Rubens e seus Gravadores
1978
Comemorações do IV Centenário do Nascimento do Pintor Peter Paul Rubens
Exposição de gravura, integrada nas comemorações do IV Centenário do Nascimento do pintor Peter Paul Rubens (1577-1640), comissariada por Frans Baudouin, conservador dos Museus de História da Arte de Antuérpia, e organizada pelo Serviço de Museu da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).
Esta exposição resultou do intercâmbio artístico entre a Embaixada da Bélgica e a FCG, que havia também colaborado nestas celebrações pela cedência temporária da obra Retrato de Helena Fourment, para a exposição evocativa do pintor realizada em Antuérpia.
Nessa ocasião, terá ficado acordada a vinda a Portugal de duas exposições integradas nas comemorações do quarto centenário do nascimento de Rubens: a primeira realizada ainda no ano de 1977, intitulada Obras de Rubens em Antuérpia, e a que aqui se detalha, dedicada aos temas de Rubens nas gravuras do século XVII, intitulada Rubens e Seus Gravadores.
Na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian estiveram patentes 103 gravuras originais, subordinadas aos temas da obra de Rubens, executadas por importantes gravadores flamengos de finais do século XVI e da primeira metade do século XVII. Esta escolha encontrava justificação no facto de Rubens se ter dedicado pouco à gravura, optando por contratar o trabalho de alguns gravadores para a divulgação da sua obra, quando a prática da gravura se começava a expandir, em consequência de vários desenvolvimentos técnicos. De entre estes gravadores, destacam-se Cornelis Bloemaert (1603-1692), que realizou as primeiras gravuras conhecidas feitas a partir de desenhos de Rubens, Schelte A. Bolswert (1586-1659) e Willem Buytewech (1592?-1624).
A exposição pretendeu evidenciar a forma determinante como Rubens influenciou as artes gráficas do seu tempo, como se assinala no catálogo: «Ao exigir na gravura um estilo mais pictórico, obrigava os artistas a afastarem-se da sua técnica tradicional e a procurarem novos processos de trabalho.» (Rubens e Seus Gravadores, 1977)
No âmbito das atividades complementares à exposição, realizaram-se dois concertos de obras clássicas dos séculos XVI e XVII, executados pelo cravista Jos van Immerseel, acompanhado por Mireille Capelle, na voz. Por ocasião da inauguração da exposição em Lisboa, foi igualmente realizada uma conferência sobre a vida e obra de Rubens, proferida pelo curador Frans Baudouin.
Depois de ter estado patente em Lisboa, a exposição seguiu para o Porto, tendo sido exibida no Museu Nacional de Soares dos Reis, a fim de possibilitar ao público do norte do país o contacto com este importante testemunho da obra de Peter Paul Rubens.
Filipa Coimbra, 2016