Arquitectura Romana em Portugal

I Encontro Luso-Tunisino de Arqueologia Romana

Exposição fotográfica de itinerância nacional, integrada na programação do I Encontro Luso-Tunisino de Arqueologia Romana, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Instituto Nacional de Arqueologia e Arte de Tunes. Com um total de 72 fotografias, teve lugar preferencial em estabelecimentos de ensino, bibliotecas, museus e centros culturais.
Photographic exhibition touring internationally, included in the programme of the 1st Luso-Tunisian Conference on Roman Archaeology, organised by the Calouste Gulbenkian Foundation and the Tunisian National Institute of Archaeology and Art (INAA). The show, consisting of 72 photographs, was displayed prominently in educational institutions, libraries, museums and cultural centres.

Esta exposição de documentação fotográfica, inicialmente prevista e concebida para realizar um programa de itinerância por Portugal, apresentou-se pela primeira vez em Tunes, integrada na programação do I Encontro Luso-Tunisino de Arqueologia Romana, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) em colaboração com o Institut National d’Archeologie et d’Art de Tunes.

O Encontro foi organizado na sequência do acordo assinado entre as duas instituições, no qual a FCG se dispunha a subsidiar as obras de conservação e restauro do anfiteatro romano de El Jem, que alguns anos mais tarde, em 1979, viria a ser declarado Património da Humanidade pela UNESCO.

A representação portuguesa contou com a presença de Artur Nobre de Gusmão e de Pedro Tamen, respetivamente diretor do Serviço de Belas-Artes e administrador da FCG, e com o diretor do Museu Etnográfico J. Leite de Vasconcelos, João Bairrão Oleiro. Este último colaborou, juntamente com Adília Alarcão, diretora das Ruínas de Conímbriga, Fernando Peres Guimarães, diretor da DGEMN, e Jorge Alarcão, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, na organização da exposição que procurou documentar fotograficamente templos, santuários, teatros, termas, aquedutos, estradas e pontes, assim como exemplos da arquitetura civil e militar do período romano em Portugal, desde Braga (Bracara Augusta) até Faro (Milreu), passando por Conímbriga, Lisboa e Évora, entre tantas outras localidades, num total de 72 fotografias, a preto-e-branco e a cores.

Após a apresentação na Tunísia, e à semelhança da circulação da exposição por algumas cidades tunisinas, a mostra viria a percorrer diversas localidades portuguesas durante os anos de 1977 e 1989, considerando o «[interesse] documental e pedagógico e a importância de que se reveste toda a acção sensibilizadora para o melhor conhecimento e defesa dos nossos valores patrimoniais arqueológicos e artísticos» (Carta de Artur Nobre de Gusmão para o Presidente do Conselho Diretivo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 17 fev. 1977, Arquivos Gulbenkian, SBA 15588).

Para tal, no decorrer do ano de 1977, a FCG auscultou as principais universidades do país com vista a aferir o seu interesse em receber a exposição, inaugurando-se o ciclo de itinerâncias nacionais na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, cuja organização coube ao Instituto de Arqueologia, tutelado por Jorge Alarcão.

A consulta do material de arquivo evidencia a forma entusiástica com que todas as instituições acolheram a exposição.

A FCG estabeleceu circuitos preferenciais, com incidência em estabelecimentos de ensino, bibliotecas, museus e centros culturais. Empreendendo uma ação «descentralizadora», procurou percorrer o país, de norte a sul, com exposições itinerantes como esta, de fácil transporte e acessível montagem. Outros exemplos de mostras itinerantes organizadas e promovidas pela FCG, e que contaram com ampla circulação nacional, foram as exposições «A Talha em Portugal» (de 1963 a 1990) e «Presépios Portugueses» (de 1980 a 1990).

