Ana Vieira

Toucador
1973

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Ana Vieira (Coimbra, Portugal, 1940 – Lisboa, Portugal, 2016)
Título
Toucador
Data
1973
Materials and media
Espelho; Algodão; Tecido; Plástico; Rede; Tinta
Técnica
Assemblage
Dimensões
Altura 103,00 cm; Largura 69,00 cm; Profundidade 16,00 cm
N.º de inventário
83E565

Incorporação

Tipo
Aquisição
Proveniência
Ana Vieira (1940-2016)
Data
Julho de 1983

Texto

Toucador faz parte de uma sequência de dez obras realizadas em 1973 e apresentadas pela primeira vez na Galeria Judite DaCruz, em Lisboa, em fevereiro-março de 1974, numa exposição individual da artista. Dez caixas acrílicas com sombras projetadas de figuras e objetos com tela de rede translúcida a que se juntavam ainda duas mesas com toalha e loiça e brinquedos, desdobravam-se assim em variações sobre o tema das naturezas-mortas: vasos com flores, ramos, gaiolas e aquários, ora pintados na tela ora incrustados, os objetos de um quotidiano trivial davam-se assim a ver como num microcosmos miniatural, imóvel e intocável…

Juntamente com as obras Figura e Figura com chapéu do conjunto mostrado na Judite DaCruz –, Toucador caracteriza-se pela presença da figura humana, sempre feminina, em graciosa e composta silhueta, o busto contrapondo-se aos objetos materiais aprisionados nas caixas. O nome da obra reenvia para uma peça de mobiliário feminino, algo caído em desuso, como para a ideia de intimidade, autocontemplação (e arranjo) de si, coerente com uma atitude submissa e passiva indicada na ausência de braços ou gestos da figura como, por outro lado, no caráter estático e equilibrado da composição. Sobre uma travessa estreita, uma luva branca, um vaso de inspiração antiga com colar de pérolas, uma echarpe rosada à direita, completam a gramática de uma sedução pretérita ou anacrónica que se cola a uma imagem tradicional do Feminino, distante dos modelos libertários que ao longo do século XX e em particular nos anos de 1960, investiram os discursos sobre o género. Em fundo, uma moldura oval sugere a forma de um espelho que não reflete mais do que a forma espectral, imaterial, da figura definitivamente enclausurada num passado, distância temporal também insinuada na tonalidade dominante, cinza azulada, da rede e da moldura pintadas.

 

Ana Filipa Candeias
Maio de 2013

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