António Carneiro

Praia da Figueira da Foz
1921

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
António Carneiro (Amarante, Portugal, 1872 – Porto, Portugal, 1930)
Título
Praia da Figueira da Foz
Data
1921
Materials and media
Madeira; Óleo
Técnica
Óleo sobre madeira
Dimensões
Altura 15,70 cm; Largura 23,50 cm
N.º de inventário
83P985

Inscrições

Tipo
Assinatura
Descrição
António Carneiro
Posição
Canto inferior direito
Tipo
Local
Descrição
Figueira da Foz
Posição
Canto inferior direito
Tipo
Data
Descrição
1921
Posição
Canto inferior direito

Incorporação

Tipo
Aquisição
Proveniência
Jorge de Brito
Data
Julho de 1983

Texto

As estadias frequentes de António Carneiro, juntamente com a sua família, em casas de amigos localizadas junto a zonas balneares (Melgaço, Leça da Palmeira, Figueira da Foz) serviram de ponto de partida para a criação de inúmeras marinhas, nas quais o artista põe em prática diferentes pesquisas, desde a vontade de captação lumínica cara ao Impressionismo até à auscultação, despovoamento e introspecção do universo simbolista.

Neste pequeno óleo, datado de 1921, e intitulado Figueira da Foz, Carneiro aproxima-se da estética e preocupações impressionistas com uma pintura certamente realizada sur le motif, cujo suporte em madeira e as dimensões reduzidas aproximam do registo da pochade. Fazendo uso de uma pincelada solta, que reitera o carácter matérico da pintura, Figueira da Foz evoca texturas e nuances de iluminação, ao mesmo tempo que procura a captação do instante, do imediato, numa eterna fixação do momento, como se de uma fotografia se tratasse. As crianças que brincam nos baloiços, os chapéus-de-sol que vergam com a força do vento, as ondas que se preparam para morrer na areia são eternizadas, porém, não no seu aspecto descritivo (normalmente associado ao medium fotográfico), mas como impressão, isto é, segundo o efeito óptico que causam no artista. Esta é, por isso, uma obra em que o artista se liberta das convenções académicas para fazer uso pleno da liberdade e imediatismo que caracterizam muitos dos seus óleos e aguarelas criadas em ambiente familiar.

Se em outras paisagens de António Carneiro o despovoamento e a escala sobre-humana, conferida pela vastidão do mar e presença de escarpas, dominam, remetendo para uma dimensão espiritual e busca de sentido onde mais do que a presença impera a ausência, Figueira da Foz apresenta um cenário povoado de figuras que com ele interagem, aproximando também esta paisagem de uma crónica de costumes ao evocar a ideia de joie de vivre tão frequentemente imortalizada ao longo da, na altura já extinta, belle époque.

 

Daniela Simões

Março 2015

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