Mário Eloy

O Knock do Teatro Novo
1925

Galeria


Informação técnica

Autor(es)
Mário Eloy (Algés, Portugal, 1900 – Lisboa, Portugal, 1951)
Título
O Knock do Teatro Novo
Data
1925
Materials and media
Papel; Grafite
Técnica
Grafite sobre papel
Dimensões
Altura 34,00 cm; Largura 23,00 cm
N.º de inventário
DP753

Inscrições

Tipo
Data
Descrição
925
Posição
Canto inferior direito
Tipo
Assinatura
Descrição
Mário Eloy
Posição
Canto inferior direito
Tipo
Dedicatória
Descrição
Ao Antonio Ferro./ O Knock do Teatro Novo.
Posição
Canto inferior direito

Incorporação

Tipo
Aquisição
Proveniência
Arqtº Cristino da Silva
Data
Julho de 1983

Texto

Este desenho representa Joaquim de Oliveira interpretando o papel do doutor Knock, em Knock ou a Vitória da Medicina, de Jules Romains. Criada por Louis Jouvet em 1923, no teatro La Comédie (Campos Elíseos, Paris), a peça estreava-se em Lisboa em Julho de 1925, pelas mãos de António Ferro, que confiou a sua encenação e o papel principal a Joaquim de Oliveira, actor do Teatro Nacional. Mário Eloy contava-se entre as trezentas pessoas presentes na ante-estreia da peça com que António Ferro inaugurava o Teatro Novo, no palácio Tivoli. Nas memórias e ensaios que publicou em 1950, Joaquim de Oliveira recordava a gestação deste projecto de modernização do teatro, a discussão e as polémicas veiculadas pela imprensa da época e o discurso inaugural do seu mentor, no dia da ante-estreia. Knock foi um sucesso retumbante, ao ponto de fazer esquecer o calor abafador que reinava na sala descrita por Gustavo Matos de Sequeira, “toda guarnecida de panos caídos, cor de laranja, decorados com ornatos indeterminados […]. Dir-se-ia um cofre de jóias, colgado de acolchoado. […] Se não fosse o cadeirado da plateia, ignorar-se-ia de que lado era o palco.” O longo discurso de António Ferro que precedeu a peça seria, em contrapartida, unanimemente criticado pelos colunistas lisboetas: “As ideias nunca podem ser casos pessoais. […] O seu discurso, em vez de ser, unicamente, altivamente, uma estrita defesa dos modernos processos artísticos […], foi uma cerrada e preocupada crítica àqueles que o atacaram.” (Artur Portela, Diário de Lisboa). Talvez se deva ler a dedicatória do desenho de Mário Eloy – “Ao António Ferro./ O Knock do Teatro Novo” – à luz deste discurso do poder, que não admite críticas, e que foi proferido perante uma plateia “cobarde” que o deixou acabar o seu “exórdio irreverente” “sem protestar de viva voz” (Mário Duarte, De Teatro, n° 33). A peça de Jules Romains reenvia-nos para um universo em que o homem providencial (encarnado pelo doutor Knock) adquire, em nome da medicina moderna, o poder inquietante de um ditador.

Oito anos depois do triunfo de Knock em Lisboa, António Ferro fundava o Secretariado da Propaganda Nacional do Estado Novo e implementava a sua Política do Espírito, em nome da cultura moderna. A propósito de um outro desenho em que Mário Eloy o retratara, em 1925, escreveu, anos mais tarde, numa carta enviada a Jorge Segurado: “o meu retrato a lápis do Eloy que considero um documento psicológico […] ajudou a conhecer-me.”

 

Isabel Cardoso

Março 2014

Definição de Cookies

Definição de Cookies

Este website usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. Podendo também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras.