Júlio Pomar (1926-2018)
Campinos, Inv. 67P289
Exposição dedicada ao artista Júlio Pomar (1926-2018), constituiu a primeira exposição de uma série congénere dedicada a artistas da «terceira geração» do modernismo português. Foi inaugurada na Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), tendo contado com cerca de 200 obras de pintura, desenho, escultura e gravura.
Segundo José Sommer Ribeiro, diretor do Serviço de Exposições e Museografia da FCG, a pertinência desta série de exposições de artistas portugueses do pós-guerra relacionava-se com o facto de, nas décadas anteriores, o Secretariado Nacional de Informação (SNI) já ter realizado numerosas exposições retrospetivas, tanto dos artistas modernistas, como dos então denominados artistas da «segunda geração».
Neste sentido, no ano de 1978 chegara o momento de o público português contactar diretamente com os artistas da «terceira geração», avançando a Fundação Calouste Gulbenkian com a conceção destas novas exposições de artistas portugueses com obras datadas de 1945 em diante, nas quais era proposta uma análise dos seus períodos criativos mais significativos.
No âmbito da planificação e organização das exposições, a FCG considerou importante iniciar este ciclo com uma mostra dedicada ao artista Júlio Pomar, autor de uma obra multifacetada e abrangente, que cobre as disciplinas de pintura, escultura, desenho, ilustração e tapeçaria, com incursões recorrentes no âmbito de projetos decorativos para arquitetura e cenografia, e inclusive na escrita, da crítica à poesia.
Por carta, José Sommer Ribeiro justificava assim a escolha do pintor Júlio Pomar para início deste ciclo de exposições: «A nossa escolha recaiu sobre Júlio Pomar, artista que desempenhou um papel muito importante a partir da data acima referida [1945], quer como figura principal do neo-realismo português, quer como um dos fundadores da Cooperativa “Gravura”, e que ao longo destes 30 anos se dedicou apenas à pintura e ilustração de livros, nunca recorrendo, ainda que com grandes sacrifícios, a segundos empregos. […] A obra de Júlio Pomar presta-se muitíssimo para a apresentação de períodos definidos, como são os chamados neo-realista, ciclo dos retratos, tauromaquias, etc.» (Apontamento do Serviço de Exposições e Museografia, abr. 1979, Arquivos Gulbenkian, SEM 00127)
O projeto da exposição contou com a orientação do próprio Júlio Pomar, na escolha das obras, e com a colaboração do colecionador de arte Manuel de Brito. Em Lisboa, a exposição obteve um enorme êxito junto do público e da crítica, tendo o número de visitantes ultrapassado largamente o previsto, o que consequentemente levou a uma segunda edição do catálogo.
A Fundação Calouste Gulbenkian organizou esta mesma exposição na cidade do Porto, no Museu Nacional de Soares dos Reis, em outubro do mesmo ano. Ainda no ano de 1978, e finda a sua itinerância por Portugal, o Centre Culturel et de Congrès de Woluwe-Saint-Pierre (Bruxelas, Bélgica) propôs levar a exposição a Bruxelas, o que imediatamente interessou à FCG, uma vez que tal iniciativa cumpria um dos seus objetivos, isto é, o da divulgação no estrangeiro, tanto deste artista como da arte portuguesa em geral. Assim, procedeu-se a nova seleção de obras do pintor, a qual, de novembro de 1978 a janeiro de 1979, esteve patente naquela cidade, voltando a registar-se significativa adesão por parte do público: «Não apenas pelo elevado número de visitantes, como pelas repercussões que teve nos meios artísticos e junto ao público em geral, de que a imprensa e a Rádio Televisão fizeram eco, o acontecimento teve assinalado êxito e constitui uma excelente manifestação da cultura portuguesa.» (Carta do embaixador português em Bruxelas para a FCG, jan. 1979, Arquivos Gulbenkian, SEM 00127)
Joana Brito, 2017
Campinos, Inv. 67P289
Cena na Praia, Inv. 62P259
Entrada de Touros, Inv. 63P356