Helena Almeida

Pintura Habitada
1976

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Helena Almeida (Lisboa, Portugal, 1934 – Sintra, Portugal, 2018)
Título
Pintura Habitada
Título traduzido
Inhabited Painting
Data
1976
Materials and media
Papel fotográfico; Tinta acrílica
Técnica
Fotografia
Dimensões
Altura 40,00 cm (cada fotografia); Largura 60,00 cm (cada fotografia); Altura 80,00 cm (total das 14 fotografias); Largura 420,00 cm (total das 14 fotografias)
N.º de inventário
80FP12

Inscrições

Tipo
Assinatura
Descrição
Helena Almeida
Posição
Frente, canto inferior direito
Tipo
Data
Descrição
76
Posição
Frente, canto inferior direito
Tipo
Título
Descrição
Pintura Habitada
Posição
Verso
Tipo
Data
Descrição
1976
Posição
Verso
Tipo
Numeração do artista
Descrição
conj - 14 fotos
Posição
Verso
Tipo
Numeração do artista
Descrição
mult. de 3 / 1/3
Posição
Verso

Incorporação

Tipo
Doação
Local
Lisboa
Proveniência
Helena Almeida (1934-2018)
Data
Abril de 1980

Texto

Helena Almeida afirma na sua obra uma espécie de litania: a minha pintura é o meu corpo, a minha obra é o meu corpo. É evidente o desejo de que a pintura e o desenho se tornem corpo, de que se anule a distância entre corpo e obra.

Mas simultaneamente pouco ficamos a saber sobre o seu corpo concreto. O corpo concreto e fisico da artista será constantemente despistado, desfigurado, ocultado pela mancha, que ora o prolonga, ora o derrama, ora «entra» ou «sai» dentro dele, ora se tapa, ora se mostra, como nesta espécie de cortina azul de pintura em que a mão pinta e depois agarra o pigmento. A cor azul é para a artista sinónimo de espaço e energia: «É uma mistura de azul-cobalto com azul-ultramarino. É o azul mais energético que eu consegui fazer e que simultaneamente associo com o espaço. Não podia ser vermelho, verde ou amarelo. Tinha que ser uma cor que tivesse a ver com estas duas ideias: energia e espaço.»*

A sua obra é um permanente aparecimento de uma imagem de mulher que se transforma em pintura ou desenho, que é pintura ela mesma. Do mesmo modo, a fotografia revela-se enquanto medium pois permite (e motiva) o uso de séries, de meta-narrativas, de pequenos momentos, alguns quase ficcionais, marcando os diversos «tempos» de um movimento.

A ideia de Flaubert de que a fotografia tornaria a pintura completamente obsoleta e que, por sua vez, o daguerreótipo ocuparia o lugar da pintura, é completamente desprezada na obra de Helena Almeida. A artista combina as técnicas de criação (manualmente cria o seu azul, mistura as cores; faz desenhos e colagens) com as técnicas de reprodução (a fotografia e o vídeo) contaminando a pureza modernista da separação das disciplinas.

Existe na sua obra um movimento permanente de ocultamento e desocultamento, um vaivém entre dar a ver e esconder; que é igualmente o movimento que vai da experiência individual ao carácter universal que toda a obra de arte deve perseguir.

Do minimalismo ao conceptualismo, da performance à fotografia, a obra de Helena Almeida lida com todos os grandes movimentos artísticos que marcaram a segunda metade do século XX. E fá-lo de um modo que nunca é epigonal, mas sempre profundamente inventivo e pessoal, uma vez que consegue criar um vocabulário e inventar um mundo, sem se desprender dos seus referentes. Aliás, a recorrência não só a séries como aos mesmos títulos-conceitos com que intitula as suas obras ao longo dos anos, confirma-o.

«Ando em círculo; os ciclos voltam. O trabalho nunca está completo, tem que se voltar a fazer. O que me interessa é sempre o mesmo: o espaço, a casa, o tecto, o canto, o chão; depois, o espaço físico da tela, mas o que eu quero é tratar de emoções. São maneiras de contar uma história.»**

 

Isabel Carlos
Novembro de 2010

 

* Helena Almeida em entrevista a Isabel Carlos, in Helena Almeida, Milano: Electa, 1998, p. 52.

** Helena Almeidaop.cit., p. 58.

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