50 Gravuras de Goya
1979
Exposição dedicada à obra gravada do pintor espanhol Francisco Goya (1746-1828), promovida pela Biblioteca Nacional de España e pela Embaixada de Espanha em Portugal, em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian.
Comissariada por Luis González Robles, reuniu 50 gravuras de Goya pertencentes à secção de estampas da Biblioteca Nacional de España, reunidas a partir de várias séries de referência do artista, tais como Los Caprichos, Los Desastres de la Guerra ou Los Disparates, entre outras séries menos conhecidas do público português, como as Copias de Diego Velázquez, La Tauromaquia ou Los Toros de Burdeos. Tal como é referido no catálogo da exposição, a obra gravada de Goya é abundante, conhecendo-se cerca de 300 obras gráficas originais.
As gravuras exibidas correspondiam, maioritariamente, a primeiras edições das suas distintivas águas-fortes, incluindo também águas-tintas e litografias, e algumas provas de estado muito raras de La Tauromaquia e de outras gravuras rotuladas ortograficamente pelo artista espanhol, da série Los Toros de Burdeos.
A mostra procurou promover junto do público português a obra de Goya, que se oferece como «síntese de uma época de transição» na história da arte internacional (Diário de Notícias, 8 mar. 1979). Evidenciando a qualidade e originalidade da obra gravada de um dos artistas maiores de Espanha, e um dos maiores gravadores da história da arte ocidental, destacou a sua visão crítica do mundo, a sua sátira e imaginação, como é salientado no catálogo: «A obra de Goya é pois bastante numerosa. Apesar disso é genial pela sua expressão e novidade. Os seus juízos sobre os homens e o mundo eram avançados para a época; juízos tácitos ou postos como título ou comentário a desenhos e gravuras.» (50 Gravuras de Goya, 1979)
Por ocasião da inauguração da exposição, foi realizada, como atividade complementar, uma conferência, acompanhada pela projeção de slides, proferida pelo professor Xavier de Salas, membro da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando e antigo diretor do Museo del Prado.
A exposição foi amplamente divulgada na imprensa nacional, o que em certa medida atesta o acolhimento que teve junto da crítica e do público.
Filipa Coimbra, 2017