Deutsche Graphik Der Gegenwart / Gravura Alemã dos Nossos Dias
1981
Nesta mostra, que já havia sido apresentada em anos anteriores em Viena, Londres, Helsínquia, Atenas, Rio de Janeiro, Tóquio e outras cidades, foram apresentados 130 trabalhos de 54 artistas, executados nas décadas de 1960 e 1970. O objetivo era apresentar um panorama representativo da atividade artística germânica no campo da gravura, uma das áreas de maior tradição artística naquela região da Europa.
As gravuras expostas foram recolhidas ao longo de dez anos e pertenciam à coleção da companhia aérea Lufthansa, que, no breve texto justificativo da exposição, defendia que as funções de instituições da sua natureza deveriam ir além dos serviços de transporte de passageiros e de carga e das finalidades meramente económicas. No mesmo texto, lia-se que companhias como a Lufthansa deveriam responsabilizar-se também por promover o desenvolvimento das relações culturais entre os países e as relações humanas entre as nações: «Cabe às companhias aéreas transmitir para o estrangeiro uma imagem tão clara e rigorosa quanto possível das suas nações. Para além da sua função primordialmente económica, uma companhia aérea pode fazer digressões em áreas especificamente culturais. A presente coleção de gravuras é uma digressão deste tipo e, embora obviamente incompleta, oferece um núcleo representativo desta actividade, tal como é praticada na Alemanha nos últimos anos.» (Gravura Alemã dos Nossos Dias, 1981)
A exposição apresentada em Lisboa exibiu uma seleção da vasta coleção de gravuras, reconhecendo todavia não lhe ser possível «apresentar um panorama completo de todos os variados aspectos e matizes de que esta forma de arte se tem revestido na nossa era actual, em permanente mudança, nem tão-pouco […] fazer cobertura de todos os artistas que se têm vindo a dedicar a este tipo de arte» (Ibid.).
O catálogo Deutsche Graphik der Gegenwart / Gravura Alemã dos Nossos Dias foi publicado em alemão pela própria companhia aérea, que, no âmbito do certame, distribuiu alguns exemplares pela Fundação Calouste Gulbenkian. O catálogo incluía ainda um pequeno desdobrável editado pelo Serviço de Exposições e Museografia, com tradução para português.
Da crítica saída na imprensa, destaca-se um excerto da autoria de Fernando de Azevedo: «No seu conjunto, esta exposição é um exemplo a reter sobre as virtudes da arte gráfica, no modo como nela se projectam e difundem as consequências da pintura ou como nela própria se organizam, e pelos seus meios, a originalidade e os conceitos de uma arte que, até [há] relativamente pouco tempo, não passava de serventuária (fora casos excepcionais) das obras de pintura. Este ganhar de autonomia da gravura, até na diferença dos actuais formatos se reconhece. Começa a disputar o lugar do quadro, no momento em que este parece perdê-lo. Fenómeno que terá a ver com certeza com as razões dos mass-media, e com a acessibilidade de aquisição, mas que, por outro lado, tem permitido aos pintores desenvolver uma linguagem específica em que nada perdem na sua dimensão criativa.» (Colóquio/Artes, n.º 50, 1981)
Joana Brito, 2015