Apesar de os vários momentos da itinerância se terem realizado, na sua maioria, em zonas ou regiões do território continental de Portugal, numa nota do Serviço de Belas-Artes é mencionada a intenção de «organizar os circuitos da exposição com a liberdade que permita que vão sendo feitos “desvios” e modificações […], de modo a que tanto quanto possível o certame apareça, por interesse local, espontâneo e não em cumprimento racional dum plano externo» (Apontamento do Serviço de Belas-Artes, 22 abr. 1977, Arquivos Gulbenkian, SBA 15588).

Cada localidade ficou responsável pela programação das suas atividades de extensão cultural, que incluíram visitas guiadas à exposição ou eventos associados, como palestras e conferências, que, segundo os registos, contaram com a participação de muitas escolas.

A exposição encontra-se bem documentada, conservando relatórios de atividades bastante completos, como o atesta o relatório realizado pela Universidade do Minho aquando da passagem da exposição por Braga, de que consta a programação complementar, a receção do público e da crítica, bem como material de divulgação da exposição.

O material expositivo, não obstante ter sido pontualmente necessário proceder a ações de beneficiação e restauro, resistiu bastante bem às sucessivas montagens e desmontagens exigidas pela itinerância da exposição. Sabe-se, por exemplo, que no ano de 1980, passados quatro anos da sua primeira montagem, foi necessário proceder à renovação e beneficiação da exposição, incluindo-se no discurso expositivo mais seis caixas para visualização de transparências a cores.

A FCG, que nestes anos dedicou parte da sua ação a exposições temáticas, documentais e itinerantes, dispunha de um armazém em Carnaxide especialmente dedicado ao acondicionamento destas exposições.

Esta exposição, ao não se circunscrever ao círculo estrito de Lisboa, possibilitou a quem vivia em zonas mais periféricas o acesso à produção arquitetónica e artística. Desse modo, a amplitude da sua circulação e extensão temporal traduziu-se num número apreciável de visitantes. A sistematização dos dados recolhidos até então dá-nos uma ideia da repercussão e importância do evento. A exposição percorreu o país durante treze anos, tendo sido apresentada em 33 operações culturais. Contou igualmente com algumas apresentações pontuais no estrangeiro, designadamente em Bordéus (França) e em Budapeste (Hungria), por ocasião do Encontro Luso-Húngaro de Arqueólogos.

