O Túmulo da Rainha Nofretari. Reconstituição Fotográfica

Exposição itinerante organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com as embaixadas de França e da República Árabe do Egito em Portugal. Mostrou a reconstituição fotográfica do túmulo da rainha egípcia Nofretari, em Tebas, estabelecendo um diálogo com a coleção de arte egípcia do Museu Gulbenkian.
Traveling exhibition organized by the Calouste Gulbenkian Foundation, in collaboration with the French and Arab Republic of Egypt embassies in Portugal. It showed the photographic reconstruction of the tomb of the Egyptian queen Nofretari, in Thebes, establishing a dialogue with the Egyptian art collection at the Gulbenkian Museum.

Exposição itinerante organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), em colaboração com as Embaixadas de França e da República Árabe do Egito em Portugal. Fruto da iniciativa da egiptóloga e conservadora-chefe do departamento de Antiguidades Egípcias do Musée du Louvre, Christiane Desroches-Noblecourt, mostrou a reconstituição fotográfica do túmulo da rainha egípcia Nofretari (também chamada Nefertari), que se encontra em Tebas.

Originalmente concebida com vista a integrar uma outra exposição, dedicada ao faraó Ramsés II e apresentada em 1976 no Grand Palais (Paris), esta mostra, comissariada por Christiane Desroches-Noblecourt, com o apoio de Diane Harlé, consistiu na reconstituição do túmulo da rainha egípcia Nofretari em painéis de reproduções fotográficas de grandes dimensões, integrando fotomontagens realizadas e cedidas pelos laboratórios da Kodak-Pathé, a partir de fotografias de Bellod, de Pierre Tetrel, de Fathi Ibrahim e da conservadora Diane Harlé. Christiane Desroches-Noblecourt já tinha anteriormente colaborado com a FCG, em 1962, no estudo da coleção de arte egípcia do Museu Calouste Gulbenkian.

Tratando-se de uma mostra itinerante, inserida no circuito internacional, passou também por Madrid e Marselha. Em Portugal, foi primeiramente apresentada em Lisboa, na sede da FCG, contando com o trabalho dos técnicos do Serviço de Exposições e Museografia e do Serviço de Museu da FCG na organização e montagem. Em seguida, rumando a norte, foi exibida no Porto, na Casa do Infante, espaço pertencente à Câmara Municipal. Nesta cidade, a exposição incluiu a apresentação de mais uma múmia e de diversas peças egípcias, provenientes da coleção do museu do Instituto de Antropologia Mendes Correia.

Vários foram os argumentos para a aceitação desta proposta, sendo a qualidade um dos mais persuasivos. Em ofício interno, a diretora do Serviço de Museu da FCG, Maria Teresa Gomes Ferreira, pronunciar-se-ia nos seguintes termos: «Embora se trate de uma exposição tipo reconstituição, a qualidade da mesma e o seu poder evocativo recomendam-na.» (Apontamento do Serviço de Museu, 11 set. 1978. Arquivos Gulbenkian, MCG 03064)

Outro dos intuitos da exposição consistia na possibilidade de esta se abrir a um diálogo construtivo com a secção egípcia da Coleção do Fundador, exposta no piso superior do Museu Calouste Gulbenkian, capaz de dilatar e cruzar leituras entre ambas: «É desejo do Museu desde há muito iniciar um ciclo de exposições que se integram sistematicamente no âmbito das suas colecções. Oferece-se desta forma a possibilidade de, em ligações com o sector de Arte Egípcia, se abrir a público um certame que documenta um período importantíssimo desse sector histórico-artístico.» (Ibid.)

A título de curiosidade, refira-se o interesse que este túmulo, descoberto em 1904 pelo egiptólogo italiano Ernesto Schiaparelli no Vale das Rainhas em Tebas, terá suscitado a Calouste Sarkis Gulbenkian, uma vez que este o terá visitado em 1934.

Por se tratar de fotomontagens de grandes dimensões e de enormes painéis montados, a exposição exigiu uma rigorosa metodologia de trabalho e planificação, quer em relação aos suportes, quer no que se refere às soluções de iluminação, o que justifica que tenha sido necessário recorrer a horas extraordinárias por parte dos técnicos da brigada de exposições da FCG.

Esta tipologia de exposição-recriação já havia sido experimentada em 1976, por ocasião da exposição evocativa de Calouste Sarkis Gulbenkian, integrada nas comemorações do 20.º aniversário da Fundação Calouste Gulbenkian, cujo êxito foi confirmado pela grande afluência de público.

Esta exposição, dedicada à rainha preferida de Ramsés II, teve idêntico acolhimento, tendo a sua apresentação em Lisboa registado 50 725 visitantes. Dada a afluência de público ao fim de semana, a FCG adotou como medida extraordinária a abertura, nesses dias, do parque de estacionamento destinado aos seus funcionários. O elevado número de visitantes fez-se também notar nas visitas guiadas e conferências, nomeadamente a proferida pela comissária Christiane Desroches-Noblecourt, que teve lugar no Grande Auditório da FCG e que contou com a presença de cerca de 800 pessoas.

A exposição foi acompanhada por um amplo programa de atividades complementares, no qual cabia a proposta de realização de visitas orientadas para públicos específicos (sénior e necessidades educativas especiais), mediado por colaboradoras que haviam «desenvolvido uma acção do maior interesse nesse campo de projecção terapêutico-social» (Apontamento do Serviço de Museu, 31 mai. 1979, Arquivos Gulbenkian, MCG 03064).

Inicialmente, esteve também prevista, para fins didáticos, a apresentação no setor documental dos «Ritos Funerários no Egipto», contíguo à exposição, de um sarcófago contendo uma múmia pertencente ao acervo do Museu Nacional de Arqueologia. Atrasos nos processos de empréstimo acabaram por inviabilizar esta iniciativa.

Por sua vez, na sala de conferência da sede realizaram-se diversas conferências dedicadas ao tema da exposição, duas delas realizadas por José António Ferreira de Almeida, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Neste ciclo de conferências participaram ainda João Manuel Bairrão Oleiro, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e Artur Nobre de Gusmão, diretor do Serviço de Belas-Artes da FCG.

Além do catálogo, que contextualizava e documentava amplamente a exposição, foi editado um jornal da exposição contendo apontamentos contextuais sobre a rainha egípcia Nofretari, a situação geográfica do túmulo e outros elementos informativos. Foi igualmente organizado um folheto dirigido à comunidade escolar, contendo informação sintetizada e gráfica sobre as representações simbólicas dos painéis.

A exposição teve grande impacto junto do público, mas também da crítica especializada. Nas palavras do crítico Mário de Oliveira: «Está de parabéns o Museu da Fundação Calouste […] por oferecer ao nosso público esta excelente exposição, onde se pode bem sentir todo o significado da grande civilização egípcia, e compreender também através de reproduções fotográficas a técnica empregada pelos egípcios na pintura mural.» (Oliveira, O País, 16 mar. 1979)

As graves cheias que assolaram o país em fevereiro de 1979 levaram ao adiamento da inauguração, inicialmente prevista para dia 20, para quatro dias mais tarde.

Filipa Coimbra, 2017

Upon the initiative of the Head Conservator of the Egyptian Antiquities Department of the Musée du Louvre, Christiane Desroches-Noblecourt (1913-2011), a proposal was made to the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG) to hold an exhibition formed of a photographic colour reconstruction of the tomb of Egyptian queen Nefertari (Thebes). The reproduction was initially made for an exhibition on Pharaoh Ramses II held at the Grand Palais (Paris) in 1976 (Project for the exhibition "O túmulo da Rainha Nofretari", 18 Jul. 1976, Arquivos Gulbenkian, MCG 03064).
Organised by the FCG in cooperation with the French Embassy in Portugal and the Embassy of the Arab Republic of Egypt in Portugal, the exhibition, curated by Christiane Desroches-Noblecourt with support from Diane Harlé, comprised a reconstruction of the tomb of the Ancient Egyptian queen on large panels with photographic reproductions and photomontages made and lent by the Kodak-Pathé laboratories based on photographs by Bellod, Pierre Tetrel, Fathi Ibraham and conservator Diane Harlé.
As a travelling exhibition on an international journey that also passed through Madrid and Marseilles, it was first shown in Portugal at the FCG main building, where it was organised and set up by technical staff from the FCG Exhibitions and Museography and Museum Departments. It was later shown in Porto, at the Casa do Infante, a space belonging to the city council. In Porto, the exhibition also included a mummy and several other Egyptian pieces from the museum collection at the Instituto de Antropologia Mendes Correia.
There were several arguments for accepting this proposal, not least its excellent quality. In an internal memo, the head of the Museum Department, Maria Teresa Gomes Ferreira, said the following: "Although it is a reconstruction-type exhibition, its quality and evocative power mean it is recommended" (Note by the Museum Department, 11 Sept. 1978, Gulbenkian Archives, MCG 03064).
Another of the exhibition's aims was the chance it provided to create a constructive dialogue with the Egyptian section of the Founder's Collection, exhibited on the upper floor of the Calouste Gulbenkian Museum, which could broaden and intersect interpretations of both: "The Museum has long wished to start a series of exhibitions that are systematically integrated into the scope of its collections. In the connections with the Egyptian Art section, this is an opportunity for an event to open to the public that documents a highly important period of that historical and artistic section (
ibidem).
It is also worth noting that Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955) himself was interested in this tomb and visited it in 1934; the archaeological discovery was made in 1904 by Italian Egyptologist Ernesto Schieparelli (1856-1928) at the cliffs of the Valley of the Queens in Thebes.
Since the exhibits were large photomontages and enormous mounted panels, the exhibition required careful work and planning in relation to the media used and the illumination solutions deployed, and there was even an indication of the need for technical staff in the FCG Exhibitions Team to do overtime (Note by the Exhibitions and Museography Department, 7 Feb. 1979, Gulbenkian Archives, SEM 00145).
This type of exhibition-recreation had already been tried by the FCG in 1976 with an exhibition relating to the founder Calouste Sarkis Gulbenkian, as part of the commemorations of 20 years of the FCG; it had been enormously successful and was visited by a large number of people. This exhibition, dedicated to Ramses II's favourite queen, was similarly received and saw a total of 50,725 visitors in Lisbon.
Due to the people visiting at weekend, the FCG took extraordinary measures, opening the car park normally used by staff to the public on those days. The high number of visitors was also recorded in guided tours and conferences, such as the talk given by curator and French Egyptologist Christiane Desroches-Noblecourt which took place at the FCG's Grand Auditorium, attended by roughly 800 people.
The exhibition was joined by a range of complementary activities, including the proposal to carry out guided tours for specific groups (Seniors and people with Special Educational Needs) based on the experience of staff members who had "carried out very interesting work in the therapeutic-social outreach field" (Note by the Museum Department, 31 May 1979, Gulbenkian Archives, MCG 03064).
A sarcophagus was initially intended to be included "for educational purposes". It contained a mummy belonging to a document section, "Funeral Rites in Egypt", of the Museu Nacional de Arqueologia, connected to the exhibition. Delays in loan processes eventually stopped this initiative from going ahead.
Several conferences were also held at the conference room of the head office on the theme of the exhibition. Among them, two were held by a history of art professor at the University of Porto Faculty Of Letters, José António Ferreira de Almeida (1913-1981). Speakers in this series of conferences also included João Manuel Bairrão Oleiro (1923-2000), professor in archaeology at the University of Coimbra Faculty of Letters, and Artur Nobre de Gusmão (1920-2001), lecturer and head of the FCG Fine Arts Department.
As well as the exhibition catalogue, which provided context and broad-reaching texts and images on the exhibition, an "exhibition newspaper" was also published containing contextual notes on the central figure of the exhibition, the geographic location of the tomb and other information. A leaflet was also drawn up for the school community containing summarised information and images about the panels' symbolic depictions.
The exhibition had an extensive impact on the public but also on specialised critics. In the words of critic Mário de Oliveira: "The Calouste Gulbenkian Foundation Museum should be congratulated (...) for offering our public this excellent exhibition, where we can really feel all the significance of the great Egyptian civilisation and also understand by way of photographic reproductions the techniques used by Egyptians for wall painting" (Oliveira, O País, 16 Mar. 1979).
The severe floods that affected the country in February 1979 led the opening, originally scheduled for the 20th, to be delayed for four days.

