José de Almada Negreiros

Sem título (Pinturas para Alfaiataria Cunha, Lisboa)
1913

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
José de Almada Negreiros (Cidade da Trindade, São Tomé e Príncipe, 1893 – Lisboa, Portugal, 1970)
Título
Sem título (Pinturas para Alfaiataria Cunha, Lisboa)
Data
1913
Materials and media
Tela; Óleo
Técnica
Óleo sobre tela
Dimensões
Altura 178,00 cm; Largura 100,00 cm
N.º de inventário
83P55

Inscrições

Tipo
Assinatura
Descrição
Almada Negreiros
Posição
Canto superior esquerdo
Tipo
Data
Descrição
1913
Posição
Canto superior esquerdo

Incorporação

Tipo
Aquisição
Proveniência
Jorge de Brito
Data
Julho de 1983

Texto

José de Almada Negreiros executa quatro grandes óleos para a Alfaiataria Cunha, em Lisboa, em 1913, dos quais a colecção do CAM incorpora dois em 1983, na ocasião da sua inauguração, adquirindo-os ao colecionador Jorge de Brito.

Serão as primeiras pinturas a óleo de Almada Negreiros, técnica mais adequada ao grande formato que apresentam, 1,78 x 1 metros, escala que torna as personagens destes painéis próximas do tamanho natural. Possuem uma linguagem gráfica, económica, eficaz para os fins publicitários específicos do espaço comercial a que se destinavam. Se este tipo de traço é de execução rápida em desenho, para o qual Almada tinha inusitada destreza, na técnica do óleo exige um rigoroso controlo programado, contrário à impressão visual de leveza imediata que nos sugerem estas imagens. Em pinturas posteriores, por exemplo nos quadros para a Brasileira de 1925 (cat 83P57 e 83P58) ou o nu feminino para o Bristol Club (1926), o óleo será explorado de forma um pouco diversa, mas sempre com um programa pictórico pré-definido, estudado, permanecendo ausente qualquer improvisação ou especificidade autorizada pela técnica (como empastes ou pinceladas mais gestuais para aludir a movimento ou acentuar determinado objeto).

O cosmopolitismo que transmitem as personagens vem dessa economia gráfica, mais próxima da síntese visual art déco, e também da do desenho gráfico, humorístico ou não, de que Almada contava já com apurada experiência aos vinte anos, do que de simbolismos fin-de-siècle. Os corpos esguios, elegantes, serpentinos, os rostos sem marcas distintivas, apenas enunciados, dão o sinal do tipo burguês urbano da modernidade, dandy e frívolo.

Destaque-se como o papel feminino é equiparado ao masculino, ou até mesmo o suplanta, na representação de uma mulher moderna, confiante e audaz. Num dos painéis, a figura feminina com o gesto suspenso de retirar, com dois dedos, o cigarro da boca do homem, apresenta-se numa atitude atrevida de descarado, e esperado, flirt.

 

Mariana Pinto dos Santos

Junho de 2013

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