Acesso Interdito

Exposição organizada no contexto da reabertura do renovado Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, após sete meses de obras, entre 2013 e 2014. A exposição, essencialmente documental, reúne um conjunto de fotografias da autoria de Ana Gaiaz e Márcia Lessa, que registam o projeto e os intervenientes neste processo de renovação do espaço.
Exhibition organised for the re-opening of the renovated Great Auditorium of the Calouste Gulbenkian Foundation after seven months of renovations between 2013 and 2014. The event, essentially a documentary exhibition, brought together a selection of photographs taken by Ana Gaiaz and Márcia Lessa of the project and the workers during the renovations.

Num tempo recorde de sete meses, entre 2013 e o início de 2014, a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) levou a cabo uma grande obra de renovação do Grande Auditório do seu Edifício Sede, coordenada por Celso Matias, responsável pelo programa de obras, e pela arquiteta Teresa Nunes da Ponte. A obra, que se pretendia o mais «invisível» possível, envolveu um grande restauro, pensado sobretudo para o reforço e manutenção do equipamento, e para a sua generalizada melhoria. Sem alterar traços característicos da estrutura de raiz do Auditório, este desafio, afirma Teresa Nunes da Ponte, foi empreendido com uma «atitude de grande humildade» (Cardoso, Público, 14 fev. 2014) face ao projeto de arquitetura original do edifício modernista de 1969.

Assim, e contando com uma mão-de-obra de 250 trabalhadores, a construção «focou-se no Grande Auditório, mas houve também intervenções nas suas áreas adjacentes – a sala do coro, renovada; o subpalco, que ganhou mais um elevador e um monta-cargas […] e a nova sala de ensaios da orquestra» (Ibid.). Completando o inventário das alterações da intervenção no espaço do Grande Auditório, Celso Matias, referiu ainda que o mesmo «ganhou mais espaço nas coxias para se adequar aos regulamentos de segurança», relativos aos espectadores com mobilidade reduzida, e ainda «dois novos camarotes» (Ibid.). Os materiais também foram renovados, mantendo o desenho do espaço. O responsável pelo programa da obra sumariza, num tom bem-humorado: «Tudo isto é novo, mas é a mesma coisa.» (Ibid.)

Nesse âmbito, foi pedido a duas colaboradoras da Fundação – Márcia Lessa, fotógrafa com passagem pelo fotojornalismo e pela fotografia de cena e autora de inúmeras reportagens fotográficas da Fundação Calouste Gulbenkian, e Ana Gaiaz, diretora de cena, quadro superior da Fundação desde 1985, com um percurso paralelo na fotografia desde 1997 – que fizessem uma cobertura fotográfica das obras de construção através de dois pontos de vista necessariamente distintos: um de natureza essencialmente documental, que visava uma reportagem fotográfica integral da obra, registado por Márcia Lessa; e outro mais livre, «sem guião ou alinhamento documental» (Carta enviada por Ana Gaiaz, 6 abr. 2020, Arquivos Gulbenkian, ID: 267648), conduzido por Ana Gaiaz. Estas imagens foram produzidas pelas duas fotógrafas durante o mesmo período de tempo e no rigoroso espaço físico da construção, compreensivelmente interdito a estranhos à obra, o que dá o mote para o título da exposição. Mesmo produzidas a partir de pontos de vista distintos, as imagens, todas a cores, parecem variar entre uma contextualização faseada, e por vezes mesmo ordenada, das várias etapas da construção – a captação do espaço e da arquitetura, dos materiais, dos instrumentos e da atmosfera própria de uma obra de construção, alternando entre uma paisagem movimentada e turbulenta e outra mais desolada, em ruínas – e uma interpretação com maior carga expressiva, na qual os mesmos elementos da reportagem se diluem numa dimensão mais subjetiva, desde os fios elétricos aos canos, passando pelos operários, ou pelo registo dos momentos de ensaio, indiciando um olhar mais comprometido, o do fotógrafo.

