Amadeo de Souza-Cardoso

Título desconhecido
c. 1915 – 1916 (data atribuída)

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Amadeo de Souza-Cardoso (Manhufe, Portugal, 1887 – Espinho, Portugal, 1918)
Título
Título desconhecido
Data
c. 1915 – 1916
Materials and media
Cartão; Aguarela
Técnica
Aguarela sobre cartão
Dimensões
Altura 15,00 cm (cartão); Largura 23,70 cm (cartão)
N.º de inventário
92DP1540

Incorporação

Tipo
Doação
Proveniência
Família Thepaut
Data
Julho de 1992

Texto

Ao relance, parece a plumagem de um animal exótico, como nas aves e nos cavalos multicolores que Amadeo desenhou alguns anos antes a partir de gravuras japonesas. Corresponde, no entanto, a uma fase na sua produção, entre 1915 e 1916, em que procurava recriar com a pintura alguns motivos das casas populares que ia observando nas vilas transmontanas, criando uma gramática original de formas geométricas simples e planas que nunca abdicam dos referentes, ao contrário do suprematismo de Malevich. Os círculos e os rectângulos formam assim inúmeras áreas de cor uniforme e muito viva, apesar da sua paleta ser pouco diversificada – nas cartas que então escrevia aos amigos, Amadeo queixava-se aliás frequentemente da falta de tintas para pintar: “Je travaille furieusement. Il me manque beaucoup de matériaux, mais tant pis.”*. Nada exprime melhor a sua energia criativa do que este ritmo musical das cores em movimento, tecendo uma malha pictórica de tons muito demarcados que criam entre si um contraste forte, essa tal “poesia das côres” que Almada Negreiros tanto glorificava.

 

* “Trabalho furiosamente. Faltam-me muitos materiais, mas azar.” Cf. Carta de Amadeo a Robert Delaunay, 13 de Maio de 1916.

 

AR

Março 2011

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