Helena Almeida

Ouve-me
1979
Em exposição

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Helena Almeida (Lisboa, Portugal, 1934 – Sintra, Portugal, 2018)
Título
Ouve-me
Título traduzido
Hear me
Data
1979
Técnica
Super 8, preto e branco, sem som, 3'46''
N.º de inventário
IM13

Incorporação

Tipo
Doação
Proveniência
Helena Almeida (1934-2018)
Data
2001

Texto

Significativamente, toda a obra de Helena Almeida não usa a escrita a não ser uma vez. E para escrever a palavra «Ouve-me». Mas esta injunção escreve-se ou escrevinha-se como uma linha de sutura que cose os lábios e impede a saída da voz, ou em frente de um écran-cortina que não deixa passar o corpo que poderia falar, mas não fala, que poderia dizer, mas não diz. Como aqui que é um filme sem som e em que uma figura humana – a própria artista – primeiro gesticula a palavra atrás de um papel de cenário que funciona como uma membrana, após sucessivas aproximações da boca ao papel em que depreendemos que grita a palavra ouve-me, depois a escreve com o dedo e finalmente com uma caneta risca a palavra.

Toda a obra de Helena Almeida, apesar de se poder inscrever numa tradição conceptual (corrente que usa a palavra escrita com frequência), é uma obra que enuncia a mudez. A mudez como limite, porque é uma mudez voluntária, um silêncio auto-imposto, senão mesmo auto-infligido. Mas assume este silêncio como um silêncio reivindicativo, longe da resignação. De algum modo, podemos ver aqui uma tradução da condição feminina ou uma crítica a esta condição, sobretudo quando se reconhece a existência de um quadro antropológico dominante, no qual cabe ao homem o papel de porta-voz, o papel da fala.

 

Isabel Carlos
Maio de 2010

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