João Queiroz
Galeria
O problema da paisagem e da sua representação está na origem destas imagens. Ao invés de descrever a natureza ou dar sobre ela um olhar convencionado e topográfico, Queiroz lida com o nevoeiro de sensações e percepções que o meio natural nele acorda – extrai os seus dividendos pictóricos guiado somente pelo instinto e intuição, numa missão romântica que vem inaugurar uma fase menos conceptual no decurso da sua obra. E apesar da subjectividade dessa experiência visual se mostrar avessa a interpretações, paira todavia uma lembrança da gravura japonesa nesta concepção de imagem, com áreas de cores lisas e não-naturalistas, numa quietude diáfana e sem sombras que, como os ukiyo-e (“retratos do mundo flutuante”) outrora coloridos à mão em tons laranja e azul, apenas mostra o perfil das vistas em que se costumava erguer o colosso do Monte Fuji.
João Queiroz consegue uma experiência visual que nada tem de modernista ou doutrinária, mas assenta na defesa de que a imagem artística continua a deter um valor soberano na era do ecrã – reforçando a pintura como coisa humana, destituída de filtros intelectuais e historicistas, para que o observador comungue com o artista. Esta obra nasce assim como extensão da sua profecia desse mesmo ano de 1999: «se a pintura se esgotar num jogo de símbolos e sinais, na sua sucessiva interpretação e reinterpretação, tornar-se-à um objecto cultural no sentido mais bolorento e académico do termo, e não mais parte fundamental da criação de novas sensibilidades e novos modos de ver.» (1)
(1) João Queiroz in Arte Ibérica, n.º 28, Outubro de 1999, p. 30.
AR
Informação técnica
- Autor(es)
- João Queiroz
- Título
- S/Título
- Data
- 1999
- Materiais
- Papel
- Dimensões
-
Tipo Valor Unidades Parte Altura 70 cm Largura 100 cm - N.º de inventário
- 99DP1752