Ficha Técnica


Eventos Paralelos

Ciclo de conferências

[O Túmulo da Rainha Nofretari. Reconstituição Fotográfica]

30 mar 1979 – 5 abr 1979
Fundação Calouste Gulbenkian / Museu Calouste Gulbenkian – Sala de Conferências
Lisboa, Portugal
Conferência / Palestra

Ramsès, le Pharaon Miracle

20 mar 1979
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Grande Auditório
Lisboa, Portugal
Visita(s) guiada(s)

[O Túmulo da Rainha Nofretari. Reconstituição Fotográfica]

1979
Fundação Calouste Gulbenkian / Museu Calouste Gulbenkian – Galeria de Exposições Temporárias
Lisboa, Portugal
Exposição paralela

Exposição de Aguarelas de Rui Azevedo

abr 1979 – 31 mai 1979
Fundação Calouste Gulbenkian / Biblioteca de Arte – Hall
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Álbum com fotografias da inauguração da exposição
Ciclo de conferências «O Túmulo da Rainha Nofretari. Reconstituição Fotográfica». Prof. Ferreira de Almeida (ao centro)
Concurso «Exposição de Aguarelas de Rui Azevedo»
Concurso «Exposição de Aguarelas de Rui Azevedo»
Concurso «Exposição de Aguarelas de Rui Azevedo»
Concurso «Exposição de Aguarelas de Rui Azevedo»
José de Azeredo Perdigão (à esq.), Christiane Desroches-Noblecourt (à frente) e Maria Teresa Gomes Ferreira (à dir.)
Christiane Desroches-Noblecourt (à esq.)
Madalena de Azeredo Perdigão (à esq.), José de Azeredo Perdigão (ao centro) e Christiane Desroches-Noblecourt (à dir.)
José de Azeredo Perdigão (à esq.) e Christiane Desroches-Noblecourt (à dir.)
Christiane Desroches-Noblecourt (ao centro)

Multimédia


Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Museu Calouste Gulbenkian), Lisboa / MCG 03064

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém orçamentos, correspondência recebida e expedida, elementos para o catálogo de exposição, folheto, relatório sobre afluência, programa de extensão cultural e recortes de imprensa. 1978 – 1979

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00145

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém convites, orçamentos, correspondência recebida e expedida, ofícios internos, cartaz da exposição em Madrid e recortes de imprensa. 1978 – 1979

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Comunicação), Lisboa / COM-S001/011/04-D00903

11 provas, p.b.: inauguração (FCG, Lisboa) 1979

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00145

2 provas, p.b.: aspetos (Casa do Infante, Porto) 1979


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