Ângela Ferreira
Galeria
O desenho de Ângela Ferreira era geralmente usado como método de estudo para o seu trabalho escultórico. Em alguns casos, porém, este acabava por ganhar vida própria e um valor plástico independente dessa função inicial e continuava a ser burilado mesmo depois de consumadas as esculturas. O pastel em causa pode ser situado no conjunto de obras que a artista plástica criou em Lisboa, em 1989, e relacionado, em particular, com uma das suas esculturas que foram então apresentadas no CAM, a Escultura V, formalmente idêntica, apesar de conter mais um segmento do que neste projecto.
O uso do desenho na obra de Ângela Ferreira servia assim o duplo significado que os artistas de Florença atribuíam outrora à palavra disegno (considerado por Vasari como o “pai de todos os processos criativos”), isto é: não se refere somente ao exercício técnico do “desenho”, enquanto arte de usar a linha para definir uma forma, mas implica também o processo intelectual de conseguir projectar e conceber um objecto que tanto pode ser escultórico, pictórico ou arquitectónico – uma vertente que hoje, por derivação linguística, conhecemos como “design”.
A preocupação de análise formal dos objectos encontra aqui um envolvimento plástico, tendo em conta o colorido que não trespassou para a escultura, mas também as soluções discretas com que a artista resolve o problema de apresentar tridimensionalmente este sistema de rolamento sobre a superfície bidimensional duma folha de papel.
AR
Informação técnica
- Autor(es)
- Ângela Ferreira
- Título
- S/ Título
- Data
- 1990
- Materiais
- Papel Fabriano
- Dimensões
-
Tipo Valor Unidades Parte Altura 70 cm suporte Largura 100 cm suporte - N.º de inventário
- 90DP1524