Filipa Coimbra, 2016

The exhibition, initially designed and developed to travel around Portugal, was first shown in Tunis as one of the events for the First Luso-Tunisian Meeting on Roman Archaeology, which was organised by the Calouste Gulbenkian Foundation (FCG) in cooperation with the Institut National d'Archéologie et d'Art [National Institute of Archaeology and Art]in Tunis.
This Meeting was organised following an agreement signed between the two institutions in which the FCG made itself available to subsidise the conservation and restoration works for the El Jem Roman amphitheatre that would, in 1979, be declared a World Heritage Site by UNESCO.
The Portuguese representation included a member of the FCG Board of Directors, Pedro Tamen (1934), the head of the FCG Fine Arts Department, Artur Nobre de Gusmão (1920-2001), and the director of the Museu Etnográfico J. Leite de Vasconcelos, João Bairrão Oleiro (1923-2000). The latter worked together with Adília Alarcão (1933), director of the Conímbriga ruins site, with the director of Portugal's General-Directorate for Buildings and National Monuments, Fernando Peres Guimarães (1918-2016), and University of Coimbra Faculty of Letters lecturer Jorge Alarcão (1934) to organise the exhibition. The event aimed to use photographs to document temples, shrines, theatres, baths, aqueducts, roads and bridges, as well as other examples of civil and military architecture from the Roman period. The locations depicted stretched from Braga (Bracara Augusta) to Faro (Milreu), passing through Conímbriga, Lisbon and Évora, among many other places, in a total of 72 black-and-white and colour photographs.
After they were exhibited in Tunisia, similarly to their journey through several Tunisian cities, the photographs would visit a number of Portuguese locations in 1977 and 1989: (...) due to the nature and quality of the event, its documentary and pedagogical [interest] and the importance of the entire event in raising awareness and defending our archaeological and artistic heritage treasures (...). (Letter from Artur Nobre de Gusmão to the Chairman of the Governing Council of the University of Coimbra Faculty of Letters, 17 Feb. 1977, Gulbenkian Archives, SBA 15588)
For this to happen, in 1977, the FCG surveyed interest among the country's main universities in holding the exhibition, and its journey began at the University of Coimbra's Faculty of Letters, organised by the Instituto de Arqueologia, led by Jorge Alarcão (1934).
Archive material shows how enthusiastically the institutions welcomed the exhibition. The FCG established preferences for locations where the exhibition would be held, such as educational establishments, libraries, museums and cultural centres.
The FCG therefore undertook a decentralising action that sought to travel all over the country, from top to bottom, with travelling exhibitions such as this one that could be easily transported and affordably put together. Other examples of travelling exhibitions organised and developed by the FCG and that moved widely around the country include the exhibitions A Talha em Portugal [(Woodcarving in Portugal, 1963-1990)] and Presépios Portugueses [(Portuguese Nativity Scenes, 1980-1990)].
Although these travelling exhibitions were held at different times, mostly in areas or regions of mainland Portugal, a note from the Fine Arts Department states an intention to (...) organise circuits of exhibitions with enough freedom for them to be 'diverted' and modified that, without disregarding any possible commitments, the events can be held, as far as possible, if there is local, spontaneous interest and do not have to rationally follow any external plan. (Note by the Fine Arts Department, 22 Apr. 1977, Gulbenkian Archives, SBA 15588)
Each location was responsible for scheduling its own cultural activities alongside the exhibition, such as guided tours, and there is evidence that many schools participated in related events, such as talks and conferences.
A report drawn up by the University of Minho at the time the exhibition was in Braga includes the accompanying programme of events, the exhibition's reception by the public and critics, and advertising materials.
Although it was occasionally necessary to carry out improvement or restoration works, the exhibition withstood the successive assembling and disassembling required by the exhibition's tour. It is known, for example, that in 1980, four years after it was first held, six more boxes of colour transparencies needed to be included in the exhibition.
The FCG, which dedicated some of its work over these years to themed, document-based and travelling exhibitions, had a storeroom in Carnaxide just for preparing those events.
Due to the distance covered and the length of the exhibition, it had an appreciable number of visitors. The audience was not only restricted to a small circle in Lisbon, which meant that the public further away from art centres could have access to architectural and artistic output. Systematisation of the data collected up to that point gives us an idea of the event's repercussions and importance. The exhibition travelled around the country for 13 years, with some occasional trips abroad - France (Bordeaux) and Hungary (Budapest) for the Luso-Hungarian Archaeologists' Meeting - and opened at 33 cultural sites.

Ficha Técnica


Eventos Paralelos

Congresso / Simpósio

I Rencontre d'Archéologie Romaine

jun 1976
Institut National d'Archéologie et d'Art de Tunes
Tunes, Tunísia
Ciclo de conferências

Arquitectura Romana em Portugal

17 fev 1978 – 18 fev 1978
Campo Arqueológico de Braga. Universidade do Minho
Braga, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Visita guiada
Visita guiada
Visita guiada

Documentação


Imprensa


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15588

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência recebida e expedida, material gráfico, material fotográfico, catálogo, orçamentos e ofícios internos. 1977 – 1988

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15575

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém correspondência recebida e expedida e ofícios internos. 1983 – 1992

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 25113

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém folheto da exposição. 1976 – 1989

Arquivos Gulbenkian (Presidência), Lisboa / PRES 00730

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém informações relativas à organização do I Encontro de Arqueologia Luso-Tunisino e ao protocolo de cooperação entre os dois países. 1969 – 1983

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 15588

4 provas, p.b.: visita guiada (Museu Regional de Lamego, Lamego); 8 provas, p.b.: aspetos (Villa Romana de São Cucufate, Vidigueira); 1 prova, p.b.: aspeto (Sociedade Martins Sarmento, Guimarães) 1977 – 1988


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