Helena Almeida

Seduzir
2002

Galeria

Se quiséssemos analisar a obra de Helena Almeida em termos diacrónicos diríamos que começa pelo traço, passa à mancha e à sombra, para finalmente tratar do espaço por inteiro. O suporte da pintura, que é a fotografia, começou por ser sobretudo figural* para, progressivamente, se tornar espacial. O fundo ou a cena foi aparecendo cada vez mais, não para dissolver a figura mas para enunciar os seus limites, e este fundo é sempre o seu ateliê: o chão de pedra e as paredes brancas tornam-se assim numa permanência nas suas fotografias a partir de meados da década de 90.

 

Nesta série, os sapatos pretos de tacão alto são mais do que um acessório, são um símbolo que remete para a sedução feminina – e o título clarifica essa intencionalidade – bem como o gesto coquete, ou de salão, de levantar a saia, a que se soma a introdução da cor vermelha com que a palma do pé é pintada. Um apontamento de dramatismo e encenação que reforça e simultaneamente perturba a coreografia de gestos minimais. Como quem afirma que «Seduzir» implica dor e sacrifício.

 

 

* «Figural» no sentido que lhe atribui François Lyotard na obra Discours, Figure, Ed. Klincksieck, Paris, 1974.

 

 

IC

Maio de 2010


Informação técnica

Autor(es)
Helena Almeida
Título
Seduzir
Data
2002
Materiais
Papel Fotográfico
Dimensões
TipoValorUnidadesParte
Altura199cmmoldura
Largura129,5cmmoldura
N.º de inventário
02FP365

Inscrição

Tipo assinatura
Tipo data


Incorporação

TipoAquisição
DataDezembro de 2002


Exposições

Densidade Relativa
Leonor Nazaré
Curadoria: Leonor Nazaré
27 de Outubro de 2005 a 22 de Janeiro de 2006
HALL de entrada e Piso 1 no CAMJAP
12-8-2006 a 26-11-2006
Centro Cultural Emmerico Nunes e Centro das Artes de Sines
A ideia de trabalhar o conceito de densidade das obras começou por surgir com a constatação de que a palavra é muito frequente nos textos de crítica de arte. O mesmo acontece com a palavra intensidade que facilmente se associa à primeira. Rapidamente se percebe que densidade pode ser sinónimo de riqueza ou de impenetrabilidade, quando não se refere mais literalmente à acumulação de elementos no espaço, por oposição ao vazio ou à rarefacção. O pensamento em torno destas variantes conduziu à percepção de que o conceito poderia ser útil no estabelecimento de um contínuo entre a matéria do pensamento e a dos corpos e objectos, neste caso, a das obras de arte.
Pés no Chão, Cabeça no Céu
Centro Cultural de Belém
Curadoria: Centro Cultural de Belém
19 de Março de 2004 a 6 de Maio de 2004
Galeria 1 do Centro Cultural de Belém
Exposição sobre a obra de Helena Helmeida.


Bibliografia

Densidade Relativa
Lisboa, CAM/FCG, 2005
ISBN:972-635-169-x
Monografia
Helena Almeida. Pés no chão, Cabeça no Céu
Lisboa, Edição Centro de Exposições / Centro Cultural de Belém, 2003
ISBN:972-8176-89-9
Catálogo de exposição

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