Luís Noronha da Costa

Sem título (objecto)
c. 1968

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Luís Noronha da Costa (Lisboa, Portugal, 1942 – Lisboa, Portugal, 2020)
Título
Sem título (objecto)
Data
c. 1968
Materials and media
Contraplacado; Vidro; Tinta celulósica; Têmpera vinílica
Dimensões
Altura 30,00 cm; Largura 35,00 cm; Profundidade 18,00 cm
N.º de inventário
83E1149

Incorporação

Proveniência
Desconhecido
Data
Julho de 1983

Texto

Os objetos azuis, produzidos em 1968, assinalam o momento em que Luís Noronha da Costa utiliza, pela primeira vez, a projeção de spray com pistola – técnica que explorou extensivamente ao longo das décadas seguintes – e inscrevem-se num processo experimental, conduzido por uma indagação sobre a imagem, que atravessa toda a sua obra. Convocando distintos níveis de perceção, estes objetos apresentam-se como entidades físicas num mundo real, ao mesmo tempo que incluem uma dimensão virtual. Com efeito, problematizando as noções de «espaço» e de «não-espaço» desde cedo formuladas pelo artista,* podemos reconhecer que, numa complexa articulação, neles coexistem e se sobrepõem diferentes ordens espaciais.

Se por um lado a imagem refletida no vidro espelhado introduz uma dimensão virtual ou ilusória nestes trabalhos, por outro, a dimensão real dos objetos – entendidos enquanto realidades em si mesmos e oferecidos fenomenologicamente – desdobra-se em diversos níveis percetivos. De facto, as peças tanto se constituem como uma presença, enquanto entidades materiais e literais, como correspondem a um plano de imagem a que o artista se refere como «ecrã» – plano esse que, apesar de apresentar uma imagem que, ainda que difusa e desmaterializada, reconhecemos (ou julgamos reconhecer), pretende materializar essa mesma imagem, fazendo-a corresponder a um duplo da realidade que reivindica o seu lugar autónomo no mundo. Afastando-se de uma noção de representação e recusando-se portanto a ficar refém de um referente que lhe é exterior, a imagem constitui-se como auto-referencial e corresponde, nesse sentido, a uma realidade outra que convive com a sua realidade objectual.

 

* Veja-se a entrevista a Rui-Mário Gonçalves publicada no catálogo da exposição individual organizada na Galeria Buchholz, Lisboa, 1967, p. 3-4.

 

MBA

Outubro de 2011

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