítico era também injustificada a ausência de Maria Helena Vieira da Silva nesta revisão da década, considerando a sua obra de real valor nacional e internacional, ainda que ausente do país durante o período em análise e posteriormente naturalizada francesa (Pomar, Diário de Notícias, 16 abr. 1982).

O programador da exposição, José-Augusto França, responderia a algumas destas críticas nas suas colunas do «Folhetim Artístico», no Diário de Lisboa. Os organizadores entendiam que a exposição era «um ensaio», ou «uma proposta de estudo» que se orientava segundo cronologias, contextos e metodologias específicas. Relativamente às possíveis omissões desta mostra, o comissário da exposição explicava que, na impossibilidade de se conseguir trazer algumas obras, se recorreu a outras «com datas aproximadas» e, nalguns casos, a documentação fotográfica.

Como síntese e em complementaridade com a exposição, foi ainda realizado um colóquio «A Cultura nos Anos 40», onde foram ouvidos especialistas das várias áreas do panorama artístico e cultural da década (Pedro Tamen, Joel Serrão, Nuno Portas, Rui Mário Gonçalves, João de Freitas Branco, Tomaz Ribas, Luís Francisco Rebello, João Bénard da Costa, David Mourão-Ferreira, Eduardo Lourenço e José-Augusto França), cujas comunicações foram compiladas no sexto e último volume do catálogo.

Dada a amplitude da exposição, o catálogo, organizado em seis volumes, constituiu-se como uma importante obra monográfica do período decenal em análise, desde logo evidente pela muito significativa procura suscitada pela sua publicação.

A conceção gráfica do catálogo da exposição aproximava-se da composição gráfica do catálogo da 5.ª Exposição de Arte Moderna do SPN/SNI, realizada no ano de 1940, da autoria A. Ferreira Gomes.

O primeiro volume do catálogo reuniu a cronologia e alguns ensaios de especialistas sobre a década, deixando para o segundo volume a reprodução das obras expostas e a biografia dos artistas representados. Os volumes que se seguiram incidiram sobre o panorama musical, teatral e cinematográfico da década, sendo o sexto e último volume dedicado à publicação das atas das comunicações proferidas por ocasião do colóquio.

Integrado na programação da exposição foi também organizado um ciclo de cinema, que apresentou alguns dos mais representativos filmes da época: João Ratão (1940), de Jorge Brum do Canto, O Pai Tirano (1941) e Amor de Perdição (1943), de António Lopes Ribeiro, O Pátio das Cantigas, de Ribeirinho (1942), Ala-Arriba (1942) e Camões (1946), de Leitão de Barros, Aniki-Bóbó (1942), de Manoel de Oliveira, O Costa do Castelo (1943) e O Leão da Estrela (1947), de Arthur Duarte, e Fado (1947), de Perdigão Queiroga.

Também o teatro foi incluído no programa de extensão cultural da exposição, através da produção de um espetáculo teatral, proposto por Carlos Wallenstein (1926-1990) e encenado por Carlos Avilez (1939), que contou com a cenografia do escultor José Rodrigues (1936-2016) e fotografia de Eduardo Gageiro (1935).

De acordo com a documentação de arquivo, há indicação da realização de filmagens da exposição por parte de uma equipa da RTP, destinada à documentação de uma série de seis documentários, Artistas Portugueses, da responsabilidade do realizador José Elyseu (Cf. Artistas Portugueses, Arquivos RTP, 1983).

Como viria a ser desenvolvido num relatório interno redigido pelo comissário da exposição, a receção pública desta exposição excedeu todas as expectativas iniciais, quer pela participação e ressonância do debate sobre a década na imprensa e restantes meios de comunicação social, quer pela afluência do público (50 mil visitantes), em especial o público jovem (liceus e universidades), através da realização de dezenas de visitas orientadas ao certame (Apontamento do Serviço de Belas-Artes da FCG. Exposição «Os Anos 40», 9 dez. 1982, Arquivos Gulbenkian, SBA 15512).

Neste mesmo apontamento do Serviço de Belas-Artes, seria emitido um despacho do administrador do pelouro, Pedro Tamen, referindo a complexidade da organização desta exposição, cuja repercussão cultural «excedeu todas as expectativas e prestigiou a Fundação» (Ibid.).