«Acesso Interdito» foi, então, uma iniciativa organizada pelo Gabinete do Presidente, em colaboração com os coordenadores da obra, Celso Matias e Teresa Nunes da Ponte, e com os Serviços Centrais, o Centro de Arte Moderna, o Serviço de Comunicação e, finalmente, o Museu Calouste Gulbenkian.

A mostra, com desenho de projeto de Mariano Piçarra, foi apresentada de forma clara, numa divisão do espaço expositivo em duas partes, correspondentes aos conjuntos de fotografias das duas autoras. Na primeira parte da sala, estavam dispostas as fotografias de Márcia Lessa e na segunda parte, encontravam-se as fotografias de Ana Gaiaz, acompanhadas por um texto de parede também da sua autoria. Integrou-se ainda na exposição, ao fundo da sala, um apontamento sonoro, resultante de uma recolha de sons da obra de construção. A exposição fez-se acompanhar de uma folha de sala com dados biográficos das duas fotógrafas.

Será de assinalar também que uma parte substancial do material fotográfico da exposição foi utilizado posteriormente na publicação Fundação Calouste Gulbenkian: Restauro e Renovação do Grande Auditório, coordenada por Ana Tostões em 2015. As fotografias foram sendo mostradas, posteriormente, noutros locais de convívio da Fundação, como na cafetaria e no refeitório de funcionários do terceiro piso do edifício.

Para a reabertura do Grande Auditório, além da inauguração da mostra «Acesso Interdito», foram pensados diversos eventos que pretendiam uma celebração adequada. A 14 de fevereiro, a Fundação concebeu um programa exclusivo para os seus funcionários, que se iniciou com uma intervenção de Artur Santos Silva, presidente da Fundação, e integrou os seguintes momentos: o concerto da Orquestra Gulbenkian, que, dirigido pela maestrina Joana Carneiro, interpretou Assim falou Zaratustra, op. 30, de Richard Strauss; a mostra do filme Grande Auditório: Memória de uma Obra, do cineasta João Mário Grilo, sobre os meses de obras (que no dia seguinte foi apresentado em sessões contínuas); a visita à exposição (ainda por inaugurar) de fotografia «Acesso Interdito» e um cocktail. A 15 de fevereiro, dá-se a reabertura oficial do Grande Auditório, com a presença de Aníbal Cavaco Silva, à data presidente da República Portuguesa. A mostra «Acesso Interdito» foi inaugurada neste contexto comemorativo, no qual se destacaram diversos eventos: a exibição do filme-ópera Elektra; o concerto da Orquestra XXI interpretando a Sinfonia n.º 1 de Mahler; o concerto Vem Cantar Gershwin com o Coro Gulbenkian; e o concerto da Orquestra Gulbenkian a interpretar Berlioz e Strauss. Foi também exibido o filme 2001: Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.

Vera Barreto, 2020


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Eventos Paralelos

Programa cultural

Acesso Interdito. Festa Reabertura

15 fev 2014
Fundação Calouste Gulbenkian / Edifício Sede – Grande Auditório
Lisboa, Portugal

Publicações


Material Gráfico


Fotografias

Maria Cavaco Silva, Aníbal Cavaco Silva e Márcia Lessa
Artur Santos Silva, Maria Cavaco Silva, Aníbal Cavaco Silva e Márcia Lessa
Aníbal Cavaco Silva, Maria Cavaco Silva e Márcia Lessa
Artur Santos Silva, Maria Cavaco Silva, Aníbal Cavaco Silva e Márcia Lessa
Maria Cavaco Silva, Aníbal Cavaco Silva e Ana Gaiaz
Aníbal Cavaco Silva e Ana Gaiaz
Rui Machete (ao centro) e Isabel Mota (à dir.)
Aníbal Cavaco Silva e Maria Cavaco Silva
Aníbal Cavaco Silva e Ana Gaiaz
Aníbal Cavaco Silva e Ana Gaiaz
Aníbal Cavaco Silva e Ana Gaiaz

Documentação


Periódicos


Fontes Arquivísticas

Arquivo Digital Gulbenkian, Lisboa / ID: 186253

Coleção fotográfica, cor: inauguração (FCG, Lisboa) 2014


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