Roberto Burle Marx
1973
Organizada em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian e a Embaixada do Brasil, a exposição retrospetiva da obra de Roberto Burle Marx (1909-1994) pretendeu divulgar o eclético artista, através dos seus desenhos, pinturas, esculturas, tapeçarias e projetos arquitetónicos.
Mais conhecido pela sua carreira de arquiteto paisagista, o «pintor-arquitecto» ou «jardineiro paisagista», como é normalmente identificado, é considerado um dos grandes expoentes da arte brasileira contemporânea, sendo-lhe atribuído o mérito de ter compreendido e definido o tipo de jardim que, no seu país, deveria substituir o tradicional jardim de inspiração francesa (Versalhes), adaptado às verdadeiras características da flora brasileira (Roberto Burle Marx, 1973).
Antes da montagem em Lisboa, esta exposição havia já percorrido, em 1972, as cidades de Londres (no Institute of Contemporary Art) e de Paris. Em Lisboa, a mostra contou com a cooperação do crítico brasileiro Clarival do Prado Valladares e do arquiteto paisagista, de origem portuguesa, Gonçalo Ribeiro Telles, que não só apoiaram os trabalhos de conceção e produção da exposição, como assinaram os textos do catálogo. Roberto Burle Marx participou igualmente na produção desta exposição na Fundação Calouste Gulbenkian.
Depois da inauguração, em 12 de janeiro de 1973, realizou-se uma conferência, no dia 16 de janeiro, proferida por Burle Marx e intitulada «Jardim e Ecologia», bem como uma exibição de 500 diapositivos da autoria do arquiteto Haruyoshi Ono, amigo e discípulo de Burle Marx, e, ainda, a projeção de um filme-documentário sobre ambos os arquitetos.
Em virtude do êxito alcançado e da grande adesão do público, a exposição foi prolongada por mais uma semana, tendo ultrapassado as 12 mil visitas (Jornal do Comércio, 14 fev. 1973).
Joana Brito, 2016