Filipa Coimbra, 2017

Historiographic collective exhibition on art in Portugal in the 1940s organised by the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG) Fine Arts Department with cooperation from other FCG departments. The exhibition structure was set by art historian and critic José-Augusto França (1922) and was curated by the deputy head of the Fine Arts Department, Fernando de Azevedo (1923-2002), with support from specialists in several fields and students from the History of Contemporary Art course at the New University of Lisbon's Faculty of Social and Human Sciences (FCSH/NOVA).
The plans for this exhibition were drawn up by the Fine Arts Department at the beginning of 1979, when the first contacts with José-Augusto França were made to create the structure. The FCG understood that the input of Professor José-Augusto França was a scientific requirement for the exhibition to be considered an important cultural event (Note by the Fine Arts Department, 29 Jan. 1981, Gulbenkian Archives, SBA 15512). The artist Fernando Lemos was also responsible for preparing a photography section on the Portuguese cultural background of the 1940s that, due to a lack of space, was displayed separately in the rooms of the Sociedade Nacional de Belas-Artes, sponsored by the FCG.
The exhibition was therefore a first attempt at a possible frame for reading 20th-century Portuguese art from a viewpoint that is not only historic, but also critical: (...) It was considered that the project would require in-depth study on the period, taking into consideration the various factors that gave shape to the art produced at the time, and so it would need to be primarily handled from a sociology of art perspective (ibidem).
Due to the event's historiographic and critical nature, the exhibition required increased research work with an exhaustive survey of documents and the locations of pieces to be selected, as well as a precise method when drawing up the catalogue.
The exhibition curator even acknowledged the dual premise of the event as exhibition and as research project: the exhibition (...) significantly touched the public and was for most a surprising exemplification of how it can be (...) not only the viewing of art but also a broader reflection on its situation and cultural role (Note by the FCG Fine Arts Department. Exposição Os Anos 40, 9 Dec. 1982, Gulbenkian Archives, SBA 15512).
In the introduction to the exhibition catalogue, Fernando de Azevedo justified the need to hold an event of this nature in the following way: If there is a possible manifestation of a country's art, the art it has, the art that is and has been made within it, it manifests it transparently. It is necessary, however, to see it, to have contact with it in its setting as an object and, in order to do so, it is necessary to show it in the first place. Show it, above all, in a planned way. Portuguese art from this century is not known by the public within the framework of historical events and even less so in its relationships with the surrounding context. Our modern art is not ordered, even today, in cultural or informational terms - in terms of seeing, being seen or having been seen, beyond the sphere of specialists - in which it is clearly defined with regard to those who seek it. Knowledge of the work of art therefore remains accidental, disorganised and floating as regards the criteria that could justify (...) a consideration of values and the resulting choice thereof. It was the consideration of these circumstances that led to the plans for the exhibition Os Anos 40 na Arte Portuguesa(Os Anos 40 na Arte Portuguesa, Vol. 1, pp. 9-10).
The plans for the exhibition would therefore involve a historical genealogy following França's model, founded in the first historiographical proposal to systematise Portuguese art of the 20th century. In França's view, the first modernism emerged around 1915, dragged through 20 provincial years, lost and found in the unofficial protection of the S.P.N.'s Modern Art Exhibitions and culminated in the Exposição do Mundo Português in 1940, the so-called golden year of the Estado Novo (Os Anos 40 na Arte Portuguesa, Vol. 1, p. 24).
The opening landmark for this retrospective of the 1940s was established by the Exposição do Mundo Português [Exhibition of the Portuguese World] (1940), an event of the ideological glorification of an anachronic and neutral glory that would fork into the two main paths of Portuguese artistic life: António Ferro's SNI [the regime's information bureau] on the one hand and the Sociedade Nacional de Belas-Artes and its post-naturalist academia on the other. The exhibition held in 1952 at Casa Jalco marked the end of the decade and concluded this journey through the visual arts, highlighting the emergence of new aesthetic currents.
