Joaquim Rodrigo
Galeria
Na sequência da exploração de um registo abstrato-geométrico, Joaquim Rodrigo avança no início da década de 1960 para uma exploração neo-figurativa que remete para uma forte dimensão narrativa. Seguindo essa orientação, começa a produzir as suas numerosas pinturas-itinerários, que se constituem como subjetivos mapas de viagem, pictoricamente organizados através de um cifrado sistema de formas simplificadas.
Trás-os-Montes, de 1964, inscreve-se pois num ciclo no qual o artista apresenta diferentes elementos associados a trajetos que percorreu, elementos esses que, tal como a própria memória que deles é retida, surgem por vezes incompletos, deformados, fragmentados, justapostos, acumulados, com uma dimensão alterada, ou mesmo sem uma lógica aparente. De facto, nesta pintura incluem-se referências a determinadas experiências que são combinadas de uma forma não diegética, e que tanto surgem através de palavras como de figuras, símbolos ou ícones – criando, numa articulação semiológica, uma dinâmica circular entre significante e significado.
Trata-se de uma composição marcada por uma forte dinâmica curvilínea criada pela articulação entre as suas diferentes formas – que são representadas frontalmente, evidenciando a bidimensionalidade da tela –, e na qual, seguindo as cores da própria terra, o artista utiliza uma limitada paleta de ocres, conjugada com o preto, o branco, e, pontualmente, com o cinza.
Margarida Brito Alves
Outubro de 2011
Informação técnica
- Autor(es)
- Joaquim Rodrigo
- Título
- Trás-os-Montes
- Data
- 1964
- Materiais
- Platex
- Dimensões
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Tipo Valor Unidades Parte Largura 122 cm Altura 91 cm - N.º de inventário
- 67P146