- 1982
- Papel
- Técnica-mista
- Inv. 96DP1637
Julião Sarmento
Noites Brancas
No início dos anos 80, Julião Sarmento começou uma nova etapa do seu trabalho. Por se encontrar numa intensa fase de produção, a utilização do papel como suporte mostrou-se profícua para o artista, que, assim, secundarizou o uso da tela. De cor ocre e irregular, o papel escolhido apresentava-se bastante desgastado e pouco resistente, como evidencia a série Noites Brancas. Os desenhos que a constituem são caracterizados por uma imagem central na área superior e por colagens na margem inferior, que formam fragmentos mais ou menos perceptíveis, desenhos incompletos ou mais rigorosos.
A obra aqui apresentada pertence a esta série: desenhada a preto, a imagem indicia uma cena erótica constituída por dois nus femininos que se tocam. No espaço contíguo inferior, as colagens relacionam-se directamente com a imagem central, mas não garantem uma leitura nítida e definida.
Esta estética da fragmentação opõe-se a uma proposta de finalização. Ou seja, por não serem facilmente definidas, apontando várias sugestões de representação, as imagens escondem algo, e até nos permitem imaginar o que não é visível. O próprio material utilizado induz nesse sentido, pela sua fragilidade. Ora, o corpo fragmentado e erótico é uma característica geral da obra de Sarmento, uma especificidade visível nos seus filmes, bem como nos seus desenhos, na sua pintura e nas suas fotografias.
Em relação à designação desta série, convém assinalar que Noites Brancas é o título de um romance de Dostoiévski (publicado em 1848), adaptado ao cinema por Luchino Visconti em 1957. O romance é um monólogo solitário; uma relação entre o dia e a noite, a realidade e o sonho. As Noites Brancas de Julião Sarmento afirmam-se como fugas da solidão, encontros de prazer, uniões fortuitas. São as noites “brancas” de insónia que se diluem lentamente no dia.
PR
Janeiro de 2010
| Tipo | Valor | Unidades | Parte |
| Altura | 185 | cm | suporte |
| Largura | 197 | cm | suporte |
| Tipo | assinatura |
| Texto | Julião Sarmento |
| Posição | verso |
| Tipo | data |
| Texto | Outubro 1982 |
| Posição | verso |
| Tipo | Aquisição |
| Data | Abril de 1996 |
| Desenhos do corpo |
| Lisboa, CAMJAP/FCG, 1995 |
Catálogo de exposição
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| Heimo Zobernig e a Colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian/ Heimo Zobernig and the Collection of the Calouste Gulbenkian Foundation Modern Art Centre; Heimo Zobernig and the Tate Colllection/ Heimo Zobernig e a Colecção da Tate |
| Lisboa / St. Ives, CAM / Tate St. Ives, 2009 |
| ISBN: 978-1-85437-826-2 |
Catálogo de exposição
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| Julião Sarmento |
| Lisboa, Assírio & Alvim, 1997 |
Monografia
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| Julião Sarmento - Obras sobre Papel. 1981-86 |
| Sevilha, Fundación Luis Cernuda, 1991 |
Catálogo de exposição
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| Julião Sarmento |
| Lisboa, Editorial Caminho, 2005 |
| Monografia |
| Desenhos e esculturas do CAMJAP |
| Câmara Municipal de Porto de Mós |
| 8 de Julho a 28 de Julho de 2005 Castelo de Porto de Mós |
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| Desenhos do Corpo |
| CAMJAP/FCG |
| Organização e selecção das obras: Alice Costa Guerra, Paulo Henriques e Rui Sanches. |
| 10 de Outubro de 1995 a 28 de Janeiro de 1996 Galeria do Piso 1 do Museu do CAMJAP |
| 22 de Julho a 24 de Setembro de 1995 Caldas da Rainha, Museu de José Malhoa |
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| Heimo Zobernig e a Colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian |
| CAM/FCG |
| Curadoria: Jürgen Bock |
| 11 de Fevereiro a 31 de Agosto de 2009 Centro de Arte Moderna |
Exposição realizada em parceria com a Tate St. Ives.
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| Exposição Permanente do CAM |
| CAM/FCG |
| Curadoria: Jorge Molder |
| 18 de Julho de 2008 a 4 de Janeiro de 2009 Centro de Arte Moderna |
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| Julião Sarmento |
| Fundación Luis Cernuda |
| Curadoria: Kevin Power |
28 de Janeiro a 16 de Fevereiro de 1991
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| Art London 89, International Contemporary Art Fair |
| 30 de Março a 2 de Abril de 2010 Londres |