When arriving at the FCG Temporary Exhibitions Gallery, visitors were first directed towards plans of the 1940 exhibition mentioned above, led by Augusto de Castro (1883-1871) and Cottinelli Telmo (1897-1948), with references to the Lisbon Pavilion, in a bas relief reproduction by Canto da Maia, and the Monument to the Discoveries, with a small sketch by Cottinelli Telmo and Leopoldo de Almeida (1898-1975). This section on Portuguese sculpture of the 1940s particularly highlighted Família (1947) by Leopoldo de Almeida and the equestrian statue of King D. João IV (n.d.), a classically inspired piece by Francisco Franco.
José-Augusto França divided Portuguese modern art into three generations, following the same periods established in A Arte em Portugal no Século XX (1911- 1961), published in 1974, which was a key piece in França's theoretical work. For França, it was a decade of transition from the first modernism concluded by the Exhibition of 1940 and defined by a 'third generation' that was beginning to establish itself with some personal journeys of surrealist, abstract artists that had begun during neorealism.
This contrast between the decade's artistic trends was underlined in some sections dedicated to painting, in a view that dealt with the actions of the main drivers of artistic events during the period: the Sociedade Nacional de Belas-Artes and the Modern Art Exhibitions of the SPN/SNI.
The path through the exhibition was linked through a confrontation between a 19th-century aesthetic, notable in examples such as portraits by Lázaro Lozano (Lobo do Mar, 1947), Henrique Medina (Rapariga da Galiza, 1948) and Portela Júnior (Bruxas de Almodôvar, 1947), and the daring of the surrealists (António Dacosta, António Pedro), the socially engaged art of the neorealists (Júlio Pomar, Moniz Pereira, Ribeiro de Pavia) and the aesthetic and ethical liberty of the abstractionists (Fernando Lanhas, Nadir Afonso and, in sculpture, Arlindo Rocha).
The exhibition also displayed the public art of Almada Negreiros (1893-1970), noteworthy for his innovative artistic career, with particularly attention to his panels at the river terminals of Alcântara and Rocha do Conde de Óbidos. On this first floor, the exhibition ended with pieces by artists that exhibited at Casa Jalco in 1952 (Fernando Lemos, Fernando de Azevedo, Marcelino Vespeira).
As well as chronology, the exhibition was also guided by the types and disciplines involved. The lower level of the main building's Temporary Exhibitions Gallery was organised into themed sections connected to Portuguese artistic production, such as drawing and graphic arts; architecture and urbanism; literature; theatre; music; dance; and cinema. It involved the cooperation of the FCG's Fine Arts Department (cinema and theatre sections), the Exhibitions and Museography Department and the Music Department.
The section on architecture and urbanism aimed to reflect on the establishment of a new urban plan for the city of Lisbon, led by Duarte Pacheco (1900-1943), particularly focusing on the development of the city to the north-west, starting from Praça do Areeiro, as well as plans for public works created by Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957) and Francisco Keil do Amaral (1910-1975).
The information providing the background for these sections was enriched by a vast array of documents granted for the purpose. This and other sections of the exhibition involved valuable cooperation with private collectors, several departments of Lisbon City Council and the archives and libraries of many state organisations. These lenders included painter Thomaz de Mello (Tom) who donated 11 posters by Fred Kradolfer (1903-1968) to the FCG.
The historical proximity, with most of the protagonists still alive, the obscurantism that was characteristic of the decade, among other aesthetic or ethical reasons or artistic affiliation, raised a debate about the choices for and omissions from the exhibition.
In this regard, the critic Fernando Guedes (1929-2016), while praising the initiative, had some criticisms to make about the fact that the three main people involved in organising the event (José-Augusto França, Fernando de Azevedo and Fernando Lemos) belonged to one of the decade's significant movements (surrealism) which, in the critic's opinion, took priority over representation of other aesthetic currents, namely abstractionism and the artistic drive of the independents of Porto, which arose mainly from 1945 onwards (Guedes, O Tempo, 22 Apr. 1982).
