Menez

Sem título
1969

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Menez (Lisboa, Portugal, 1926 – Lisboa, Portugal, 1995)
Título
Sem título
Data
1969
Materials and media
Tela; Óleo
Técnica
Óleo sobre tela
Dimensões
Altura 101,00 cm; Largura 126,00 cm
N.º de inventário
83P189

Inscrições

Tipo
Assinatura
Descrição
Menez
Tipo
Data
Descrição
69

Incorporação

Tipo
Aquisição
Proveniência
Jorge de Brito
Data
Julho de 1983

Texto

Raramente Menez deu nomes às suas obras. Este óleo sobre tela igualmente sem título, mostra-nos um aglomerado de planos de colorido intenso e aveludado de azul, castanhos, vermelhos e amarelos, formando uma grande massa irregular e assimétrica sobre fundo branco. Sinuosos e irregulares, pontuados ainda de rosas e ocres, esses planos assemelham-se a colagens pelos efeitos de sobreimpressão e sobreposição, bem como pela linha amarela que os debrua ou circunscreve, em arcos de círculo e curvas, linhas retas e diagonais. A marcação de diagonais e arcos à esquerda como no canto inferior direito desse conglomerado promove uma sugestão de movimento da composição não sem insinuar a memória de perspetivas, espaços físicos concretos transfigurados pela imaginação criadora. Sobre este coalho de cor, sensivelmente acima do plano superior da imagem, uma oval com uma pequena sombra rósea projectando-se em onda, contrapõe a evidência colorista e informalista do conjunto retomando o diálogo harmónico com o plano de fundo.

Sem título inscreve-se num ciclo de trabalhos ainda sob o influxo predominantemente não figurativo que Menez realizou a partir de 1966, todavia já então permitindo conjeturar um retorno da figura que se fará mais acusado a partir dos anos de 1970 (por exemplo, no surpreendente Retrato de Areal, datado de 1970, ou um pouco antes num Objecto paralelepípedo de 1969, ambos na coleção do Centro de Arte Moderna) até se assumir em pleno do meado dos anos de 1980 em diante. Assim, pois, vestígios de espaços construídos, de padrões ou formas parcialmente estruturadas ou de um organicismo primário ou primordial, signos e marcas gráficas, parecem quer emergir de um caos visual de aparência indefinida, como na série de desenhos, colagens e pinturas que a artista criou na época, tomando geralmente como traço comum a animação rítmica dos elementos plásticos sobre uma superfície de tom claro (branco ou aparentado). A presente pintura não deixa de evidenciar uma procura de equilíbrio espacial sugerido na estabilização e no enquadramento da massa de cor no suporte, mesmo quando a linguagem gestual e colorista da pintora parece evoluir de acordo com a sua génese própria, sem ligação aparente com o mundo em volta.

 

Ana Filipa Candeias

Maio de 2013

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