Ana Jotta
Galeria
DEPOIMENTO DA ARTISTA
A artista propõe-nos um objecto do dia-a-dia – um toalheiro mecânico, como existe em muitas casas de banho públicas; um ready-made, portanto, mas sujeito a intervenção, como veremos.
Numa toalha de pano desenrolado, foram bordadas algumas figuras em linha: seres híbridos, de corpo humano em idade muito imberbe e cabeça de ratinhos, numa síntese surrealista e onírica que faz do apelo ao absurdo um modo de afirmação artística.
O título da peça Roger poderia parece (ir)relevante; um nome inglês, que nos propõe uma identidade masculina para as figuras repetidamente bordadas na toalha. Ao mesmo tempo, na língua inglesa to roger é também uma expressão da gíria vulgar, para referir o acto sexual. Roger é ainda usado em comunicações de rádio como sinónimo de «afirmativo».
O seu gosto por palavras e trocadilhos, e pelo uso da língua como exercício plástico, é extensível aos títulos, como neste caso, em que a leitura da obra se abre, através dele, a múltiplas possibilidades de interpretação.
Na sua obra, Ana Jotta convoca frequentemente o absurdo do dia-a-dia, de forma a dar-lhe um novo sentido, e obriga-nos a ver objectos comuns de modo diferente, ao alterar um detalhe ou ao introduzir, com a palavra, novas associações. O recurso a objectos híbridos e a diferenciação constante dos media usados acabam por sugerir várias linguagens «num constante desvio em relação à ideia de marca autoral», como foi referido no texto da exposição s/he is her/e (Ricardo Nicolau, Lisboa 2008).
AG
Novembro 2011
Informação técnica
- Autor(es)
- Ana Jotta
- Título
- Roger
- Data
- 1995
- Materiais
- Toalheiro mecânico desactivado e Toalha bordada
- Dimensões
-
Tipo Valor Unidades Parte Altura 78 cm Largura 37 cm Profundidade 21 cm - N.º de inventário
- 01E1217