The critic Alexandre Pomar (1947) also mentioned the controversial character of the event in his reviews of the exhibition, focusing on some of the above-mentioned issues, among which he particularly highlighted the pivotal conclusion reached by the organisers by suggesting ending the decade at 1952, with the already mentioned exhibition at Casa Jalco (Pomar, Diário de Notícias 15 Apr. 1982). The critic also believed that Maria Helena Vieira da Silva's (1908-1992) absence in the review of the decade was unjustified, believing her work to be of real national and international value, despite being outside Portugal for the period under analysis and later obtaining French nationality (Pomar, Diário de Notícias 16 Apr. 1982).
The exhibition programmer, José-Augusto França, would reply to some of these criticisms in his columns in the art supplement of the Diário de Lisboa newspaper. The organisers understood the exhibition to be a rehearsal or a proposed study guided by specific chronologies, contexts and methods. As for possible omissions from the event, the curator explained that, since it was impossible to bring some pieces, others were used with approximate dates and, in some cases, photographs.
As a summary and in parallel with the exhibition, a conference was also held: A Cultura nos Anos 40 [The Culture of the 1940s], where specialists from several fields of art and culture during the decade spoke (Pedro Tamen, Joel Serrão, Nuno Portas, Rui Mário Gonçalves, João Freitas Branco, Tomaz Ribas, Luís Francisco Rebello, João Bénard da Costa, David Mourão-Ferreira, Eduardo Lourenço and José-Augusto França). Their presentations were compiled into the sixth and final volume of the catalogue.
Due to the breadth of the exhibition, the catalogue, organised into six volumes, is an important monograph on the period covered, proven by the significant demand it achieved when it was published.
The exhibition catalogue's graphic design was not far from the graphic layout by A. Ferreira Gomes for the catalogue of the 5th Modern Art Exhibition of the SPN/SNI, held in 1940.
The first volume of the catalogue included the chronology and some essays by specialists on the decade, leaving reproductions of the works exhibited and biographies of the artists represented to the second volume. The following volumes dealt with the music, theatre and cinema landscapes at the time, with the sixth volume dedicated to publishing the proceedings of the presentations given at the conference.
A cinema cycle was also included in the exhibition programme, which presented some of the most representative films of the time: João Ratão (1940), directed by Jorge Brum do Canto, O Pai Tirano (1941) and Amor de Perdição (1943), directed by António Lopes Ribeiro, O Pátio das Cantigas, directed by Ribeirinho (1942), Ala-Arriba (1942) and Camões (1946), directed by Leitão de Barros, Aniki-Bóbó (1942), directed by Manoel de Oliveira, O Costa do Castelo (1943) and O Leão da Estrela (1947), directed by Arthur Duarte, and Fado (1947), directed by Perdigão Queiroga.
Theatre was also included in the exhibition's accompanying cultural events, with a theatre performance proposed by Carlos Wallenstein (1926-1990) and directed by Carlos Avilez (1939), which included scenery by sculptor José Rodrigues (1936-2016) and photography by Eduardo Gageiro (1935).
Archive documents show that a team from the Portuguese national broadcaster, RTP, filmed at the exhibition, with the footage designed to be included in a series of six documentaries on Portuguese artists directed by José Elyseu (see Artistas Portugueses, Arquivos RTP, 1983).
As would be mentioned in an internal report drawn up by the exhibition curator, public reception of the exhibition went beyond all initial expectations in terms of the participation and reach of the debate about the decade in the press and other media outlets and in terms of the number of admissions (50,000 visitors), particularly young people - secondary schools and universities - thanks to tens of guided tours of the exhibition (Note by the FCG Fine Arts Department. Exposição Os Anos 40, 9 Dec. 1982, Gulbenkian Archives, SBA 15512).
The same Fine Arts Department note would include an order from the relevant member of the Board of Directors, Pedro Tamen, discussing the complexity of organising the exhibition, the cultural repercussions of which exceeded all expectations and brought prestige to the Foundation (ibidem).

Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Menina dos Olhos Tristes

Álvaro de Brée (1903-1962)

Menina dos Olhos Tristes, 1941 / Inv. 58E790

Antítese da calma

António Dacosta (1914-1990)

Antítese da calma, c.1940 / Inv. 80P121

Intervenção romântica

António Pedro (1909-1966)

Intervenção romântica, 1940 / Inv. 81P115

Nocturno - Árvores humanas

António Pedro (1909-1966)

Nocturno - Árvores humanas, 1940 / Inv. 80P837

Rapto na paisagem povoada

António Pedro (1909-1966)

Rapto na paisagem povoada, 1947 / Inv. 80P113

Mulher e Árvore

Arlindo Rocha (1921-1999)

Mulher e Árvore, 1948 / Inv. 81E654

s/título

Artur Cruzeiro Seixas (1920-2020)

s/título, 1944 / Inv. DP510

A Província

Bernardo Marques (1898-1962)

A Província, Inv. 06DP3091

Panorama

Bernardo Marques (1898-1962)

Panorama, Inv. 06DP2636

s/título

Bernardo Marques (1898-1962)

s/título, Inv. DP1664

s/título

Bernardo Marques (1898-1962)

s/título, c.1950 / Inv. DP1667

Rua 53, Nova Iorque

Carlos Botelho (1899-1982)

Rua 53, Nova Iorque, 1939 / Inv. 89P180

s/título

Carlos Botelho (1899-1982)

s/título, 1941 / Inv. DP130

A noite clara

Carlos Calvet (1928-2014)

A noite clara, 1950 / Inv. DP1329

Paisagem alentejana

Dordio Gomes (1890-1976)

Paisagem alentejana, 1946 / Inv. 71P77

Torso

Estrela Faria (1910-1976)

Torso, 1949 / Inv. 70P755

CADAVRE EXQUIS (1ª Experiência colectiva pelo processo Cadavre Exquis)

Fernando de Azevedo (1923-2002)

CADAVRE EXQUIS (1ª Experiência colectiva pelo processo Cadavre Exquis), Abril de 1948 / Inv. 83P119

S/Título

Fernando de Azevedo (1923-2002)

S/Título, c. 1950-51 / Inv. DP441

S/Título

Fernando de Azevedo (1923-2002)

S/Título, c.1950-51 / Inv. DP442

Auto-Retrato

Frederico George (1915-1994)

Auto-Retrato, c.1939 / Inv. 81P627

Cansaço

João Moniz Pereira (1920-1989)

Cansaço, 1946 / Inv. 83P1163

Cabeça da Actriz Maria Lalande

Joaquim Correia (1920-2013)

Cabeça da Actriz Maria Lalande, 1940 / Inv. 64E865

Cabeça / Busto

Jorge Barradas (1894-1971)

Cabeça / Busto, 1945 / Inv. CP3

Busto do Escritor Fernando Namora

José Dias Coelho (1923-1961)

Busto do Escritor Fernando Namora, 1951 / Inv. 94E341

Sem Título

José Francisco

Sem Título, Inv. 80P1430

Ordem

José Viana (1922-2003)

Ordem, 1946 / Inv. 85P99

Mulheres na Praia

Júlio Pomar (1926-2018)

Mulheres na Praia, 1950 / Inv. 81P447

Apanha da azeitona

Júlio Resende (1917-2011)

Apanha da azeitona, 1951 / Inv. 71P918

s/título

Lino António (1898-1974)

s/título, Inv. DP395

Trilogia (Deus, Pátria e Família)

Manuel Filipe (1908-2002)

Trilogia (Deus, Pátria e Família), 1943 / Inv. DP1431

s/título

Manuel Ribeiro de Pavia (1910-1957)

s/título, 1949 / Inv. DP1313

s/título

Manuel Ribeiro de Pavia (1910-1957)

s/título, 1950 / Inv. DP1383

Apertado pela fome

Marcelino Vespeira (1925-2002)

Apertado pela fome, 1945 / Inv. 82P101

Homenagem a Carmen Amaya

Marcelino Vespeira (1925-2002)

Homenagem a Carmen Amaya, 1951 / Inv. 83P105

O Menino Imperativo

Marcelino Vespeira (1925-2002)

O Menino Imperativo, 1952 / Inv. 82E839

Óleo 54

Marcelino Vespeira (1925-2002)

Óleo 54, 1950 / Inv. 81P103

Simumis

Marcelino Vespeira (1925-2002)

Simumis, 1949 / Inv. 82P478

Figuras de sopro

Mário Cesariny (1923-2006)

Figuras de sopro, 1947 / Inv. 81P854

No camarote (inacabado)

Mário Eloy (1900-1951)

