Emmerico Nunes
Galeria
O pintor Francis Smith era demasiado tímido para instalar o cavalete na praça pública e aceitar, a seu lado, a presença de basbaques curiosos, escreve Jeanine Warnod em 1972. Pode então aventar-se a hipótese de o companheiro “de armas” e amigo Emmerico Nunes o ter captado nesse exercício doloroso nos primórdios da vida de ambos em Paris. Melhor, a cena ajuda a compreender a razão pela qual Smith viria a substituir definitivamente a pintura ao natural pela escrita quotidiana do desenho, ao qual em seguida dava cor no sossego do seu atelier. A agitação que reina em torno do pintor contrasta com a sua postura introvertida: de pés virados para dentro, envolto num sobretudo, de gola levantada e de chapéu enterrado na cabeça, procura proteger-se contra as investidas constantes que a sua presença naquele lugar suscita. Entre choros, risos, toques de trombeta e correrias, há quem venha remexer-lhe a caixa das tintas, solicitar explicações, fazer comentários e, quiçá, dar-lhe conselhos. O misto de traquinice – no limite da maldade – e de auto-satisfação – no limite da cretinice – que se desprende do público retratado, inscreve Emmerico Nunes na linha de Wilhelm Busch e prefigura a sua instalação na Alemanha bem como a sua longa colaboração como desenhador humorístico na imprensa alemã até à década de 1930.
ILC
Informação técnica
- Autor(es)
- Emmerico Nunes
- Título
- sem título (O pintor Francis Smith)
- Data
- 1909
- Materiais
- Papel
- Dimensões
-
Tipo Valor Unidades Parte Altura 21 cm Largura 25,7 cm - N.º de inventário
- DP127