A História Partilhada. Tesouros dos Palácios Reais de Espanha
2014
Cocomissariada por João Castel-Branco Pereira, diretor do Museu Calouste Gulbenkian (MCG), e por Pilar Benito García e Álvaro Soler del Campo, conservadores do Património Nacional de Espanha (PNE), a exposição «A História Partilhada. Tesouros dos Palácios Reais de Espanha» evidenciou aspetos do colecionismo e do mecenato praticados pela monarquia espanhola nos séculos XVI a XIX. Num terceiro fio condutor, procurou evocar as relações políticas e matrimoniais entre as duas monarquias ibéricas ao longo de 350 anos.
A mostra incluiu peças de tapeçaria, pintura, armaria, escultura, mobiliário e arte sacra selecionadas pelo PNE a partir do seu espólio. O Museu Nacional de Arte Antiga cedeu o retrato de D. Isabel de Portugal de Joos van Cleve (1485-1540), do século XVI, com o intuito de «completar a narrativa de um dos núcleos da exposição» («Goya e Caravaggio entre 141 obras da exposição dos palácios reais de Espanha», RTP Notícias, 21 out. 2014).
Divididas por duas salas, as obras «documentam as diferentes formas de transmissão da imagem da monarquia, enquanto instrumento ideológico de poder ou como reflexo dos gostos, vivências e ocupações da família real» (Ibid.). João Castel-Branco Pereira, que escolheu 70 das 141 peças da mostra, destacou por seu turno «o sentido do gosto pelo colecionismo e o recurso aos melhores artistas da época» revelados no conjunto da exposição (Ibid.).
A contextualização histórica das figuras retratadas ou relacionadas com as diversas obras de arte expostas fez-se através de uma tabela genealógica, disposta no início do percurso expositivo para facilitar a visita pelos diferentes tempos históricos: desde Isabel, a Católica, rainha de Castela e Leão, e ainda de Aragão, pelo casamento com Fernando II, em 1469, até à portuguesa Isabel de Bragança (1797-1818), rainha de Espanha por casamento com Fernando VII.
A título de exemplo, refiram-se algumas das obras mais relevantes da exposição, como Salomé com a Cabeça de São João Batista (1606-1607), de Caravaggio (1571-1610), Caridade de Santa Isabel de Portugal (1816) e Fabrico de Balas (c. 1811-1814), de Francisco de Goya (1746-1828), ou Cavalo Branco (c. 1634-1635), do pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660), esta última muito apreciada pelos visitantes. Devido às suas dimensões (mais de três metros de altura e cerca dois metros e meio de largura), esta pintura foi exibida na entrada do Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, para uma melhor fruição do público.
Outra obra de referência incluída na mostra foi o retrato de Mariana Vitória da autoria de Nicolas de Largillièrre (1656-1746), pintado em 1724 e pertencente à coleção do Museo del Prado.
O catálogo da exposição foi compilado com a colaboração do PNE. Além dos textos que acompanham a reprodução de cada uma das 141 peças, e de uma cronologia detalhada sobre os 350 anos de história partilhada entre Portugal e Espanha, a publicação integra dois ensaios: o primeiro, da autoria dos três comissários, sobre a história dos palácios reais de Espanha; o segundo, da autoria de Fernando Bouza, professor catedrático de História Moderna na Universidade Complutense de Madrid, com uma reflexão sobre duas mulheres relevantes da história de Espanha, Isabel, a Católica, e Isabel de Bragança. Recorde-se que esta monarca foi a responsável pela criação do Museo del Prado, em Madrid.
Foi também realizado um ciclo de conferências no Auditório 3 da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, organizado pelo professor Fernando Bouza.
No dia 7 de novembro, o presidente da FCG, Artur Santos Silva, o diretor do MCG, João Castel-Branco Pereira, e a conservadora do MCG, Manuela Fidalgo, acompanharam a rainha de Espanha, D. Letizia de Bourbon, numa visita oficial à exposição.
Totalizando aproximadamente 55 referências na imprensa nacional e internacional, esta mostra recebeu 43 317 visitantes e realizou 328 visitas guiadas, tendo contribuído para a divulgação de episódios menos conhecidos da história comum dos dois países ibéricos.
Joana Atalaia, 2019