No camarote (inacabado), c.1945 / Inv. 80P201

Bom dia Genoveva

Mário Henrique Leiria (1923-1980)

Bom dia Genoveva, 1949 / Inv. 80P534

s/título

Paulo Ferreira (Paolo) (1911-1999)

s/título, Paris 1949 / Inv. DP1018

s/título

Paulo Ferreira (Paolo) (1911-1999)

s/título, Paris 1949 / Inv. DP1019

s/título

Paulo Ferreira (Paolo) (1911-1999)

s/título, Paris 1949 / Inv. DP1021

s/título

Paulo Ferreira (Paolo) (1911-1999)

s/título, Paris 49 / Inv. DP1016

Família

Rogério Ribeiro (1930-2008)

Família, 1951 / Inv. 81P98

New York

Thomaz de Mello (Tom) (1906-1990)

New York, 1940 / Inv. 73P94


Eventos Paralelos

Colóquio

A Cultura dos Anos 40

26 abr 1982 – 29 abr 1982
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Auditório 2
Lisboa, Portugal
Concerto

Música de Câmara

6 abr 1982 – 30 abr 1982
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Auditório 2
Lisboa, Portugal
Teatro

Portugal Anos 40

16 abr 1982
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Zona de Congressos
Lisboa, Portugal
Ciclo de cinema

Os Anos 40 na Arte Portuguesa

6 mai 1982 – 11 mai 1982
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Grande Auditório
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Colóquio «A Cultura nos Anos 40». Joel Serrão, Pedro Tamen e Nuno Portos na primeira sessão
Colóquio «A Cultura nos Anos 40». José de Azeredo Perdigão na primeira sessão
Colóquio «A Cultura nos Anos 40». Luís de Freitas Branco e Pedro Tamen na segunda sessão
Colóquio «A Cultura nos Anos 40». Tomás Ribas e Pedro Tamen na segunda sessão
Colóquio «A Cultura nos Anos 40». José-Augusto França na sessão de encerramento
Colóquio «A Cultura nos Anos 40». João Bénard da Costa na terceira sessão
José Augusto França e Madalena de Azeredo Perdigão (ao centro)
António Ramalho Eanes, presidente da República Portuguesa (ao centro) e José de Azeredo Perdigão (à dir.)
Fernando de Azevedo (à esq.), António Ramalho Eanes, presidente da República Portuguesa, Pedro Tamen (ao centro) e José de Azeredo Perdigão (à dir.)
Fernando de Azevedo (à esq.), António Ramalho Eanes, presidente da República Portuguesa, José Sommer Ribeiro (à dir.)
José Sommer Ribeiro, António Ramalho Eanes, presidente da República Portuguesa, Fernando de Azevedo (ao centro), José Sommer Ribeiro, Pedro Tamen (à dir.)

Documentação


Imprensa


Páginas Web


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 25150

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém programas, convites e terceiro volume (música) do catálogo da exposição. 1982 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 25403

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém programa e quinto volume (cinema) do catálogo da exposição. 1982 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 25215

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém programa e quarto volume (teatro) do catálogo da exposição. 1981 – 1981

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 25459

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém programa dos colóquios. 1982 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 25532

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém programas, convites e quarto volume (teatro) do catálogo da exposição. 1982 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15512

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém orçamentos, ofícios internos, convite de inauguração, seguros, correspondência recebida e expedida. 1980 – 1980

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15513

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência com emprestadores. 1980 – 1980

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15516

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém pedidos de catálogo, honorários colaboradores, lista de convidados, recortes de imprensa. 1982 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 19503

Pasta com documentação referente à produção do espetáculo teatral inserido na exposição. Contém orçamentos, correspondência recebida e expedida e recortes de imprensa. 1981 – 1981

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00246

Pasta com documentação referente à produção do espetáculo teatral inserido na exposição. Contém documentos sobre a vigilância das salas, visitas guiadas, correspondência recebida. 1981 – 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/002/01-D00294

Coleção fotográfica, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA-S004-P0071

Coleção fotográfica, p.b.: aspetos (FCG, Lisboa) 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02142

Coleção fotográfica, p.b.: aspetos (FCG, Lisboa) 1982

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/019-D02143

21 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1982


Exposições Relacionadas

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