A Paisagem na Pintura Espanhola Contemporânea
1971
Semana Cultural Espanhola em Lisboa
No âmbito da Semana Espanhola, encontro luso-espanhol realizado em Lisboa, a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) apresentou, no final de março de 1971, na Galeria de Exposições Temporárias, a exposição «A Paisagem na Pintura Espanhola Contemporânea», organizada em articulação com uma mostra de mais de cem livros de arte, intitulada «O Livro de Arte Espanhol».
Em artigo então publicado, era referido que os livros de arte, «100 exemplares […] representando mais de 26 das categorias editoriais do país vizinho» («Duas exposições de arte inauguradas pelo chefe do Estado na Fundação Gulbenkian», A Época, 28 mar. 1971), expostos no átrio da Galeria de Exposições Temporárias da FCG, faziam a justa introdução à exposição de pintura, «como se nos quisessem dizer que foi sempre terra de artistas a que produziu Velázquez e Zurbarán e Goya e Berrugue[te]» («Livros e pintores da Espanha dos nossos dias», Jornal do Comércio, 3 abr. 1971).
A exposição «A Paisagem na Pintura Espanhola Contemporânea» apresentou 67 quadros de 26 artistas. Em linhas gerais, esta mostra foi recebida com entusiasmo, por exaltar a diversidade de tendências artísticas representadas, que no seu conjunto formava «uma expressiva afirmação do poder criador dos artistas plásticos espanhóis, que se têm manifestado ao longo dos últimos 50 anos» (Primeiro de Janeiro, 28 mar. 1971). Contudo, essa mesma variedade refletia-se, de acordo com alguns críticos, na qualidade díspar dos artistas representados: «Variados, sim, embora todos com aquele nível mínimo para uma exposição destas. Verdade seja que, aqui e além, o nível não vai muito além do mínimo, já que se sentiu nesta ou naquela escolha benevolência compreensível. Às vezes a representatividade, outras vezes o fogo de vistas impuseram-se. Mas em muito poucos casos, diga-se.» («Livros e pintores da Espanha dos nossos dias», Jornal do Comércio, 3 abr. 1971)
«[A exposição] podia ser representativa de muitos outros maiores valores e dispensava a presença de outros de significado menor.» (M. A., Diário de Notícias, 2 abr. 1971)
Na inauguração estiveram presentes várias personalidades nacionais e espanholas, entre as quais o presidente da República, Almirante Américo Tomás, que se deteve longamente perante o «conjunto magnífico de trabalhos editoriais das grandes casas espanholas» e «escutou atentamente todos os pormenores da explicação que lhe era dada [por José Romero Escassi] sobre os quadros expostos» («Duas exposições de arte inauguradas pelo chefe do Estado na Fundação Gulbenkian», A Época, 28 mar. 1971).
Em notícia publicada no Jornal do Comércio de 21 de abril de 1971, refere-se que as duas exposições «registaram já um total de cerca de 2000 visitantes».
Joana Baião, 2015